
Versão bilingue das estâncias 8 e 9 do Canto V de Os Lusíadas que o cónego A. da Costa Gomes traduziu para o crioulo de Santo Antão, em Maio de 1898:
Depôs que nô passa quês lá de Canára
Qotrora ês tá dá nome de Furtnáde,
Nô ntrá tá navegá lá pa quês aga
Daquês la de Cabe-Vérd tam sabe,
Quês têrra onde mute maravia nove
Nosse navi de guêrra jandá toiá:
Lá nô ribá cum vintim favoróve
Pa nô tmésse na quês têrra mantmete.
Nôs antrá na pôrte dum da quês [ilha]
Que tmá nóme daquêll guerrente Sam Thiágue,
Sânte q ajdá mute naçom spanhól
Fazê naquês gente môr mute strágue.
Dêi, qande soprá um ventin de Nôrte,
Nô torná tma nosscamim socégáde
Na mêi daquêll már, e assim nô bá dxánde
Quêll terra, onde nô ocha refrésque sabe.
Passadas tendo já as Canárias ilhas,
Que tiveram por nome Fortunadas,
Entrámos, navegando, pelas filhas
Do velho Hespério, Hespéridas chamadas;
Terras por onde novas maravilhas
Andaram vendo já nossas armadas.
Ali tomámos porto com bom vento,
Por tomarmos da terra mantimento.
Àquela ilha apartámos que tomou
O nome do guerreiro Santiago,
Santo que os Espanhóis tanto ajudou
A fazerem nos Mouros bravo estrago.
Daqui, tanto que Bóreas nos ventou,
Tornámos a cortar o imenso lago
Do salgado Oceano, e assim deixámos
A terra onde o refresco doce achámos.
(Copiado daqui)