Ele, o primeiro-ministro, diz que não se sente “fragilizado”. Acredito e foi isso que me pareceu na sua prestação televisiva. Mas está frágil. Irremediavelmente frágil. Assim a modos que quebradiço, feito um vidrinho.
Duas ironias salvam a boa disposição de observador (não enquanto eleitor) neste momento triste, por demasiado pequeno, insuportavelmente provinciano, da democracia portuguesa:
- Primeira - uma trapalhada burocrático-académica ligada a uma saloia pressa na ascensão de prestígio social tenha adquirido relevo maior que os graves e complexos problemas do país, e com um eco e danos tais que são suficientes para corroer um primeiro-ministro e um governo de maioria absoluta e com resultados permanentemente favoráveis nas sondagens. O que é obra.
- Segunda – a “direita jornalística”, ao alimentar, com permanente revelação de novos episódios caricatos e comprometedores, até à náusea, a novela da trapalhada académica de Sócrates, conseguiu o que a “direita política” se mostrou incapaz de fazer enquanto oposição e o PCP não alcançou com a contestação social de resistência à mudança. O que é obra-prima.
José Manuel Fernandes, director do Público/Sonae, que se prepare. Porque pode ser o escolhido de Cavaco para, por méritos oposicionistas demonstrados, suceder a Sócrates. É bom que comece rapidamente a compor o seu currículo académico de forma a ter certificados prestigiantes para ilustrar a função. É isso que os portugueses aprenderam, sobretudo com ele e o seu jornalismo, a esperar de um primeiro-ministro.
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