Sexta-feira, 2 de Março de 2007

JESUÍTAS LUSITOS?

00149xpc

Encontrei um blogue intitulado “Companhia dos Filósofos” subscrito por “uma comunidade de jesuítas em formação na fase dos estudos em filosofia”. E achei interessante tentar entender o “húmus blogante” destes catraios net-porfiados que só posso imaginar com ideias frescas e sotainas bem engomadas. Claro que não esperava que os jovens filósofos jesuítas se devotassem a incentivar uma votação massiva no Marquês de Pombal como “grande português” mas estava longe de imaginar que hasteassem a bandeira da sinistra “Mocidade Portuguesa” (a milícia fascista de Salazar) e cronicassem com este patrioteirismo serôdio de Lusitos vindos das catacumbas do fascismo clerical:

Não, isto não é uma crónica futebolística lembrando a vitória de ontem de Portugal sobre o Brasil. Um ‘viva’ é uma saudação que implica alegria e entusiasmo. Ora a alegria, por sua vez, implica festa ou celebração.

Hoje há uma celebração importante para Portugal, importante porque nos define como povo, importante porque está reflectida no próprio brasão que Portugal ostenta. Hoje celebra-se a devoção às Cinco Chagas de Jesus. Pode parecer um pouco masoquista lembrar algo que à partida é doloroso. De facto, nós preferimos esquecer-nos das feridas que tantas vezes nos doem e andamos por aí, anestesiados nos nossos afazeres.

Recordar as Chagas de Jesus Cristo é bem mais do que um sentimento desfocado da nossa realidade, é lembrar Portugal, significa trazer à memória D. Afonso Henriques, nosso primeiro Rei, que quis formar um Reino baseado na fé em Jesus. O laço que une os primeiros portugueses está fundado nesta base e por isso, no centro da nossa bandeira, estão as cinco quinas, lembrando as cinco Chagas de Jesus. Por isso o nosso primeiro Rei assinava com a Cruz.


Vale a pena lembrar para algumas memórias mais esquecidas, porque foi isso que fez nascer Portugal, é esse o motivo de sermos portugueses. As coisas não nascem sem uma causa primeira. A fé é uma das razões da nossa identidade. Se queremos ser coerentes no rumo que agora seguimos, temos que lembrar as cinco quinas, ir à sua origem e a partir daí caminhar para o futuro.

 

Lendo-os, só posso reforçar a convicção que, pelo menos quanto a estes “jesuítas lusitos”, e antes que eles cheguem a “comandantes de falange” ou sequer a “comandantes de castelo”, o melhor é ir dar uma volta ver as obras no Túnel da Rotunda e piscar um olho cúmplice ao sujeito da estátua postado lá no alto.

Publicado por João Tunes às 23:42
Link do post | Comentar
5 comentários:
De C.Almeida a 3 de Março de 2007 às 13:59
Ao ler este post fiquei admirado e/ou surpreso, não sabendo qual dos termos mais apropriados para a situação relatada.
Não nego que o emblema em anexo se encontrou ligado à Mocidade Portuguesa, como seu estandarte. Agora, fico admirado é que o autor, o qual considero uma pessoa culta, possa de animo leve atribuir a exclusividade deste estandarte à organização em referência. Poderia sim , se o seu interesse não fosse politico partidário, referir que o uso daquele estandarte foi em tempos escamoteado para estandarte daquela organização. É que além de ser a bandeira das quinas é ainda hoje designado como BANDEIRA HERÁLDICA DE PORTUGAL e utilizada pela Marinha de Guerra Portuguesa como sua.
Aliás, o seu núcleo é utilizado, julgo que desde o século XII ou XIII nos estandartes e bandeiras de vários reis de Portugal, sendo posteriormente incorporado como símbolo na própria Bandeira Nacional ainda hoje usada en todo o País.
De João Tunes a 3 de Março de 2007 às 16:09
Enganou-se no número da porta quando alude a interesse "político partidário". Há vários anos que o meu partido é do Marx (mas o Goucho). Quanto ao resto, a descrição amorosa feita à bandeira pelos jesuítas bloggers é a mesma que a levou a ser adoptada pela MP. E, nesse sentido, é uma "declaração tipicamente de lusito". Claro que ela, a bandeira, tem antecedentes e se mantêm sinais seus na actual bandeira. E por essa mesma razão, entendo que o Estado laico já a devia ter mudado, segregando os símbolos de identificação da Nação com lendas religiosas, bem como a esfera imperial (a república adoptou-a porque manteve e deu importância às possessões coloniais). Como o Hino, sem nenhum sentido nesta época pós-imperial e para mais com um sentido profundamente bélico.
De C.Almeida a 4 de Março de 2007 às 11:31
Não tive qualquer intenção de o acusar de intenções político-partidárias no post que elaborou, mas que deu a entender isso deu. Se há quem leia as coisas de animo leve e deixe passar em branco ou sem comentar o que vê ou lê, infelizmente e por vezes com prejuizo peesoal, não sou uma dessas pessoas.
Continuo a dizer que o considero uma pessoa culta pelo que leio em alguns dos seus post, que na maioria dos casos não me merecem quaisquer comentários. Também não não sou daqueles que por interesse fortuito ou outro qualquer, defende que não se deve alterar os simbolos nacionais. Hoje em dia confinados a este rectangulo à beira-mar plantado não vejo porque não adoptar um novo hino ou uma nova bandeira, desde que não se passe uma esponja pelo passado e que a exemplo de muitos outros por esse mundo se apague da fotografia, os que não nos interessem. Contudo indico dois sites que poderão ter algum interesse para um cabal esclarecimento sobre as origens da Bandeira Nacional actual e que nada tem a ver com aquilo que muitas vezes se pensa. www.Tuvalkin.web.pt/terravista/guincho/1421/bandeira/pt_htm#1830 .
www.mdn.gov.pt/Defesa/Simbolo/Band_evoluc.htm.
Os meus agradecimentos
De João Tunes a 4 de Março de 2007 às 11:56
Obrigado pelo seu depoimento e pelo site.
De Francisco Sassetti da Mota a 21 de Junho de 2007 às 01:42
Tropecei acidentalmente neste post e não posso deixar de mandar, também eu, uma laracha.
Quero-lhe dizer, publicamente, que o apoio plenamente: aproveite para ir piscar o olho ao marquês e dê-lhe um abraço cá de casa!!
Como, infelizmente, não acredito que trocar mensagens por aqui possa ajudar à conversa, faço-lhe um convite: da próxima vez que vier a Braga, venha almoçar connosco cá a casa.
Provavelmente, vai reparar que a sua imagem das batinas bem engomadas, dos jovens net-porfiados, do fascismo clerical e desse (ri-me até doer a barriga, só de pensar em quanto é preciso distorcer o post original para chegar à interpretação que faz dele...) suposto fascismo (ahahah!!!!) é ridiculamente errado! Teremos muito gosto em recebê-lo...
Ah... não se sinta intimidado: prometo que não o expulsamos!
Cumprimentos,
Francisco Sassetti da Mota

Comentar post

liuxiaobo.jpg

j.tunes@sapo.pt


. 4 seguidores

João Tunes

Pesquisar neste blog

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Posts recentes

Nas cavernas da arqueolog...

O eterno Rossellini.

Um esforço desamparado

Pelas entranhas pútridas ...

O hino

Sartre & Beauvoir, Beauvo...

Os últimos anos de Sartre...

Muito talento em obra pós...

Feminismo e livros

Viajando pela agonia do c...

Arquivos

Maio 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Junho 2013

Março 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Junho 2012

Maio 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004

Fevereiro 2004

Links:

blogs SAPO