Sim, a culpa é do Tózé, o Tózé Seguro. Continuasse ele à frente do PS como bem tentou e hoje era um ver se te avias na varredela do PS para fora do cenário eleitoral alternativo à direita malvada que nos governa. E assim, podíamos sonhar, à esquerda, com uma espécie de Syriza/Podemos à portuguesa. Com Tózé no leme, o PS era "pasokado" em duas penadas. Assim, com Costa, o PS parece ter capacidade de resistir e prolongar a fixação na alternância do centrão, o que só garante o prolongamento do desfasamento da política portuguesa face às alternativas necessárias e que o Syriza abriu portas. Costa, de uma forma indolente, lá vai fazendo uma gestão sonolenta de alívio perante as responsabilidades do PS (e seus homólogos) na política austeritária e sem estancar as romarias diárias e estúpidas de personalidades socialistas até Évora para visitas ao preso 44. E Costa só é ajudado pela esquerda à esquerda do PS, pobrezinha, sem criatividade nem carisma, mais interessada em jogos de personalidades que em mobilizar vontades e esforços como acontece nas bandas da esquerda radical e com o PCP petrificado no seu oscilar errático entre o radicalismo antieuropeu (a saída do euro, a saída do euro, a saída do euro) e o conservadorismo pelos muitos milhares de postos de trabalho que alimenta no partido, em sindicatos e em autarquias. De qualquer forma, o certo é que numa Europa a virar costas ao bipartidarismo e a inventar alternativas, com a Grécia a virar páginas e a Espanha e a Irlanda a caminho de réplicas, aqui o que temos é Costa, o simpático mas indolente Costa, o que, eleitoralmente, pode levar ao pesadelo da re-vitória da direita ou um Costa em maioria relativa e a pescar em arranjos pífios. Syriza à portuguesa é que, quase certo, não. A única vantagem da bloqueada situação política portuguesa é que não é preciso procurar muito para encontrar o bode expiatório. Porque a culpa, toda a culpa, é do Tózé.
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