
Sei que vou ganhando fama de mata-frades e logo eu a quem o peso da barriga e os achaques de coluna não permitem folias de violências.
Nada mais oportuno para explicar que não senhor, nada disso. E até aproveito para explicar porque sou tolerante relativamente às opções religiosas (todas).
Um dia, era miúdo, passei férias na região de Santa Marta de Penaguião (Douro). Passou por lá uma procissão de uma Nossa Senhora qualquer (são tantas que se me varreu a identidade daquela). Tudo nos conformes - banda, padre, crentes, bombeiros, GNRs, forças vivas, muitas forças crentes, o pálio cobria o Prior com um Cristo mui rico metido no regaço, a banda tocava, o pálio avançava, o padre também, o povo ia ajoelhando e benzendo-se á passagem do Cristo Rico nos braços do Prior. Só que um camponês distraído pelos copos bebidos não se apercebeu do tempo certo para meter os joelhos em terra, veio um GNR mais o Regedor e meteram o crente etilicamente distraído, com uma cachaporrada na cabeça, logo ali de joelhos e ainda levou uma coronhada extra como conta calada para prevenir futuras distracções. Ao ver aquilo (teria os meus catorze anos) tomei, então, três decisões rápidas e imediatas para com o meu íntimo - nunca mais me ajoelhar, não querer aquela religião, ser tolerante com todas as opções religiosas (incluindo a do Prior, do Regedor, da GNR e de quem os pariu como irmãos gémeos do nacional-catolicismo à lusitana).