Terça-feira, 9 de Maio de 2006

DA DIREITA AMIGA DA “NOVA ESQUERDA”

Pode parecer um silogismo e talvez disso não passe. Inocente é que não é de certeza. Mas não deixa de ter tanto de inquietante como de oportuna a “provocação” lançada pelo Manuel Correia: “Se é ele [Sócrates] a fazer esta política contra a direita, o que restará, então, aos partidos da direita? Fazer as políticas de esquerda?”

Não tendo nesga de esperança, mesmo que remota, de ver Pires de Lima, com t-shirt sexy do Che, na próxima Festa do Avante, nem Marques Mendes de braço dado com Carvalho da Silva na próxima manif da “Inter” (e julgo que marquei bem o penalty na baliza da esquerda isenta de trair a esquerda, segundo o Manuel Correia), a resposta à questão até nem é difícil. Por isso, arrisco na resposta: exactamente, Manuel, é a direita (não os partidos da direita) que, em jogo de sombra “combinado” com Sócrates, fará o papel simbólico e substitutivo do referencial de “esquerda”, o assimilável pelo senso comum, o dos votos. Essa direita tem nome, cargo e mora em Belém. Chama-se Aníbal Cavaco Silva. Que deu, apenas, um "cheirinho" do papel "combinado" com Sócrates, no discurso sobre a "inclusão social".

Ao que chegámos? Isso é, nitidamente, uma outra questão. Com interesse, mas outra. Não porque não continue tudo, como antes, ligado. Apenas se se aceitar a minha proposta de método para ver se, em conjunto, chegaremos a perceber peva na alhada confusionista em que a esquerda se embrulhou. Toda a esquerda. Todinha. De que Sócrates não é sequer tese por não passar além da síntese.

Publicado por João Tunes às 23:17
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1 comentário:
De Manuel Correia a 10 de Maio de 2006
Viva João Tunes.
Acho que tens razão quando chamas a atenção para a combinatória institucional Governo/PR. Haveria todas as razões para esperar um bom relacionamento, depois de Cavaco (militante do PSD) ter apoiado a maioria absoluta de Sócrates (Secretário Geral do PS) e deste último, já como governante, não ter desapoiado Cavaco (candidato à PR).
Reconheço que, para prosseguir a conversa útil, teria de situar-me noutro plano. Para já, o meu apontamento visa um aspecto parcelar da situação política: a razão porque os principais partidos da direita, se vêem na incómoda circunstância de não conseguirem garantir (a ninguém, pelo visto) que conseguiriam fazer melhor do que este governo do PS.
É verdade que o Bloco Central na Vertical, como alguém lhe chamou e tu recordas no teu poste, é um dado importante, mas suponho que o fundo e a forma das políticas do governo do PS têm precedência no bom entendimento entre Belém e São Bento. Até a comezinha escolha do chefe de gabinete de Sócrates se encaixa nesta «nossa» teoria «conspirativa».
Quanto à tua piada acerca da improbabilidade de vermos gentes das direitas e das esquerdas de braço dado, reservo-me. Na minha provecta idade já de tudo vi, e não me parece, que em certas circunstâncias, isso fosse assim tão espantoso. As gentes das direitas, quando muito instadas, ficam com a sensibilidade social aguçada. Do conservadorismo de inspiração católica aos neoliberais de extracção personalista, tenho assistido às mais espantosas evoluções.
Um abraço

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