Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010

Baba servil do cortesão propagandista

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VGM (só podendo ser ele) no DN:

No meio disto tudo, Cavaco Silva vai avançando, sem pompas, sem efeitos especiais, sem surpresas mediáticas. Apresenta serenamente as suas ideias, apresenta o activo poderoso da sua isenção e da sua experiência acumulada, desenha com precisão os contornos da situação para que o País foi arrastado por umas cambadas governativas irresponsáveis, fala com simplicidade do que está a acontecer e que ele tinha previsto muito antes, e tem ainda o mérito, extraordinário nos tempos que correm, de não ter perdido a esperança.

Toda a gente entende este tipo de discurso. Muitos dos que não o apoiaram anteriormente sabem que não há hoje nenhuma alternativa credível à sua candidatura. Uma noção elementar de patriotismo em tempos de crise levá-los-á a votar nele.

Aníbal Cavaco Silva personifica uma força tranquila e propõe um magistério de autoridade democrática e de competência a uma sociedade crispada, arruinada e descrente até ao mais fundo de si mesma.

Todos sabem, e os que não sabem sentem-no como evidência desarmante, que só Cavaco Silva convém a Portugal neste momento.

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Publicado por João Tunes às 11:55
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O arguido senta-se ali

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Publicado por João Tunes às 01:00
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Já que falou de vergonha

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Manuel António Pina, no JN:

Cavaco Silva tem pois todos os motivos para, como disse, se sentir envergonhado com a situação de fome que muitos portugueses hoje vivem.

Mas deveria sentir-se também envergonhado, e deveria dizê-lo, por, simultaneamente, outros portugueses viverem na mais escandalosa abundância (como sucedeu nos tempos das vacas gordas dos fundos comunitários em que foi primeiro-ministro e em que nasceu o Banco Alimentar Contra a Fome), e banca e grandes empresas todos os dias anunciarem lucros da ordem dos milhões que, na maior parte dos casos, irão parar a "offshores", enquanto avidamente disputam a pobres e desempregados as cada vez mais escassas verbas com que o Estado ainda os vai apoiando.

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Publicado por João Tunes às 00:33
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Foi possível

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O que mais valoriza “Sussurros” (*) é a sua forma particular de abordar a opressão comunista durante o período da tirania de Estaline e que eleva este livro do historiador e professor Orlando Figes à qualidade de peça única e incontornável na historiografia sobre a opressão de Estado em versão totalitária. De facto, Figes não enveredou nem pelo desfolhar dos episódios repressivos nem se deteve a entrar na polémica sobre as estatísticas das vítimas e dos carrascos. Exceptuando o tratamento detalhado e central de uma figura de primeira grandeza da vida pública soviética, o escritor Konstantin Simonov, a obra, ao longo das suas mais de setecentas páginas, ocupa-se das figuras comuns, quer dos represaliados (sobretudo estes) como dos coniventes e agentes da opressão, baseando-se em testemunhos orais ou em documentos obtidos, através de uma longa e aturada investigação desenvolvida na antiga URSS junto dos sobreviventes da época estalinista. Ou seja, Figes aborda a opressão contaminante do quotidiano dos cidadãos soviéticos sobretudo nos anos 30 e 40 do século XX e que, de uma forma absolutamente cega, ceifava a eito a sociedade no seu conjunto [escravizando e liquidando intelectuais e pequenos proprietários ou artesãos, por “crime” de pertença de classe; certas nacionalidades suspeitas de “infidelidade étnica atávica” para com a hegemonia russa em que assentava a estrutura multinacional soviética; comunistas e quadros soviéticos dos vários escalões ao sabor dos caprichos absurdos e arbitrários de quotas para cumprir metas de purgas; finalmente, os familiares (mulheres e filhos) dos reprimidos nos casos anteriores e que pagavam por “crime” de serem familiares de “inimigos do povo”]. No fundo, os alvos da repressão estalinista, conforme a uma lógica absolutamente paranóica, eram todos os cidadãos, incluindo os próprios mandantes e agentes da repressão. E, assim, cada cidadão soviético tinha como principal preocupação de sobrevivência, além de confiar no factor sorte, situar-se “correctamente” perante a repressão, sobrevivendo-lhe. E, claro, nem todos se saíam bem, no arbítrio dos acasos, das delações e das embirrações, para além das fatalidades de origens e pertenças. Milhões, muitos milhões, saíram-se mal. Uma parte fuzilada após tortura, a maioria constituindo o exército do trabalho escravo que industrializou a URSS, colectivizou a agricultura, produziu as grandes obras, cumpriu os planos quinquenais, construiu o socialismo, um socialismo de miséria, escravidão, fome, opressão. E, para além dos efeitos imediatos do sistema do GULAG, eventualmente a parte mais grave da repressão, o sistema repressivo, ao tornar aleatória a escolha dos alvos, feriu profunda e irreversivelmente a psicologia, a cultura e o estado emocional dos soviéticos. Até aos tempos actuais, passados vinte anos desde a queda do comunismo. E é nesta compreensão que o livro de Figes atinge uma intensidade e relevância única na historiografia sobre o estalinismo, ao descer do público para o privado, dos dados globais da repressão para as feridas desferidas nas pessoas, nas famílias e nos afectos. A monstruosidade da sociedade estalinista, afinal uma mero caso demonstrativo do que é o comunismo enquanto governo, em que após a fase de sedução social e política invocando os mais nobres ideais e aspirações humanas e sociais se transforma em máquina brutal de conservação de poder, em que o “terror vermelho” se inclui necessariamente no menu do trajecto de domínio, fica melhor exposta pela metodologia utilizada por Figes do que todos os tratados sobre a superestrutura da tirania estalinista. Mas, não havendo história grátis, é bom que se tenha o estômago bem preparado para encaixar os murros emocionais que “Sussurros” proporciona perante as dimensões insuspeitas e reveladas sobre onde chega, pode chegar, a perfídia humana politicamente organizada e cinicamente invocando a defesa suprema dos trabalhadores, do povo, da humanidade.

