Sábado, 29 de Outubro de 2005

SIDONISMO ABRANGENTE

032-cavaloSidonio_0156.jpg

Como Cavaco mudou de gravata, suspendeu-se no partido, procura que se esqueça o que foi e é, este Cavaco de campanha é um género de papagaio a falar pelo dono escondido, enfim um candidato de plástico, em que o nariz não corre o risco de crescer, crescer.

Não é de esperar que se descubra Cavaco atrás do candidato Cavaco. Alguém lhe terá dito que uma boa campanha, mais vitória certa, seria um tabu seguido de um work-shop no Actor’s Studio, com um estágio pelo meio num Museu de Cera.

Restam-nos, pois, os “cavaquistas”, para sabermos, pelo menos, porque nos querem impingir Cavaco. Por exemplo, ler assim:

“Tendo começado pelo Centro Cultural de Belem, obra emblemático dos tempos em que Cavaco Silva foi primeiro-ministro de Portugal, o agora candidato à PR foi até à Invicta Cidade para apresentar ao país o seu manifesto de candidatura, justamente no nobre edifício da Alfândega do Porto. Como homenagem ao trabalho e à riqueza criada naquela região nortenha, mas tambem ao espírito empreendedor e ao dinamismo que as suas gentes sempre mostraram. Sabemos agora com o que podemos contar. Com um candidato que vai esforçar-se "para que a seriedade, a honestidade e a transparência imperem na política". Para acabar com a oratória desbragada, a verborreia populista e eliminar, definitivamente, "a má moeda"... Para que os "cidadãos sejam mobilizados para uma participação mais intensa e exigente na vida cívica". Para que "aqueles que servem a causa pública em lugares políticos sejam vistos pelos cidadãos como honestos, competentes e rigorosos".”
(...)
“Para sair desta crise, os portugueses precisam ser optimistas, ter confiança e trabalhar noutros moldes. É preciso uma mudança. No discurso dos políticos, mas tambem na mentalidade dos portugueses. Para isso conta muito a imagem do novo Presidente da Repúlica: austero, grave, rigoroso. E Cavaco Silva possui estas qualidades, umas vezes severo outras vezes atencioso e humilde, mas sem perder a nobreza inerente à função de professor académico. Claro que as elites urbanas têm dúvidas, não gostam de estranhos, daqueles que não são da sua casta, que subiram na vida a custo de estudo e trabalho. As élites gostam de gente de "boas famílias", com nomes sonantes, ligados à "indústria" ou à alta finança, pois hoje não se pode falar em descendentes da Casa de Bragança, nos Lorenas ou nos Quintanilhas... E Cavaco Silva, é apenas um Silva. Mas fala de cátedra!... Ou não é ele um homem do nosso tempo, um produto do republicanismo?”

(pescado aqui)

Eu cá por mim, não é por nada, mas acho que o estimado companheiro Evaristo nos anda a gozar –nós outros, seus devotados leitores - e que nem um perdido... Se assim é, viva o humor! Caso contrário, não é Fernando Pessoa quem quer (ou seja, como ele quando amou Sidónio, o Presidente Rei).
Publicado por João Tunes às 00:47
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4 comentários:
De Joo a 29 de Outubro de 2005
Quando um comentador se baralha, o que não será do comentado? Mas penso que, no essencial, percebi as ideias expostas. Obrigado.
De Quadrpede Rosa a 29 de Outubro de 2005
Hoje estou em dia não! Retalho comentários,como se a quantidade semelhasse qualidade, engano-me, tergiverso, o diabo a quatro.
Mais uma adenda, por isso: a fotografia a que me refiro (com o soldado) é a de "O Abrangente" e não aquela inserida neste post.Para uns poderia parecer óbvio, para outros talvez não.
Desculpe lá, João. Há dias assim...
De Quadrpede Rosa a 29 de Outubro de 2005
Adenda: onde digo "desdita de o conhecer" - o "o" relaciona-se com a pessoa "Cavaco" e não com o jovem aspirante do Exército Português. Aqui este "o" adopta a forma de pronome pessoal na terceira pessoa do singular, sem ênclise (de conhecê-lo). A frase, inserida nesta caixa de comentários (que não respeita parágrafos) pode ter dúbia interpretação. E eu não quero!...
De Quadrpede Rosa a 29 de Outubro de 2005
Depois do (pescado aqui), quando o Amigo João tece o comentário final ao Evaristo, podia ter usado a metáfora de António Vieira (se plagiar, utilizando as aspas e referida a bibliografia) desta guisa: " Com esta última advertência vos despido, ou me despido de vós, meus peixes. E para que vades consolados do sermão, que não sei quando ouvireis outro, quero-vos aliviar de uma desconsolação mui antiga...".
Oh, João! Vi a fotografia do soldado, com aquele ar marcial que lhe compete! E não é que me pareceu, de óculos, um pouco mais novo, aquele jovem aspirante do Exército Português nas plagas da Guiné?
"Inviso semel Cavaco seu bene seu male facta premunt"- diria ainda António Vieira se tivesse a desdita de o conhecer.

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