Terça-feira, 18 de Julho de 2006

HÁ 70 ANOS, MESMO AO NOSSO LADO

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Há 70 anos, as nuvens do ódio do fio das espadas e da cultura da metralha, em que se quis impor como cheiro oficial o do mofo das sacristias e das casernas acumulado pela falta de luz da liberdade, gritando-se morte à cultura e à democracia, em nome dos ricos e poderosos, do Fascismo e do Cristo Rei, o povo espanhol e o seu governo legitimamente eleito, a República Espanhola, assistiu espantada ao levantamento sedicioso de uma dúzia de generais levando Espanha, pelo ferro, pelo fogo e pelo crucifixo, para a escuridão só iluminada em 1975.

 

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Franco e os seus generais fascistas, aliados à Igreja Católica, aos mais ricos, aos mais estúpidos e mais beatos de Espanha, a Hitler, a Mussolini e a Salazar, em 18 de Julho de 1936, iniciaram o largar da metralha sobre a liberdade e a democracia. E venceram. Após três anos de guerra cruenta que ensanguentou Espanha, venceram. Nunca perdoando, até à agonia da “obra falanguista”, aos vencidos. Nem sequer aos caídos, os caídos em luta pela Espanha Livre. Que, passados 31 anos de regresso à democracia, continuam, às dezenas de milhar, insepultos e com os ossos espalhados nas valas comuns ladeando caminhos e estradas de Espanha, a Espanha que foi - tanto tempo, demasiado tempo - a do ódio e da crueldade católico-nacionalista de Franco.

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A ditadura de Franco trouxe ao salazarismo um novo élan de fanatismo radical, num processo de imitação, e acentuou, dessa forma, as nuvens do obscurantismo e intolerância sobre Portugal. Nessa onda de propagação da peste fascista, imitando Franco mais os mestres de ambos, Salazar procedeu ao clímax da fascistização do “Estado Novo” – criação da Legião e da Mocidade Portuguesa, a abertura do Campo do Tarrafal, o apertar dos garrotes da Censura e da PIDE. Enquanto em Espanha se caía de arma na mão na luta pela liberdade, os portugueses pagaram, também, um preço alto pela vizinhança e exemplo da saga diabólica de Francisco Franco de meter uma cruz cristianíssima na alma dos povos, apagando-lhes as aspirações à democracia, à liberdade e aos ideais republicanos. Essa "dívida" só foi saldada em Abril de 1974, quando a libertação portuguesa pregou um cagaço tamanho aos falanguistas herdeiros de Franco, que se apressaram à "transição" antes que a revolução lhes entrasse, como aqui, pelas portas dentro.

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A não esquecer. Perdoar, muito menos. Porque os crimes contra a humanidade e a liberdade nunca prescrevem. Ao menos, que aprendam, para sua higiene teológica e nossa higiene democrática, os tantos católicos com repulsa sincera pelo odioso fundamentalismo islâmico na sua faceta mais bestial e a quem Franco e o franquismo, como Salazar e o salazarismo-marcelismo, tanto ensinaram em ódio e em intolerância, no uso da bomba ao serviço da Fé.

Publicado por João Tunes às 16:37
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De Manuel Maria a 19 de Julho de 2006
Franco serviu-se da Igreja, tal como Salazar, para apaziguar os dois povos profundamente católicos. Quem tivesse na mão os manipuladores das consciências... era dono das consciências.... Foi isso que se passou quer cá, quer em Espanha.
Bom jogo, quer o de Salazar, quer o de Franco!
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