Sexta-feira, 29 de Julho de 2005

À SAÚDE DA IRLANDA

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Nem tudo são más notícias no meio do muito negro que povoa as notícias e o não menos cinzento que encharca a modorra das sociedades a engravidar de tensões e a ameaçar parto obrigatório um dia destes.

O anúncio do “abandono das armas” pelo IRA e a sua transferência de acção para a actividade política, é melhor que uma boa notícia – é uma promessa de esperança. E é sobretudo - na esperança (na falta dela) - que se acumula o nosso maior défice (este sim, a ameaçar de bancarrota a saúde social).

Com a história irlandesa fracturada num longo percurso de esbulhos, fanatismos, violências organizadas e estruturadas, com muitos “profissionais” delas vivendo (em muitos casos com hábitos de sobrevivência e vivência marginais), ideologizadas com nacionalismo, interesses e religiões à mistura, com cada fracção ciosa dos seus “feitos”, dos seus mártires, dos seus tabus, com as suas ligações a comunidades da diáspora ou ao império, a reconversão dos fundamentalismos irlandeses não vai ser fácil nem acredito que a obra seja feita em desfile por avenida coberta de flores. Mas estas dificuldades, e que dificuldades, só atestam a coragem (digamos, cívica) dos que arriscam a reconversão política do IRA e a pacificação na vivência entre as comunidades irlandesas. Restando saber se o fanatismo simétrico lhe corresponde com igual sabedoria. O futuro dirá se a obra estará à altura do projecto. E só podemos desejar que sim.

Veremos como correm as coisas com a “transição política” do IRA e como evolui a situação entre os bascos. Ou seja, como se adaptam aos novos tempos o “velho terorismo” de cariz ou pretexto nacionalista. Talvez a eclosão e intensificação da “nova vaga terrorista”, mais cega e sem outro suporte que não seja o de atacar os fundamentos da civilização laica e democrática (sendo alvos todos os que nela vivem), tenha evidenciado, tornando-o insustentável por demais absurdo, um terrorismo cansado e evidenciando a sua componente serôdia. É dificil, e se calhar obsceno, escolher entre terrorismos, sempre ignóbeis, quaisquer que sejam as causas pretensamente defendidas. Mas, sem dúvida, e analisando pragmaticamente, tendo pela frente essa ameaça terrível e difícil de combater que é o terrorismo hiper-fanatizado de justificação fudamentalista islâmica, sem escrúpulos nem limites, não deixa de ser uma boa notícia esta que nos chega da Irlanda. Hoje, é caso para dizer, eu que estive sempre pela luta irlandesa contra a opressão e contra os métodos do IRA, sou irlandês. Lá para a tarde, vai saltar uma Guiness fresquinha, não duvidem...
Publicado por João Tunes às 12:31
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2 comentários:
De Joo a 29 de Julho de 2005
Chiça, dar um empate (1-1, golo do Bom + golo do Dúvida na própria baliza) neste momento histórico para a Irlanda só pode ser xenofobia anti-irlandesa. Em que não alinho, irremediavelmente. Sobram as "pretinhas" e aí nos entendemos (a Dama bebe a mais pequena se não se importa, não por causa da altura mas por mor da linha...). Abraço.
De chuinga a 29 de Julho de 2005
BOM para as ilhas, deixa de haver mortes de inocentes e a chantagem nos bairros católicos.

Mas duvido MUITO que isso vá, por outro lado, alguma vez libertar a Irlanda da ocupação colonial - mas esta é outra questão...

Abraço, gostei de ver a 'pretinha', IO.

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