Sexta-feira, 13 de Abril de 2007

UM PARTIDO PELA BOMBA

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O PCP continua, em termos de política internacional, uma deriva alucinada de tentar encontrar onde se dê tiro e meta bomba um aliado internacionalista a apoiar. Assim, a solidariedade anti-imperialista e anti-capitalista do PCP, perdidos que foram o sol soviético e os seus satélites, exprime-se para com tudo que mexe de dedo no gatilho ou de detonador em dinamite, evidenciando, numa irresponsabilidade tolerada pelo encolher de ombros da subestimação, que a fracção dos falcões marxistas-leninistas, instalados no "núcleo duro" do PCP, preferem o crime político dos bombistas e pistoleiros ao voto e à decisão da soberania democrática. Lerem-se as páginas do “internacionalismo” em cada “Avante” é uma viagem de redundância à mais grotesca duplicidade política que, para consumo da opinião pública interna, veste a pele do “cordeiro democrático”, enquanto apoia e incentiva a violência e o crime político no mundo, em que a maior parte das vítimas são cidadãos comuns, anónimos e indefesos, incluindo velhos e crianças, como forma de se chegar à “revolução mundial”, agora desejada pelo PCP com uma histeria paranóica com que pretende compensar o seu complexo bolchevique.

 

No seu último número, o “Avante” faz uma descarada apologia dos assassinos da ETA e subscreve as posições deste bando criminoso (a quem o “Avante” tenta dar nobreza revolucionária ao chamar-lhes “guerrilheiros independentistas”), remetendo para o governo de Espanha o ónus das bombas colocadas pela ETA por não dar satisfação plena à chantagem dos bandidos etarras:

 

Com a subida ao poder dos socialistas espanhóis, na sequência dos atentados de Madrid em 11 de Março de 2004, o novo governo prometeu uma nova reforma do Estado e chegou a anunciar publicamente o início das negociações com a ETA para solucionar definitivamente o conflito que dura há cerca de quatro décadas.
Em Junho do ano passado, quatro meses depois de a ETA ter anunciado um cessar-fogo, Rodriguez Zapatero declarou que «a paz é tarefa de todos», garantindo que o seu «governo respeitará as decisões que os cidadãos bascos adoptem livremente».
O caminho para a paz parecia finalmente aberto. Contudo, o tempo foi passando sem se registarem avanços concretos neste processo iniciado por Madrid.
Em 30 de Dezembro último, a ETA (Euskadi Ta Askatasuna – País Basco e Liberdade) interrompe o cessar-fogo e faz explodir um parque de estacionamento no aeroporto madrileno de Barajas.

 

A esta caracterização política de condenação do governo democrático de Espanha e de subscrição servil e desculpabilizante das teses cínicas e chantagistas dos bandoleiros da ETA, como se uma bomba num parque de estacionamento (que vitimou dois desgraçados imigrantes equatorianos) fosse igual, na natureza política, que uma greve ou uma manifestação, segue-se uma colagem miserável à posição oficial dos etarras.

 

Curioso ainda que as teses do PCP sobre o terrorismo basco, alinhando incondicionalmente com as posições da ETA, são absolutamente dissonantes e opostas às que, em Espanha, são subscritas pelo PCE (Partido Comunista de Espanha) e pela IU (Esquerda Unida, frente eleitoral em que o PCE participa), organizações que condenam, sem peias, o terrorismo basco. Caso para dizer que, em internacionalismo, o PCP é bem mais “papista” que os seus camaradas espanhóis. Ou seja, está mais para o lado da bomba.

Publicado por João Tunes às 15:25
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1 comentário:
De odete pinto a 13 de Abril de 2007
???????????????? não há palavras....

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