Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007

GUILEJE, O CALCANHAR COLONIAL

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No contexto das guerras coloniais (1961-1974), a tomada pelo PAIGC, em 1973, do quartel português de Guileje (os guineenses designam-na como Guiledje, povoação do Sul da Guiné-Bissau, junto à fronteira com a Guiné-Conacry) constituiu o principal feito militar dos guerrilheiros dos movimentos de libertação africanos contra o Exército Colonial de Portugal. E, simbolicamente, representou o momento histórico em que, do ponto de vista militar e político, Portugal perdeu o império colonial que, pela metralha e pelo sangue, quis conservar ao arrepio da história. Até porque há uma linha de continuidade e crescendo que vai da tomada de Guileje (juntamente com o fim da liberdade de uso do espaço aéreo no território guineense e a declaração da independência da Guiné-Bissau em Madina do Boé) até ao golpe militar de 1974 em Portugal. Pois terá sido com o desastre de Guileje que os militares portugueses percepcionaram definitivamente que as guerras coloniais estavam perdidas e só a deposição dos governantes, incapazes (ou impossibilitados) de encontrar uma saída política que permitisse a descolonização, podia salvá-los da humilhação da derrota sangrenta nos terrenos de combate. E a chave do drama da descolonização portuguesa, mais que nas peripécias posteriores do nosso abandono africano de 1974 e 1975 e em que retornámos à Europa, está na construção do quartel em Guileje e depois no seu abandono por derrota militar. Quisemos ganhar pelo ferro e pelo fogo e, com eles, perdemos. Sobretudo ali, em Guileje, o nosso maior calcanhar colonial.

 

Numa iniciativa original e deveras interessante, promovida por uma ONG guineense, envolvendo académicos e protagonistas militares, guineenses e portugueses, vai realizar-se em Bissau, entre 1 e 7 de Março do próximo ano, um Simpósio Internacional dedicado a Guileje. O programa está aqui.

 

Imagens: Logo do Simpósio e foto de 1971 (o autor quando oficial militar miliciano em Guileje, então ainda quartel militar português, numa experiência aqui referida)

 

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Publicado por João Tunes às 12:12
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3 comentários:
De paulo santiago a 10 de Setembro de 2007
Quero ver se estou lá a 1 de Março.Tu não vais?
Agora não é necessário ir de DO 27.
Dizem-me que a mata do Cantanhez é uma beleza.
Abraço
De João Tunes a 11 de Setembro de 2007
É uma maravilha para a vista a mata de Cantanhez, sobretudo se livre de antiaéreas e de mísseis terra-ar (e esse Cantanhez gostava eu de conhecer). Ainda nada decidi se vou ou não ao Simpósio mas não é tarde para isso. Tenho de gerir melhor as minhas contradições interiores que ora me empurram para ir ora para não por lá os pés de novo. E, aqui só para nós, a forte presença oficialista cubana no Simpósio nada me anima no sentido de ir.
De Anónimo a 25 de Fevereiro de 2010
Meus amigos, gostaria de dar a conhecer a actividade da C.Caç.3325, tão desprezada nos comentários e na participação nas v/reuniões.
O meu blogue É:
GUILEJE3325-VAMOS FALAR VERDADE

Um abraço
Orlando Silva
Ex-Alferes Miliciano

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