![europa[1].jpg](http://agualisa3.blogs.sapo.pt/arquivo/europa[1].jpg)
Eva Perón faleceu no dia 26 de julho de 1952. Portanto, hoje é dia de efeméride de um dos mais profundos e persistentes mitos latino-americanos. E como a América Latina é pródiga a construir e prolongar os seus mitos. Quase sempre, são mitos que simbolizam as utopias e as libertações desejadas e que se gostava não tivessem sido fogachos mas sim labaredas eternas na fogueira pela liberdade, igualdade e fraternidade. Simon Bolívar, José Marti, Luis Carlos Prestes, Che Guevara, idolatram-se porque se gostaria que as suas obras não fossem incompletas.
Mal parecia que, em terra de opressão fácil e de tiranias, alguém do campo do fascismo não fizesse companhia a estes ícones da esquerda e dos libertários. Existe e é o maior mito latino-americano (Che Guevara ainda precisa de pedalar mais um pouco para o bater)
Evita Perón. A alma da energia mobilizadora, da retórica e da demagogia de um dos fascismos mais pujantes e que mais a sério levou a prática da teoria fascista na sua deriva populista, ali apelidado de
justicialismo, suportado nas massas fanatizadas dos
descamisados organizados em sindicatos fascizados (tropa de choque de um catolicismo fascista e corrupto), um dos grandes aliados do fascismo e do nazismo na América do Sul (plataforma também dos negócios nazis), com amizades preferenciais com Franco, Salazar e Pio XII. E uma das formas com que Perón e Evita pagaram a lembrança do quanto ganharam com os pactos que fizeram com Hitler foi transformar a Argentina, depois da queda do Reich, no principal país de refúgio para os criminosos de guerra nazi.
Evita Péron morreu nova (33 anos), vítima de doença, o que ajudou ao mito. O marido (ex-amante), Coronel golpista Juan Péron, amigo estimado e protegido de Franco e de Salazar (foi em Portugal que Perón se exilou quando foi expulso da Argentina), sobreviveu-lhe o suficiente para relançar uma nova esposa para a ribalta política e permitir que o peronismo/justicialismo ainda seja uma força política que, de quando em quando, ressurge com força na arena política argentina.
A força do
mito Evita (Lembram-se: Não chores por mim, Agentina?) tem uma força tamanha que até muita gente que se gaba de nada ter a ver com o fascismo (que horror!), ainda hoje se deixa fascinar pela figura dessa piedosa senhora a comandar os descamisados para a fuga da pobreza e pela conquista da dignidade humana...
Na imagem de cima, Eva Perón - nada "descamisada" - a ser recebida, em 1947, com todas as honrarias, por Francisco Franco e esposa.
Na imagem de baixo, depois da cerimónia de boas-vindas, Evita, na companhia fidelíssima do Ditador Franco, acena à multidão convocada em Madrid para mais um acto de idolatria histérica.![evayfranco[1].jpg](http://agualisa3.blogs.sapo.pt/arquivo/evayfranco[1].jpg)
De
marujo a 26 de Julho de 2005 às 21:59
Eva Péron é um mito enorme, sem dúvida. Mas a Argentina é pródiga em mitos do género. O próprio Péron também se transformou num mito. Mas o maior, a avaliar pelas filas constantes de visitantes do mausoléu, é Carlos Gardel (penso que é este o nome...), um músico, tocador de tangos... Gardel e Juan Péron estão no mesmo cemitério... sei que, poucos anos depois de ter morrido, o mausoléu de Juan Péron foi assaltado, o corpo profanado, cortaram-lhe as mãos, desapareceram até hoje. Alguém as deve ter, num frasco com formol... e o corpo de Evita também desapareceu, tendo sido encontrado 2 anos mais tarde em Itália, em casa de um argentino fanático pelos mitos peronistas... nos anos 80, acompanhei a campanha eleitoral de Carlos Ménem, que venceu e foi eleito presidente. Ménem é do Partido Peronista e era evidente, nos comícios, a faceta fascista da ideologia do partido. Esta conversa fez-me saudades...
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