![capt.jlm10203162031.mexico_cars_jlm102[1].jpg](http://agualisa4.blogs.sapo.pt/arquivo/capt.jlm10203162031.mexico_cars_jlm102[1].jpg)
Se há companheiro da blogosfera de quem sempre leio os posts com o maior interesse, de fio a pavio, é o
João Abel Freitas. Nas questões económicas e da Administração Pública, a sua análise serena e entendida faz a diferença se comparada com as máximas ditirâmbicas que tanto abundam (incluindo as minhas, exclamativas em demasia). Ele é, de facto, um especialista esclarecido e esclarecedor. Um homem que tem o mérito raro de dominar a arte de opinar sem perder o fio pedagógico.
Confesso que também lhe guardo estima por respeito à lembrança dos tempos em que nos cruzámos em projectos virados para o mesmo lado. Sobretudo de umas idas eleições autárquicas em que emparceirámos na mesma lista (e campanha) para a Assembleia de Freguesia de Benfica (e em que, curiosamente, Carvalhas, ainda não SG, foi candidato à Presidência da CML). E até tivemos um resultado bem honroso (então, se comparamos com os de depois...). Hoje, muita água mexida, cada um anda às suas, tentando ambos, julgo, não descalçar o pé do chinelo esquerdo.
Agora com as presidenciais, andamos desencontrados. Do que não vem um grãozinho de mal ao mundo. Mas, por exercício de convicção, tento entender as opções diversas. E leio, do
João Abel, esta mais que chocha declaração resignada de apoio a Mário Soares:
Era necessário ter surgido atempadamente um candidato agregador, prestigiado, da confiança de vastos segmentos da esquerda e mobilizador da mesma. Este processo exigia tempo e a esquerda "acordou" tarde e teve de se socorrer do stock usado.
Neste contexto, continuo a não ter dúvidas sobre o melhor candidato à esquerda para uma segunda volta. Já aqui o referi várias vezes: Mário Soares.Ele que me perdoe, acho esta declaração altamente esclarecedora. Porque é, sobretudo, mais um requiem de resignação fatalista que coisa de convicção. Sem pingo de entusiasmo. Um género de caminho para velório. E mete-me confusão: que raio de fatalismo voluntarista determina o apoio a um candidato da esquerda para, em condições particularmente difíceis, em vez do combate, se ir assim, de baraço ao pescoço, agarrado a Soares e esganando Soares, nos prostarmos aos pés da parceria Sócrates & Cavaco para que a tecnocracia substitua a política?
Ganhar ou perder, só a luta e o voto decidem. É bem verdade. Mas se a Esquerda tem candidato para combater e ganhar (indo á segunda volta e ganhando-a depois) - Manuel Alegre - porque substituir a luta por um desígnio derrotista, péssimo para a esquerda e péssimo para o sacrificado candidato. Como é o caso, está todo o mundo farto de saber, da cartada Soares?
Ou, caro
João Abel, estamos a ver filmes diferentes?