
Já me pareceu uma alternativa útil na falência de alternativas. Ou de quem desse o passo em frente. Um género de frémito de impedir o pesadelo Cavaco.
Mas, entretanto, no Metro de Londres e a 7 de Julho, a Al Khaeda matou politicamente Mário Soares. O que então disse e depois repetiu, demonstram que Mário Soares se infantilizou para esconder a respeitabilidade que lhe devemos pelos seus oitenta anos de idade. Mário Soares já não tem a idade para ser
esquerdista, um
esquerdista irresponsável do
género bloquista, porque lhe falta - lei da vida - a margem do tempo para ganhar experiência, maturidade e bom senso que, mais tarde, equilibre os desequilíbrios das verduras.
O terrorismo de matriz fanática islâmica declarou-nos guerra a todos. Matará qualquer um de nós ou os nossos filhos para, pelo terror, nos amedrontar, cedendo-lhes, na abdicação da tolerância e dos hábitos democráticos que demorámos - a humanidade - séculos e séculos a alcançar. Estender-lhes a mão é aceitar que eles coloquem a bomba nos nossos dedos.
O que Mário Soares disse, e repetiu, sobre o terrorismo, é plenamente aceitável como opinião individual ou mesmo na qualidade de
opinion maker. É espantoso e irresponsável mas é legítimo como
opinião. Mas Soares colocou-se além das margens do sistema de defesa das democracias e, por isso, irrecuperável para desempenhar um papel institucional e, muito menos, voltar ao cargo de Supremo Magistrado da Nação.
O drama do terrorismo, pela sua eficácia e poder corruptor, obrigou a colocar-nos acima (se preferirem, ao lado) da divisão esquerda/direita. Porque, com a morte da civilização, também as ideologias e separações de visão social, iriam na enxurrada. Cedendo à Al Khaeda de que adiantaria ser-se de esquerda? Nada, penso eu. Neste sentido, vejo Soares como um candidato inútil para a esquerda. Por assim pensar, nunca terá o meu voto (agora, nem com a mão a tapar-lhe o retrato). Um voto apenas, mas um voto. Que será contra Mário Soares e o abdicacionismo que ele representaria, se se candidatasse.