Terça-feira, 27 de Julho de 2004

NA BANDA DO PS

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No quadro de apagada tristeza em que se viu o PS, depois da nefanda obra de descaracterização processada pelo guterrismo, a preparação do seu Congresso e as corridas para o Secretariado Geral, são um espectáculo deprimente.

Os socranetes contam as espingardas aparelhistas e encostam-se ao centrão. São os restos guterristas a calçarem as pantufas, direitos aos sofás de um poder que julgam cair-lhes no colo. Limitam-se ao não ambicioso projecto de serem santanetes com preocupações sociais. Propõem uma espécie de alternância que pouco mais seja que mudança de penteados.

João Soares faz o seu número dinástico. È a sua tragédia. Será sempre, politicamente, um pai em versão pobrezinha.

A esquerda PS andou às voltas e meias voltas. Mexeu-se é verdade. Reuniu também. Unificou até plurais tendências e clubes. Mas partiu dos cacos do hara-kiri emocional de Ferro que transformara a sacristia guterrista num clube de amigos de Alex, incapazes de passarem da moral para a política. Não aprendeu nada de nada. De mão em mão, de reunião em reunião, acabaram por cair debaixo das barbas de um trovador emocional e apelar-lhe ao sacrifício da locução das trombetas do protesto e da regeneração. Manuel Alegre já disse que só concorre a líder, a governação será com outro. Por outras palavras, basta-lhes que Sócrates não ganhe por unanimidade e aclamação.

Parece que todos, no PS, se resignaram ao triunfo do aparelho. É assim que querem, é assim que será. A orquestra, triste orquestra, está pronta para a função.

Santana é o que é. Mas ninguém pode negar que é homem que nasceu com a estrelinha da sorte.

Que raiva!
Publicado por João Tunes às 22:57
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