Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2005

EXPLICO PORQUE NÃO ADERI

Imagens antigas 052.jpg

Na sua maioria, são blogues que visito, feitos por pessoas por quem nutro estima (nalguns casos, uma estima que entra pelo afecto dentro).

Estes blogues, em louvável sentido de confraternização organizada, andam a subscrever um pomposo APELO À HUMANIDADE que, entre lamentações romântico-ecologistas, terminam nestas propostas:


“• Levar até ao limite do seu relativo potencial o uso da energia solar e da energia eólica.
• Levar até ao limite a preferência da energia hidráulica sobre a energia térmica.
• Regressar à preferência dos adubos orgânicos sobre os adubos químicos.
• Corrigir o excessivo uso dos pesticidas.
• Travar enquanto é tempo a fúria do descartável, da embalagem de plástico, dos artigos de intencional duração.
• Regressar ao domínio do transporte ferroviário sobre o rodoviário.
• Repensar a dimensão irracional do transporte urbano em geral e do automóvel em particular.
• Repensar, aliás, a loucura em que se está tornando o próprio fenómeno do urbanismo.
• Reformular a concepção das cidades e das orlas costeiras.”

Numa primeira leitura, soou-me a moção aprovada em reunião de Escuteiros. Mas não é, não pode ser, porque os Escuteiros não aprovam moções. Que eu saiba, nos Escuteiros, o que se usa é os meninos vestidos de palermas obedecerem aos palermas vestidos de meninos. O mais provável é que a génese do texto tenha sido germinada, queira deus que não por manipulação genética, numa associação telúrica de regressivos, ou arrependidos, da luta social e política. Tamanha é a aposta místico-providencial no regresso ao regaço da natureza-mãe e o esquecimento dos humanos como sujeitos a merecerem medidas correctivas das desigualdades sociais, económicas e em direitos de cidadania.

Não critico o movimento. Têm o mesmo direito que qualquer outro. Mas não posso deixar de lhe fazer referência porque fui assediado para aderir. Assim, tenho o direito, que aqui uso, de deixar claro que não alinho naquilo que me parece, para além das boas intenções (que, como boas intenções, não se discutem), um texto romântico mas não menos que reaccionário. Porque são uma variante dos velhos apelos do retorno à ruralidade, aos malmequeres e girassóis, aos moinhos de ribeiro que corre para o rio que depois desagua no mar, com os humanos menos afortunados a gostarem de viver pobres mas honrados em casas com janelas de tabuinhas.









Publicado por João Tunes às 00:17
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4 comentários:
De Joo a 26 de Janeiro de 2005
Não há mal, Quim, não há mal nenhum. Cada um como cada qual, eu afirmei a minha posição. No caso, diferente. Felicidades para o vosso Mvimento.
De quim a 26 de Janeiro de 2005
...João: que mal é que tem ser "romântico"?... Não teremos, porventura, (talvez) o direito à utopia?... ainda adoro os campos e as flores!... um abraço
De Joo a 17 de Janeiro de 2005
Cada um adere ao que adere. Só disse porque não... NO MEU CASO. Abraço.
De Werewolf a 17 de Janeiro de 2005
Bem João, eu aderi ao dito movimento e apesar de reconhecer e compreender algumas das suas críticas, mesmo assim não deixei de aderi, talvez porque ainda goste de ouvir os passarinhos e perseguir, por pequena que seja uma qualquer utopia.

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