
Como Cavaco mudou de gravata, suspendeu-se no partido, procura que se esqueça o que foi e é, este Cavaco de campanha é um género de papagaio a falar pelo dono escondido, enfim um candidato de plástico, em que o nariz não corre o risco de crescer, crescer.
Não é de esperar que se descubra Cavaco atrás do candidato Cavaco. Alguém lhe terá dito que uma boa campanha, mais vitória certa, seria um tabu seguido de um work-shop no Actors Studio, com um estágio pelo meio num Museu de Cera.
Restam-nos, pois, os cavaquistas, para sabermos, pelo menos, porque nos querem impingir Cavaco. Por exemplo, ler assim:
Tendo começado pelo Centro Cultural de Belem, obra emblemático dos tempos em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro de Portugal, o agora candidato à PR foi até à
Invicta Cidade para apresentar ao país o seu manifesto de candidatura, justamente no nobre edifício da Alfândega do Porto. Como homenagem ao trabalho e à riqueza criada naquela região nortenha, mas tambem ao espírito empreendedor e ao dinamismo que as suas gentes sempre mostraram. Sabemos agora com o que podemos contar. Com um candidato que vai esforçar-se "para que a seriedade, a honestidade e a transparência imperem na política". Para acabar com a oratória desbragada, a verborreia populista e eliminar, definitivamente, "a má moeda"... Para que os "cidadãos sejam mobilizados para uma participação mais intensa e exigente na vida cívica". Para que "aqueles que servem a causa pública em lugares políticos sejam vistos pelos cidadãos como honestos, competentes e rigorosos".
(...)
Para sair desta crise, os portugueses precisam ser optimistas, ter confiança e trabalhar noutros moldes. É preciso uma mudança. No discurso dos políticos, mas tambem na mentalidade dos portugueses. Para isso conta muito a imagem do novo Presidente da Repúlica: austero, grave, rigoroso. E Cavaco Silva possui estas qualidades, umas vezes severo outras vezes atencioso e humilde, mas sem perder a nobreza inerente à função de professor académico. Claro que as elites urbanas têm dúvidas, não gostam de estranhos, daqueles que não são da sua casta, que subiram na vida a custo de estudo e trabalho. As élites gostam de gente de "boas famílias", com nomes sonantes, ligados à "indústria" ou à alta finança, pois hoje não se pode falar em descendentes da
Casa de Bragança, nos
Lorenas ou nos
Quintanilhas... E Cavaco Silva, é apenas um Silva. Mas fala de cátedra!... Ou não é ele um homem do nosso tempo, um produto do republicanismo?
(pescado aqui)Eu cá por mim, não é por nada, mas acho que o estimado companheiro
Evaristo nos anda a gozar nós outros, seus devotados leitores - e que nem um perdido... Se assim é, viva o humor! Caso contrário, não é Fernando Pessoa quem quer (ou seja, como ele quando amou Sidónio, o Presidente Rei).