Vi ontem o filme “A Praça” do ucraniano Sergei Loznitsa sobre a revolução na sua pátria entre o final de 2013 e o princípio deste ano (ou seja, cerca de cinco meses de movimentações permanentes, embora, naturalmente, com altos e baixos), enquadrado num conflito inter-nacionalismos (o russo e o ucraniano) que ainda está longe de terminar e desembocou na actual guerra delegada na região. No género, é uma experiência interessante e única. Sobretudo pela recusa do travelling e o comentário, mantendo semanas a fio várias câmaras em posição fixa em que os movimentos são os dos manifestantes (ou, por vezes, das forças repressivas), ao fim de algum tempo acabamos por nos sentir transportados da cadeira do cinema para o interior da Praça da Independência em Kiev, em frente da câmara, a partilharmos as tarefas do levantamento, com os seus fluxos e refluxos, vivendo o stress e a adrenalina do confronto entre revolução e reacção. Pode-se, politicamente, pedir mais a um filme?
Nota: Fui pela primeira vez ao renovadíssimo “Cinema Ideal” junto ao Largo do Camões, agora explorado pela Medeia. Impecável o resultado, o de uma sala (com plateia e balcão) adequada à projecção de cinema de qualidade. Oxalá faça escola pela programação.
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