Quarta-feira, 31 de Agosto de 2005

AINDA A QUALIFICAÇÃO E A MUDANÇA

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Estava pegada uma interessante conversa com o Miguel Silva a que outros deram também interessantes achegas (ver “comentários” aqui e no blogue do meu ilustre interlocutor), quando a netcabo resolveu andar aos tremeliques e depois veio por aí abaixo o Krutchov desviar o assunto. E perdi-me da conversa talvez no seu ponto de maior interesse e ás voltas com a questão da escolarização, qualificação e choque tecnológico.

Se não me perdi no fio da meada, o Miguel, depois de descrer que o anunciado choque tecnológico seja qualquer coisa de factível dada a baixa escolaridade e qualificação da nossa população (trabalhadores) e dos empresários, concentra as suas esperanças, afinal, na “capacidade da mão-de-obra qualificada gerar um tecido empresarial diferente e, assim, operar a transformação a partir de dentro”. E desta fórmula é que não percebi patavina quanto à sua eficácia (versus "choque tecnológico") e peço disponibilidade para explicações. Obviamente que não contesto a oportunidade na esperança expressa e no bom desejo associado. Mas o programa não é um salto para o vazio? Para qualificar a mão-de-obra é preciso investir no ensino (e não só) e dar tempo ao almejado retorno e, depois, esperar que os empresários (mal escolarizados, mal preparados) encharquem as suas empresas com quadros qualificados (pagando-lhes como e segundo que estatuto?) para que estes lhes mudem as empresas (com a dinâmica actual)?

Se bem interpretei o raciocínio do Miguel, traduzido em acção de governo, a prioridade deve ir para o ensino, alargando a escolaridade e combatendo o insucesso e abandono escolar. Mas isto não é música que consta dos programas de uma data de governos a esta parte (incluindo o actual)? E em que é que isto colide com a estratégia do choque tecnológico (em que uma das componentes é exactamente a melhoria em meios de apoio tecno-pedagógico no ensino)?

E como “mudar o tecido empresarial” sem incentivar (descriminando positivamente as empresas com resultados de inovação) a mudança nos procedimentos, na escolha dos produtos, na diferenciação, na qualidade, no valor incorporado e na criação de empregos para os jovens licenciados? É que se é assim, falamos de coisas diferentes ou o “choque tecnológico” é isso mesmo?

Adenda: O Miguel, no seu blogue, já comentou este post-desafio. Nos argumentos, só encontro convergências. Quanto aos "finalmente", aí parece não haver volta a dar - como dantes, quartel em Abrantes. Resta-me agradecer-lhe este estimulante esgrimir com a convicção que, não tarda nada, voltamos a conversar (e temas não faltarão). Abraço, estimado companheiro.
Publicado por João Tunes às 18:07
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