Sexta-feira, 9 de Março de 2007

FEMINISMO PARA HOJE (explicado às mulheres por um homem)

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Miguel Cardina dixit:

 

Após a segunda guerra mundial, o feminismo ressurgiu com vigor redobrado, sob a influência de obras como O segundo sexo (1949) da francesa Simone de Beauvoir e A mística feminina (1963) da americana Betty Friedan. Nesta segunda vaga do feminismo, consolidada no contexto das fortes mutações políticas e culturais que atravessam os anos sessenta e setenta, já não se tratava de conquistar direitos civis para as mulheres, mas antes de descrever a sua condição de oprimidas pela cultura masculina, de revelar os mecanismos psicossociais dessa marginalização e de projectar estratégias capazes de proporcionar às mulheres uma libertação integral, que incluísse também o corpo e os desejos. A interrupção voluntária da gravidez, a radical igualdade nos salários e o acesso a postos de responsabilidade são outras das reivindicações do novo movimento feminista.

Muitos dirão que estas batalhas, com quase meio século, estão hoje ultrapassadas. Talvez não seja bem assim. As múltiplas questões ligadas aos direitos sexuais e reprodutivos, que afectam predominantemente as mulheres, continuam a encontrar resistências a vários níveis. No plano laboral, o género feminino continua a ser descriminado: o Lobby Europeu das Mulheres alertava, em 2001, para o facto de, na União Europeia, elas ganharem em média 76% do salário pago aos homens pelo mesmo trabalho. Ao nível dos processos de decisão, subsiste uma série de «telhados de vidro» que impede o acesso feminino aos lugares de maior poder. No domínio da conciliação entre vida profissional e vida familiar, a mentalidade dominante ainda estipula que sejam elas a assumir o grosso das tarefas domésticas, situação confirmada num estudo recente, coordenado por Lígia Amâncio, que concluiu que as mulheres trabalham em casa, por semana, mais 19 horas do que os homens. Daí resulta uma maior dificuldade em dispor de tempo para dedicar ao trabalho, à formação, ao estudo ou ao lazer.

Publicado por João Tunes às 23:38
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