Terça-feira, 6 de Novembro de 2007

A ROMAGEM DOS FILHOS DE “CHE” A TERRAS DA JIHAD

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Este post do Nuno Guerreiro (a quem aproveito para felicitar pelo 4º aniversário do seu excelente blogue) é uma exemplificação extremada do estado a que chegou o “socialismo dos tolos” (Augusto Bebel dixit) dos nossos dias. E que demonstra a persistência da paranóia própria dos eternos adeptos da resolução única dos problemas sociais e políticos pela via da insurreição com a companhia indispensada do terror (que, sabe-se pela história, começa como complemento e termina sempre como objecto quase principal). Porque um extremista desarmado do ímpeto paranóico será sempre olhado pelos mais consequentes entre os seus como um débil e não tardará a entrar no lote dos que se movem em contra mão. Com as célebres condições objectivas e subjectivas reunidas, as que levam ao poder consistente, logo absoluto (e, superada a fase da hegemonia, ele tende sempre para o absoluto, forma única de construção do projecto comunista), o terror, a aniquilação dos opositores e dos hesitantes ou pouco zelosos, torna-se em forma normal de exercício de poder de supremacia e de neutralização. A imensa fortaleza policial, onde a espiral do aparelho repressivo nunca parou de crescer até se tornar em essência da política de Estado, em que o comunismo mundial se transformou nos imensos espaços (geográficos, sociais, políticos) que ocupou, é a melhor prova de como o terror, pela sua natureza intrinsecamente paranóica, possui uma capacidade de degeneração constante. Reprimindo por método e sistema, o poder comunista, incorporando o terror como seiva de luta e dinâmica, após se esgotar a coleccionar esqueletos de corpos e pensamentos, envereda por aprisionar o ar que se respira e é então que, como aconteceu nos domínios soviéticos, arrisca a morte por falta de ar.

 

Entre os escombros da implosão soviética, para além das sobras (os manicómios políticos de Cuba e Coreia do Norte, mais os conversos ao “capitalismo comunista” da China e Vietname), restaram imensos órfãos do irredentismo revolucionário espalhados mundo fora (os que contestam a democracia na impunidade fornecida pela falta de uso do terror pelos regimes democráticos). A que se juntou, como nova vaga, o caudilhismo populista que sempre encontrou terreno fértil na América Latina. E que agora com Chavez (melhor, com os petrodólares de Chavez), para mais com o preço do barril do petróleo em permanente subida, encontra mesa farta para alimentar a base material do contra-ataque anti-imperialista, o da desforra da queda do império soviético e contra o domínio monopolar dos Estados Unidos, o eterno império do mal. Mas tudo isto junto e cimentado (mal, porque o sincretismo entre paranóias conflituais é difícil ou impossível) é pouco e curto. Tanto que “outros”, de outra escola de fanatismo paranóico, os fundamentalistas islâmicos, se têm mostrado mais “eficazes” a ameaçar e a atacar o “campo imperialista”. A marcha da crescente aliança entre os órfãos do marxismo-leninismo, os democratas que odeiam a democracia e os fanáticos islâmicos só pode impressionar quem persistir em encontrar uma linha lógica no encontro de paranóias várias mas confluentes (na do “inimigo comum”).

 

O episódio caricato, quase de um ridículo absurdo, apresentado pelo Nuno Guerreiro no seu post, é a face paranóica de um encontro de ódios em que, pelo primado do ódio, os projectos ficam metidos nas gavetas de cada um. Se a saga dos filhos do “Che” em terras do Irão impelem ao riso, é bom que por aí não se fique. É que o cimento que une aquela gente é a disponibilidade e apetência pelo terror. E o sincretismo tentado para rituais afiados tem como parceiros gente bem perigosa.  

Publicado por João Tunes às 12:33
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