Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

NO SINDICALISMO DOS PROFS

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Está acesa a sucessão de Paulo Sucena como coordenador da Fenprof (Federação Nacional dos Sindicatos dos Professores). Em disputa, estão dois candidatos: Manuela Mendonça (apoiada pelos Sindicatos do Norte e da Grande Lisboa) e Mário Nogueira (apoiado pelos Sindicatos do Centro, do Sul, da Madeira e dos Açores). Esta “salamização” geo-política na estrutura sindical mais influente dos docentes é, em si mesma, um fenómeno notável e positivo no mundo político-sindical português, demasiado ataviado aos controlos partidários unicistas pelas listas únicas no reino da indiferença por parte dos sindicalizados. É que as escolhas da esmagadora maioria dos dirigentes sindicais que temos saiu e sai directamente das sedes partidárias para a vida sindical em vez de emergirem da prática e da acção sindicalista e por reconhecimento de mérito por parte dos trabalhadores representados. E se há organizações sociais, no caso com enorme impacto na vida política, onde a maioria dos dirigentes e as suas práticas estão envelhecidos e entrincheirados na resistência à mudança, isso ressalta, sem dúvida, no mundo sindical. E um sintoma desta decadência sindical imobilista, o que acontece na CGTP e na UGT, é o défice de participação dos representados, no leque democrático de escolhas, na capacidade de renovação e na falta de resposta aos desafios laborais modernos. E, aqui, a principal responsabilidade cabe aos partidos com intervenção saliente no mundo sindical e que preferem o absoluto controlo dos calendários sindicais (de que a próxima “greve geral” é um exemplo acabado) à renovação e vivificação da acção sindical, em que um burocrata sindical medíocre mas disciplinado partidariamente (se dependente socialmente do “emprego sindical” tanto melhor) vale tudo face  à afirmação de quadros autónomos e revelados pela acção reivindicativa (veja-se o combate feroz que o PCP/CGTP faz a António Chora, da CT da Auto Europa e à direcção do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa).

 

Se no Congresso da Fenprof a decorrer (termina amanhã) há, por excepção mínima, uma bipolaridade na escolha do próximo coordenador, repare-se como o “Avante” não deixa de salientar que, nas duas candidaturas, há o candidato (que foi mandatário da candidatura de Jerónimo de Sousa à Presidência da República) e a proposta pela “outra lista”:

 

Mário Nogueira, coordenador do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) e membro do secretariado da Fenprof é candidato ao cargo de secretário-geral pela candidatura que tem o apoio das direcções sindicais do SPRC, do Sindicato dos Professores da Zona Sul, do Sindicato dos Professores da Madeira e do Sindicato dos Professores da Região dos Açores, além de inúmeros professores e educadores das outras estruturas que apoiam e integram esta candidatura.
A outra lista propõe Manuela Mendonça, dirigente do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) e também membro do secretariado da federação. Conta com o apoio da direcção do SPN e do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL).

 

Publicado por João Tunes às 17:36
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3 comentários:
De Beatriz a 22 de Abril de 2007
Bem! Fico muito mais descansada por saber que lês o Avante! Com o tempo talvez aprendas alguma coisita. É que a tua leitura da realidade é tão monolítica e conforme à cartilha neoliberal que a comunicação social tão proficuamente difunde que bem precisas de ler o Avante, enfim, só para teres uma outra perspectiva. Estou em crer que da síntese que serás capaz de fazer alguma evolução na tua capacidade de análise politico-sindical há-de surgir.
De vemosouvimoselemos a 25 de Abril de 2007
Ó meu querido João, esta didáctica comentadora precisa de conhecer os teus percursos! Mas o conselho lá fica, para o caso de voltares/voltarmos) aos 20 anos...
Um beijo muito amigo.
Guida
De João Tunes a 26 de Abril de 2007
Olá querida Guida.

Eu não sei que idade tem a miliciana Beatriz. Suponho que tenha a minha (a nossa) e até tenha andado comigo na escola, dado o tom familiar com que me trata e me aconselha. Mas, se assim é, devia saber que já levo 47 anos a ler, sem falhas e com toda a pontualidade, o "Avante". Desde que, no Barreiro e com 15 anos, me meteram um na mão que nunca mais o larguei. Posso é ser mau leitor, desobediente até, mas isso são outras contas.

Beijo grande, querida irmã.

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