Segunda-feira, 25 de Julho de 2005

HÁ LÁGRIMAS QUE...

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Lamentável e condenável a morte do jovem electricista brasileiro pela polícia londrina depois de se confirmar que não se tratava de um bombista nem tinha ligações às actividades terroristas.

Lamentável e condenável que o jovem electricista brasileiro tenha, sabendo-se sob perseguição policial, saltado a entrada do metro, encenando uma fuga às autoridades e acentuado suspeitas de que se tratava de um bombista suicida.

Lamentável e condenável a choradeira desproporcionada sobre este erro policial (somado a um erro da vítima) falando-se em histeria securitária e apelando ao reforço da acusação emocional ao destacar-se que o falecido era ... brasileiro.

Adenda (20/08/2005): Obviamente que só sei o que se sabe pois não disponho de informações secretas privilegiadas e tento domar os preconceitos para que eles não me domem a mim. Na altura da notícia, confiei (porque ia não confiar?) na versão oficial sobre este triste acontecimento. Com os dados novos das informações que estarão contidas nos relatórios da "Comissão de Inquérito" aos incidentes que resultaram na morte deste cidadão brasileiro e divulgadas numa televisão inglesa, indicia-se que o baleamento homicida do imigrante brasileiro terá sido um inadmissível abuso histérico de autoridade levado ao extremo da retirada da vida a um cidadão inocente. O que exige que se tirem as consequências inevitáveis quanto à responsabilização dos homicidas armados em polícias e dos responsáveis que os encobriram e mentiram perante a opinião pública. Devem ser assim as democracias - ninguém acima da lei e a comunicação social a desmontar os descaminhos dos abusos do poder. Para que a democracia valha tanto que se demarque da barbárie defendida pelo terrorismo.
Publicado por João Tunes às 18:05
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9 comentários:
De Gatto a 20 de Agosto de 2005
Agora que a verdade saiu, retrate-se .
Era tudo mentira da policia.
De macsilva a 28 de Julho de 2005
Corroboro quase inteiramente as palavras do "marujo". E, JT, a sua perroração sobre o assunto não tem pés nem cabeça. Não se pode pretender ser diferente, e melhor, e agir contra o terrorismo violando princípios elementares que nos fazem diferentes e melhores. Não se pode ordenar que a polícia atire (ainda para mais, a matar) sobre alguém não só por ser suspeito mas porque não fez perigar de forma evidente a vida dos polícias (porque também há o direito de legítima defesa).

Embora na guerra ninguém se possa afirmar melhor, faz-me lembrar os célebres bombardeamentos de Dresden, de Hamburgo, de Hiroshima e de Nagasaki:pura vingança, nuns casos; demonstração de superioridade, nos outros. Sempre inadmissível!
De Lutz a 27 de Julho de 2005
João, concordo plenamente consigo! "Choradeira desproporcionada" - isso mesmo! Claro que isto não se refere ao desconsolo dos familiares da vítima. Mas o "hyope" mediatico acerca do - para mim compreensível - erro policial tende a colocar este no mesmo plano com os atentados. Pelo menos na atenção mediática. E isso é uma distorção da realidade perigosa e injustificável.

(Ah, para os indignados sobre o post do João: Não escreveu ele em cada parágrafo "lamentável e condenável"?)
De L. a 27 de Julho de 2005
«Lamentável e condenável a choradeira desproporcionada sobre este erro policial (somado a um erro da vítima) falando-se em histeria securitária e apelando ao reforço da acusação emocional ao destacar-se que o falecido era ... brasileiro.»
--------------

Lamentável este seu parágrafro. Não tivesse eu visto Bonnie and Clyde, e vivido momentos de guerra à porta de casa e quase acreditava em si.
Um erro não justifica outro, principalmente se vindo de quem não pode errar.
Há coisas que não podem acontecer.
Aliás, hoje mesmo, um suspeito foi neutralizado de outro modo.
De Marco Oliveira a 27 de Julho de 2005
João,
E o que dizer da visita do ministro brasileiro ao Reino Unido? Imagine-se o que seria se cada vez que uma criança é morta por bala perdida no Rio ou em S. Paulo, houvesse uma visita ministerial...
Isto é a hipocrisia dos políticos que tentam obter dividendos com a morte de cidadãos anónimos.
De marujo a 26 de Julho de 2005
não, meu caro. o que é lamentável é um governo ordenar à polícia que atire a matar sobre SUSPEITOS... ora, depois de morto, o suspeito já não pode provar a sua inocência. isto é que é lamentável. isto é que tem de ser condenado veementemente, por todos. o brasileiro terá cometido erros... ok, dou isso de barato. mas nada justifica que tenha sido morto. nada. nada. nada. mataram um inocente, e os verdadeiros terroristas andam por aí, sabedores que, a partir de agora, têm de andar devagar, vestir roupas leves, sorrir para a polícia, usar pastas de executivo em vez de mochilas, parar quando lhes for pedido, mostrar uma identificação (mesmo falsa) que no meio da rua nenhum polícia tem capacidade de perceber se o BI é verdadeiro ou falsificado. atirar a matar sobre suspeitos é um erro inadmissível de um governo democrático.
De IO a 26 de Julho de 2005
O assassínio deste jovem é uma vitória dos terrosristas, que querem é ver a paranóia instalada...
De Joo a 25 de Julho de 2005
Manuel Correia, li o teu post de resposta indignada mas o Blogger não lhe permite comentários. Assim sendo, ficamos com esta desproporção blogo-democrática. Entretanto, aguardemos os resultados da Comissão de Inquérito.
De Manuel Correia a 25 de Julho de 2005
Em desacordo com o tom (o que passa por baixo das palavras) e com a substância deste teu post. Não sei o grau de confiança que tens na versão que te foi presente (encenação de fuga) mas a Comissão de Inquérito que ainda está a averiguar o crime, já corrigiu que o nº de balas encontradas após a autópsia é de 8 e não de 5. Aguardo versões actualizadas e preparo um post a que vou chamar «O erro da vítima», aludindo este teu texto.
Um abraço

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j.tunes@sapo.pt


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