Terça-feira, 11 de Abril de 2006

SOBRE VELAS NO ROSSIO

Só é de realçar a forma persistente, lúcida e documentada como o Nuno Guerreiro nos traz à memória essa “nossa” vergonha da matança de judeus que ressoa a história dessa intolerância de que também fomos feitos como povo e que está agarrada à pele e ao osso do domínio da cristandade em Portugal.

A efeméride é sobretudo oportuna quando hoje se assiste a essa eruptiva mas não estranha solidariedade de oportunidade entre os herdeiros dos velhos frades ateadores de fogueiras católicas para queimar bruxas e judeus para com os novos fundamentalistas islâmicos da bomba e da “burka”, sob o disfarce da cumplicidade eucuménica, levando a água ao moinho da luta contra o relativismo, o laicismo, o ateísmo e a interrupção voluntária da gravidez. Ou seja, demonstrando que os obscurantismos, o velho e o novo, sempre se entendem. Cedo ou tarde, mas um dia e a certa hora, até que o rebanho engorde e seja trato reparti-lo.

Sobre o apelo do Nuno Guerreiro para que no próximo dia 19 de Abril, no Rossio em Lisboa, se acendam quatro mil velas evocativas dos mártires da intolerância católica, digo, com o maior respeito para com os eventuais celebrantes, até lhes desejando os maiores sucessos, que lá não estarei. Não por discordância mas pela simples razão que, não sendo católico nem judeu, não me sinto com direito a intrometer-me em ajustes de contas históricas entre intolerâncias alheias. Além de que me dou mal, por fraqueza de pulmão consumido pelo tabaco, com o cheiro de cera queimada. E quatro mil velas, admita-se, é muita cera.

Publicado por João Tunes às 02:03
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De ana a 11 de Abril de 2006
Viva, é bom "vê-lo" de volta.
Não vou acender vela no Rossio, que nessa ocurrência eu não tive culpas. Assim, não peço desculpas.
Mas vou ler esta postagem toda, que as férias deixaram-no muito inspirado, João.
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