Quarta-feira, 27 de Julho de 2005

Depois de ler algumas reacções, não pode faltar a versão autocrítica deste
post:
O imperialismo mostrou a sua face hedionda no caso do jovem electricista brasileiro assassinado barbaramente com oito tiros (sete deles na cabeça!) pela polícia britânica. Este crime que atingiu um irmão brasileiro, ido da pátria do Companheiro Lula, esse novo Cavaleiro da Esperança, onde se pôs a fome a zero abaixo de zero, se deu terra a quem a não tinha, mensalão aos deputados e onde polícia não assassina (e se assassinar, uma vez ou outra, só assassina branco louro e grão-fino ou tubarão ou traficante de droga ou sequestrador de mãe de jogador de futebol milionário ou dono de cadeia do jogo do bicho, nunca por nunca electricista nem jovem nem pobre e muito menos se fôr preto ou mulato ou mesmo branco que seja muito moreno) nem a corrupção ali tem cultivo porque PT é sigla de pureza trabalhadora. O crime de que foi vítima o jovem filho do proletariado brasileiro levou inclusivé o Ministro dos Assuntos Exteriores do Brasil a voar para Londres para mostrar a sua indignação junto do governo de Sua Majestade porque o Brasil em peso está indignado porque lá é terra livre de crime onde não há nem polícia nem civil que assassine e só pode exigir que seja de imediato dissolvido um tal esquadrão da morte que a Scotland deve estar a dar guarida sob inspiração de Blair e na ressaca da repressão ao chamado "terrorismo" que é acusado de ter perturbado o bom funcionamento e o cumprimento dos horários dos transportes colectivos em Londres e que terá redundado em alguns prejuízos económicos por uns tantos terem chegado atrasados aos seus empregos na City mas que não beliscaram os lucros monstruosos das multinacionais inglesas. O repugnante crime da polícia londrina é uma demonstração preversa da deriva ultra-securitária, obstinadamente marcial e estéril com que Blair, a pretexto de dois actos avulsos e aparentemente tresloucados ocorridos nos transportes colectivos este mês e, sob a falsa desculpa do combate ao chamado "terrorismo", mostrou a sua incapacidade em derrotar esse tal "terrorismo" que ele próprio ajudou, com Bush, Aznar, Berlusconni e Barroso, a criar e incentivar ao ofenderem e agredirem países islâmicos e assim se terem transformado em terroristas nº 1 pois os chamados "terroristas", aqueles que se imolam por uma causa assente em convicções de outra área ideológica, civilizacional e religiosa (que temos de estudar para entender e não condenar aprioristicamente, negociando com eles em vez de os combater), por muito que façam, nunca serão tão culpados como ele Blair - e Bush e Aznar e Berlusconni e Barroso, estes sim, terroristas sem direito a aspas.