Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

QUAL O PREÇO DO TAPETE TURCO?

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É notório que grande parte das condescendências e cumplicidades que germinaram no favorecimento da leviana promoção da integração da Turquia na União Europeia resultam de dois impulsos convergentes: o da direita que ambiciona uma musculada guarda pretoriana já enquadrada e treinada pela NATO para afastar a fronteira do confronto com o islamismo fundamentalista e perseguindo a utopia de plantar um cavalo de Tróia no reino de Maomé; o da esquerda frouxa, livresca e burocrática que se dispõe a navegar na preguiça da bolina e deitando borda fora a firmeza associada a valores em que os próprios europeus demonstrarem repetidamente prontidão em vacilarem e renegarem.

 

O tempo tem-se encarregue de evidenciar os absurdos desastrosos associados à pressa em enfiar a Turquia na UE, segundo o princípio miserável e miserabilista de que a Europa deve relaxar a defesa dos seus princípios, abdicando de exigências conviviais nas parcerias, para se transformar numa correctiva “casa política do gaiato” em que mesmo os “rapazes maus”, mercê da bênção paroquiana e preceptora dos “velhos democratas”, se portarão com juízo. Para mais, se, caso turco, o mercado consumidor aumentar em 70 milhões de clientes e produtores com baixos custos salariais.

 

O assassinato do jornalista-escritor Hrant Dink mostrou a evidência de a sociedade turca ainda se manter dentro de parâmetros de intolerância assassina. Agora, a necessidade de fuga clandestina, para sobreviver, do Nobel Orham Pamuk, confirma que, na Turquia, quem ambicione escrever e ser livre tem de evitar ser alvo dos mesmos pistoleiros que liquidaram Hrant Dink. Não fugindo para a Europa onde pululam os encantados com os tapetes turcos. Orham Pamuk, na hora da fuga, mostrou-se avisado: fugiu para os Estados Unidos. Porque a Europa burocrática, timorata e relapsa à firmeza, deixou de ser lugar seguro para se enfrentar a sanha da intolerância. É sina: quando a Europa baixa a guarda, venham lá os americanos, mesmo com todos os consabidos defeitos às costas.    

Publicado por João Tunes às 23:03
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