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Nem tudo são más notícias no meio do muito negro que povoa as notícias e o não menos cinzento que encharca a modorra das sociedades a engravidar de tensões e a ameaçar parto obrigatório um dia destes.
O anúncio do abandono das armas pelo IRA e a sua transferência de acção para a actividade política, é melhor que uma boa notícia é uma promessa de esperança. E é sobretudo - na esperança (na falta dela) - que se acumula o nosso maior défice (este sim, a ameaçar de bancarrota a saúde social).
Com a história irlandesa fracturada num longo percurso de esbulhos, fanatismos, violências organizadas e estruturadas, com muitos profissionais delas vivendo (em muitos casos com hábitos de sobrevivência e vivência marginais), ideologizadas com nacionalismo, interesses e religiões à mistura, com cada fracção ciosa dos seus feitos, dos seus mártires, dos seus tabus, com as suas ligações a comunidades da diáspora ou ao império, a reconversão dos fundamentalismos irlandeses não vai ser fácil nem acredito que a obra seja feita em desfile por avenida coberta de flores. Mas estas dificuldades, e que dificuldades, só atestam a coragem (digamos, cívica) dos que arriscam a reconversão política do IRA e a pacificação na vivência entre as comunidades irlandesas. Restando saber se o fanatismo simétrico lhe corresponde com igual sabedoria. O futuro dirá se a obra estará à altura do projecto. E só podemos desejar que sim.
Veremos como correm as coisas com a transição política do IRA e como evolui a situação entre os bascos. Ou seja, como se adaptam aos novos tempos o velho terorismo de cariz ou pretexto nacionalista. Talvez a eclosão e intensificação da nova vaga terrorista, mais cega e sem outro suporte que não seja o de atacar os fundamentos da civilização laica e democrática (sendo alvos todos os que nela vivem), tenha evidenciado, tornando-o insustentável por demais absurdo, um terrorismo cansado e evidenciando a sua componente serôdia. É dificil, e se calhar obsceno, escolher entre terrorismos, sempre ignóbeis, quaisquer que sejam as causas pretensamente defendidas. Mas, sem dúvida, e analisando pragmaticamente, tendo pela frente essa ameaça terrível e difícil de combater que é o terrorismo hiper-fanatizado de justificação fudamentalista islâmica, sem escrúpulos nem limites, não deixa de ser uma boa notícia esta que nos chega da Irlanda. Hoje, é caso para dizer, eu que estive sempre pela luta irlandesa contra a opressão e contra os métodos do IRA,
sou irlandês. Lá para a tarde, vai saltar uma
Guiness fresquinha, não duvidem...