Hoje é aniversário do início de uma guerra, a guerra de libertação dos povos sob domínio colonial português. Uma guerra que durou treze anos, com um elevado preço pago em vidas perdidas, estropiadas ou perturbadas pelos jovens portugueses da década de 60 e primeira metade de 70. E que culminou em fins inglórios e paradoxais: um exército que percebendo que estava a perder a guerra a virar-se contra os mandantes políticos e passar do papel de exército d...e ocupações coloniais a exército de libertação contra o fascismo e a guerra; a massa dos colonos, aqueles para quem a guerra era a defesa dos seus interesses, a meter os bens que podia em caixotes de madeira e a regressar à metrópole com tristeza, rancor e inglória, alimentando o ressentimento nacional com uma grande fornada de ódio.
Vivi a guerra colonial em duas modalidades; fazendo-a (na Guiné, 69 a 71) e lutando politicamente contra ela, mesmo quando estive nas frentes de combate. É das fases da minha vida de que menos gosto tenho em recordar. Mas que é impossível esquecer. Até porque as memórias da guerra, os seus ecos em forma de pesadelos, sobem-me à tona com uma frequência cada vez mais frequente e aguda. Provavelmente, a catarse da experiência da guerra constará de um dos meus projectos que levarei para o crematório.
Foto: Estou à esquerda, em acção de reconhecimento no rio Cumbijã no sul da Guiné-Bissau (entre Catió e Cacine), 1970, em plena "região libertada" pelo PAIGC.
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