Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

O EFEITO SOCIAL DA VIAGEM PARA O CENTRO

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Portugal foi o país onde a taxa de desemprego mais cresceu, em termos relativos, nos últimos 12 meses, segundo dados do Eurostat. O indicador cresceu de 7,5%, em Agosto do ano passado, para 8,3% em igual mês do ano em curso. O desemprego ficou estabilizado (6,9%) na zona euro, decrescendo uma décima no conjunto da União Europeia (UE-27), face a Julho deste ano, para 6,7%.

 

E não há simplex social aplicável à viagem do PS, com Sócrates ao leme, da esquerda para o centro?

Publicado por João Tunes às 12:33
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4 comentários:
De Odete Pinto a 2 de Outubro de 2007
Certo ou errado, considero que a atitude dos empresários quanto a emprego também faz parte do patriotismo (e dos apegos moralistas à família, etc.)que tanto lhes enche a boca, porque se presume que a sociedade civil e não só o estado, deve (tem que) adoptar uma atitude de entre-ajuda.

Ora, parece suceder o inverso. Um candidato que reúne todos os requisitos descritos numa oferta de emprego, responde e envia o seu curriculum. Nunca (ou muito raramente) recebe resposta.

Há também perguntas para as quais não encontro respostas adequadas ou claras:
- Porque é que em Portugal há cada vez mais recibos verdes, até para técnicos informáticos altamente especializados, e em Espanha não existem recibos verdes ou similares e existem, sim, contratos de trabalho a termo certo ou definitivo ?

Pelo que tenho no seu blog, teve significativo empenhamento sindical. Será que me(nos) pode esclarecer?
. a decisão de eliminar os recibos verdes e passar a haver contratos como em Espanha esbarra nos sindicatos? nos empresários (confederações)? na lei? em todos estes agentes?

Muito obrigada
De João Tunes a 2 de Outubro de 2007
Cara Odete,

Claro que não adianta clarificar o que clarificado está. Mas, mesmo assim, falemos claro. A minha amiga procura encontrar os "males" fora do governo, do PS e de Sócrates. No caso, chutando-os para os empresários (e os que temos não são, como se sabe, e na maior parte dos casos, flores que se cheirem). Mas, no problema do emprego (ou do desemprego), o mal não é (nem de longe) culpa exclusiva dos empregadores (esses, continuarão sempre a reger-se pelo princípio do máximo preço e do menor custo, inclusivé quanto à remuneração do factor trabalho). O grosso do problema reside na estratégia macro conseguida para colmatar o défice de trocas com o exterior apenas com base no incremento do valor das exportações, as quais, só por si, não garantem maior actividade económica interna, logo mais emprego (pode-se exportar mais e com mais valor enquanto se atrofia o desenvolvimento interno, que é o que está a acontecer). Para mais, com a contracção salarial e a baixa do poder de compra, baixa a procura interna, logo a produção de produtos para consumo interno, logo parte do emprego. A que acresce a substancial redução do investimento público (a principal, por mais expedita, alavanca governamental para dinamizar a actividade económica interna e que tem um assinalável impacto no emprego) e que está tamponado pelo objectivo supremo de reduzir o défice das contas públicas (infelizmente, esta alavanca é mais utilizada que a da redução dos gastos no funcionamento da Administração Pública). Os resultados estão à vista: boa performance nas contas públicas (o que é bom e necessário) mas com custos sociais elevados (erradamente elevados e não necessários com outra política económica e financeira), com reflexos maiores no nível de vida e, sobretudo, na queda do emprego. E não estou a dizer nada de "esquerdista" (vá ao "Causa Nossa" e leia o que o vosso fiel Vital Moreira já começou a dizer). Mas é assim, ou seja, não só um problema de Sócrates mas de todo o PS que anda a ver alegremente o partido navegar da esquerda para o centro, para alegria dos seus "eleitos" e desgosto dos seus "eleitores".

Quanto aos "recibos verdes". Por lei, aqui uma simples batata, eles só são permitidos para trabalhos ocasionais desempenhados por profissionais liberais (quadro este que já deve ser mínimo no universo do praticado). Mas a expansão e vulgarização dos "recibos verdes" deve-se ao fenómeno mais vasto da precariedade crescente do emprego a que se alia uma maior mobilidade laboral (a que se associa a prática, no limite, dos contratos temporários, do outsoursing e do trabalho ocasional). A ganância empresarial é culpada disto e seu agente motor (e vão continuar nesta senda cada vez mais enquanto a procura de emprego fôr superior à siua oferta). Mas somam-se outros factores favoráveis a esta praga. Por um lado, a inoperância da Inspecção do Trabalho (mesmo havendo vontade política, os meios são acanhados face à monstruosidade do problema a debelar). Por outro, a psicologia do jovem típico de hoje à procura do emprego (prezando mais a mobilidade e a intermitência que a segurança e a durabilidade) e os vícios das velhas práticas sindicais que incapacitam os Sindicatos, acantonados nas velhas e cada vez menores fortalezas do emprego sustentado, para responder (sindicalizando, esclarecendo, motivando, lutando) as massas crescentes de trabalhadores precários. E quando os Sindicatos, por instrumentalização política, continuam a privilegiar (até a banalizar) o conflito e a greve como componente mais importante da vida sindical, automaticamente estão a deitar borda fora as hipóteses de penetração sindical no crescente mundo laboral da precariedade. Neste bloqueio pluri-sustentado, é óbvio que concordo que só um medida legislativa-impositiva (à espanhola) pode introduzir algum decoro neste panorama desconsolador. Haja então vontade política por via de mais esquerda no PS e no governo (que mais não seja, por mor das alfinetadas populistas do Menezes). Conto consigo.

Abraço e mande sempre.
De Odete Pinto a 2 de Outubro de 2007
Caro João Tunes,
Muito obrigada pela sua esclarecedora resposta. Claro que o blog Causa Nossa é para mim também, como o seu, de visita diária. Vou lá pesquisar porque não me lembro de lá ver este assunto tratado de forma clara.

De qualquer modo, este problema arrasta-se por todos os governos, como sabe.

Todos os dias recebo e-mail do net-emprego com as ofertas de emprego e reencaminho a pessoas desempregadas ou imprimo para dar a quem não tem internet.
É abismal a diferença entre as nossas ofertas de emprego e as do info-job (Espanha). Pode comprovar.

Porquê esta nossa indiferença, este encolher de ombros, diria quase repulsa pelo outro ser (português) ?

Para que precisamos nós de conversa redonda e do atirar das "chatices" para trás das costas ?

Porque é que na sociedade civil (existe até uma associação de empresários católicos cheia de boas intenções) não pega a moda da entreajuda ?

Porque é que o pragmatismo não entra aqui e derrete os recibos verdes - que, como sabe, existem até na função pública, até no Instituto do Emprego !!!

Um abraço
De João Tunes a 3 de Outubro de 2007
O post do VM tem a data de ontem e remete para um artigo que ele escreveu para o "Público". Quanto às últimas questões que levanta, davam, e se calhar ultrapassavam, um programa de governo. Então esperemos que nos convidem aos dois quando da próxima remodelação do governo (que já tarda, havendo ministros já super degastados). Mas, com paciência, a nossa hora há-de chegar. Abraço amigo.

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