Terça-feira, 17 de Julho de 2007

DO LADO DE ONDE VÊM VENTOS E CASAMENTOS (1)

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Interessante para a polémica, que vai brava, sobre o Saramago e o seu iberismo, conhecer a opinião de um espanhol. Por exemplo, a do companheiro “popular maiorquino” Daniel:

 

No discutiremos su calidad literaria, aunque podríamos. Yo solo fui capaz de leer, con gran esfuerzo "La Caverna" y "La Balsa de Piedra", esa prosa farragosa y pesada. Con "Ensayo sobre la ceguera" ya no pude. Leer a Saramago es como tragar un pedazo de pan seco que no acaba nunca de bajar por la garganta. Pero le dieron el premio Nobel, y habrá quien disfrute con sus obras. En fin, si solo se dedicara a escribir, no pasaría nada. Para gustos, colores.

 

Sí es más discutible su calidad como profeta. Iberia ya existe desde hace muchos siglos, dividida en dos estados: Portugal y España. Y puede que desde su retiro canario, alejado del mundanal ruido, haya olvidado los problemas internos que sufre España. De otro modo no se explicarían sus ejercicios geográficos de salón tan fuera de lugar.


Saramago se equivoca, o busca protagonismo, quién sabe. Sus palabras parecen venir del resentimiento más que de las convicciones.
Y creo que en Portugal tiene pocos amigos.

 

Publicado por João Tunes às 13:29
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3 comentários:
De paulo santiago a 18 de Julho de 2007
Grande Daniel,tu és dos meus,também achas de
digestão pesada a prosa do Saramago.Porra! Pensava
ser dos poucos a não gostar do Nobel"ibérico",grande
paladino na defesa de" el comandante Castro"
De Daniel a 18 de Julho de 2007
Obrigado, Paulo.
Y lo he intentado, he intentado "digerir" sus libros. No pude. Escribiendo no es de mis favoritos, está claro, pero aun menos cuando concede entrevistas e improvisa tonterías.

Saludos
De João Tunes a 20 de Julho de 2007
Caros Paulo e Daniel,

Claro que autor e obra sempre algo se misturam no acto de apreciação. Mas devemos fazer sempre um esforço em que os méritos e deméritos nos dois planos não se confundam. As opiniões de Saramago valem o que valem fora do grau de admiração ou repulsa pela sua obra. Como os seus livros são património literário que vão além, e vão perdurar depois, da sua vida e intervenção, a menos que se venha a descobrir que o Nobel que lhe foi atribuído foi uma fraude. Bem sei que Saramago nada ajuda, pela sua constante intervenção forte e polémica sobre os mais variados assuntos (o que é seu legítimo direito) a que separemos nele o escritor e o político. Muita gente pensa e diz que Saramago procura a polémica e o escândalo político para promover os seus livros. Talvez, mas atire a pedra quem for mestre em juízos de intenção. Eu não o faço. Do Saramago político quase tudo me separa. Do Saramago escritor, tenho a boa lembrança (e motivo de releitura) dos seus excelentes três primeiros livros ("Levantados do Chão", "Memorial do Convento" e, a que considero a sua obra-maior, "Ano da morte de Ricardo Reis"). A "Jangada de Pedra", que ainda li, deu no meu desinteresse, até ao momento não recuperado, com a sua escrita. Hoje, desisteressado do Saramago escritor, não posso ser indiferente às suas posições públicas sobre o mundo (um Nobel é sempre muito influente). E normalmente, estou nas antípodas sobre as suas filosofias e estratégias. Mas, sobre o iberismo, achando que ele foi provocatoriamente radical, acho que, afinal, apenas levantou a tampa de um tabu sobre uma discussão que deve ser feita, sem preconceitos nem cóleras. E, neste aspecto, teve os seus méritos - meteu meio mundo peninsular a discutir o "iberismo". Obrigado a ambos pela vosa companhia.

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