Sábado, 27 de Agosto de 2005

PAÍS DE QUÊ?

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O que não se resmungará quando formos, de facto e como os outros, um “país de doutores”?
Publicado por João Tunes às 00:42
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9 comentários:
De Joo a 29 de Agosto de 2005
Miguel, se percebi onde queria chegar no seu último comentário, na parte "querer puxar a carroça sem sequer ter bois" vc refere-se à meta do "choque tecnológico" sem ter a matéria-prima adequada. E se interpretei bem, discordo quanto ao relacionamento entre os dois factores. O facto é que, tendo os indicadores falados da nossa baixa qualificação, junta-se um outro factor ainda mais terrível - não temos capacidade de dar emprego à parte pequena que é qualificada (veja o nível de desemprego entre licenciados e o número avultado deles que recorre ao emprego não qualificado para sobreviver). Assim, o impasse é absoluto e paradoxal - baixa tendência de qualificação, fraca oferta para ocupação dos qualificados. O "choque tecnológico" (ou outro modelo de ambição semelhante e eventual maior eficácia) é a única solução porque ataca a parte que pode desatar o nó cego que amarra o nosso impasse - ao provocar uma exigência de trabalhadores qualificados incentiva a qualificação e obriga a medidas de requalificação, extensão e eficácia do ensino. Além de provocar a necessária mudança cultural de maior aceitação social para com a escolaridade, o sucesso escolar e o rendimento académico (em número e em mérito). Não acha?
De Joo a 28 de Agosto de 2005
O 9º ano como ensino obrigatório é ao domingo? Amanhã explicas como é à segunda-feira. É que se não explicas bem explicadinhas essas coisas, tu que as estudas, ficamos para aqui á nora.
De TD a 28 de Agosto de 2005
o actual ensino obrigatório = 9º ano.
De TD a 28 de Agosto de 2005
Confirmo o número, uma que os estuda... caramba, agora até pensava que já era segunda-feira... e adianto que, pela primeira vez, em 2003, a percentagem de pessoas com pelo menos o actual ensino obrigatório, chegou aos 50%. Agora vou voltar ao domingo... abraço, IO.
De Miguel Silva a 28 de Agosto de 2005
Precisamente, João Tunes, precisamente. O caminho da desqualificação, dos salários baixos, do investimento inexistente, já nós sabemos onde vai dar. Agora, não se pode meter a carroça à frente dos bois. Ou, neste caso, querer puxar a carroça sem sequer ter bois.
De Joo Tunes a 28 de Agosto de 2005
Caro Miguel, sem ensino secundário não se entra na Universidade não é? E se as estatísticas dão os resultados que dão quanto à fracção da população que completa o ensino secundário, pior são os indicadores sobre o nosso pobre número de licenciados e de frequência universitária. A questão que quis levantar era, face a estes indicadores (tristes indicadores), o facto de haver um reflexo cultural vulgar na sociedade portuguesa que considera que temos "doutores a mais e gente para trabalhar a menos" (e não a deferência para com "doutores e engenheiros" que, existindo, julgo que está em declínio). Ou seja uma atitude de pauperrismo face à qualificação educacional quando as estatísticas que o Miguel comentou no seu blogue levanta uma realidade precisamente inversa (e usando a linguagem do tal preconceito, afinal temos é "doutores a menos"). E, assim, como vamos competir, fazendo melhor? A universidade não dá - mas também não tira! - caracter às pessoas, dá saber e qualificação e dessa precisamos para sobreviver. Porque, desqualificadamente, não competimos com chineses, indianos e tailandeses (eles são muitos mais e ganham muito menos). Abraço.
De Miguel Silva a 27 de Agosto de 2005
Não sei se a pergunta da Maria do Céu era para mim, mas respondo à mesma. A Universidade não dá formação às pessoas. Pelo menos, não por si só. Mas, para já, se queremos abandonar esta triste sina, temos de ter níveis de população qualificada muito mais altos. Que choque tecnológico se pode implementar quando 80% da população não tem sequer o secundário?
De Maria do Cu a 27 de Agosto de 2005
Já pensou também que não é a Universidade que dá a formação de caracter ás pessoas. Beijinhos.
De Miguel Silva a 27 de Agosto de 2005
Caro João Tunes, ainda nem chegámos aos "doutores" - as estatísticas referem-se ao ensino secundário.
Um país de "doutores" já nós somos. O que precisávamos era de ser um país de licenciados. Um país de gente instruída que respeita e se faz respeitar e que reconhece a subserviência saloia no tratamento deferencial dos "doutores" e "engenheiros".
Um abraço

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