
O meu camarada A. Marques Lopes deu e levou no toutiço quando, alferes miliciano, foi metido, em 1967, no braseiro da Guiné. Andou por Catacumba, Banjara, Geba e Barro. Foi ferido em combate. Hoje é Coronel DFA (continência, meu Coronel e Camarada!). Mas não perdeu a memória. Difícil perder-se a memória, sabe-se. E nessas brumas das lembranças, ele recordou
aqui uma operação em Samba Culo:
" (...) o que mais me impressionou nesta operação foi o seguinte: Samba Culo tinha uma escola; quando lá chegámos, vi escrito no quadro preto, em perfeito português: "Um vaso de flores". Tinha desenhado, a giz, por baixo, um vaso de flores. E o que nunca mais esquecerei na minha vida: quando atacámos a base, uma jovem dos seus 18 anos ficou com a barriga aberta por uma rajada de G3. E mais (coisas terríveis desta guerra!): o Bigodes, o Armindo F. Paulino (que foi, depois, feito prisioneiro pelo PAIGC e que acabou por morrer em Conakri), quis saltar para cima dela. Tive que lhe bater. Esta é uma situação que nunca me sai do pensamento... e da minha consciência. Tinham muitos livros em português, que era o que estavam a ensinar aos alunos (miúdos ou graúdos?). Trouxemos também (imaginem!) uns paramentos completos de um padre católico! Lembranças que se me pegaram para toda a vida".Imagem: Foto do Alferes Miliciano A. Marques Lopes (Guiné, 1967)