Terminada a leitura de “Sussurros”, percebida e sentida a lógica brutal do GULAG, ainda com as emoções em sangue, julgo que uma questão tende a assaltar cada um dos seus leitores: o que distinguiu o aparelho carcerário, de campos e de liquidação montado na URSS, dirigido por comunistas, do melhor conhecido aparelho repressivo e de extermínio montado pelos nazis? Julgo que o livro de Figes não deixa escapatória à constatação inevitável de que enquanto a repressão nazi foi selectiva e os seus alvos foram sempre pública e previamente anunciados (os judeus, os homossexuais, os comunistas, os social-democratas, os democratas, as minorias, as etnias consideradas inferiores), a repressão comunista ameaça toda a sociedade, todos os cidadãos, incluindo (!) os comunistas. Por isso mesmo, Estaline pode considerar-se o construtor de uma sociedade única, a do totalitarismo autofágico. Fica para outra altura a discussão sobre o como e o porquê de que quando as experiências comunistas se desviam deste modelo, o do Estado-Polícia desenvolvendo-se em espiral paranóica, estas falham automaticamente e destroem ... o comunismo.

Naturalmente que está subentendido o conselho para quem ainda não escolheu o livro de oferta de natal para um amigo alérgico à mentira e à opressão.

(*) – “Sussurros”, Orlando Figes, Aletheia Editores.

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Publicado por João Tunes às 00:15
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Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010

Na beira do pessimismo

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Mais que os resultados em si da sondagem da Marktest sobre “o estado da Nação”, os quais confirmam o que é perceptível no entendimento comum divulgado, o que me parece mais significativo nela é a distribuição das valorizações em várias segmentações:

as mulheres são mais negativas (6,8 valores em 20) do que os homens (7,6 valores em 20) a classificar o estado da nação.

Os mais velhos, acima dos 55 anos, revelaram-se os mais críticos (6,3 valores em 20) enquanto os mais jovens, de 18 aos 34 anos, são mais generosos (8,1 valores em 20).

As classes média baixa e baixa (6,7 valores em 20) classificaram o país pior do que a classe média (7,4 valores em 20) e a alta/média alta (8,2 valores em 20).

Ou seja, as mulheres sentem mais directamente as dificuldades por estarem mais em “contacto” com elas (que mais não seja, pela maior proximidade com a gestão doméstica); as classes mais pobres são as mais castigadas pela recessão e pela austeridade. Quanto à diferença de opinião entre os mais jovens e os mais velhos, naturalmente que enquanto uns tendem para uma atitude de culpabilização, os outros serão mais influenciados pela confiança em mudanças correctivas.

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Publicado por João Tunes às 16:46
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O problema nos cêntimos

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Manuel António Pina, no JN:

Agora a crise é também pretexto para não cumprirem o que haviam acordado na Concertação Social, o aumento do Salário Mínimo Nacional de 475 para 500 euros em Janeiro de 2011. Diz (melhor, choraminga) o presidente da CIP que as empresas não têm "condições" para pagar um aumento de 25 euros, isto é, de 82 cêntimos por dia.

Se o patronato da CIP não tem "condições" para suportar o custo de algo como uma bica por dia, estamos falados não só quanto a miserabilismo mas também quanto ao que o país pode esperar da indústria portuguesa.

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Publicado por João Tunes às 01:07
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Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Hasta siempre Henrique Morente

Publicado por João Tunes às 19:26
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Contas dos abusos

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- La Iglesia católica de Estados Unidos ha pagado más de 1.450 millones de euros a víctimas de abusos sexuales de sacerdotes de sus congregaciones. La mayoría en acuerdos extrajudiciales.

- La situación es tan grave que en 2009 siete diócesis - Portland (Oregón), San Diego (California), Tucson (Arizona), Spokane (Washington), Davenport (Iowa), Fairbanks (Alaska) y Wilmington (Delaware) - se declararon en suspensión de pagos para eludir las indemnizaciones millonarias.

- Una de las cantidades más sustanciosas se acordó en 2007, cuando la archidiócesis de Los Ángeles firmó un acuerdo extrajudicial por el que se comprometía a pagar 660 millones de dólares (478 millones de euros) a 500 víctimas de abusos por parte de sacerdotes de esa congregación.

A complementar a divulgação destas gordas verbas de indemnizações por abusos dos padres, deviam publicitar quantas e quais penitências estes abusadores cumpriram, mostrando os joelhos esfolados como prova.

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Publicado por João Tunes às 12:09
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Nem a educação lhe escapa de tanto que ele gostaria de a entregar, paga por todos, aos seus compadres sacerdotes

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César das Neves, o Casto & Privatizador, no DN:

O Estado tem a função decisiva de vigiar a qualidade escolar. Mas não há razão para se envolver no negócio das aulas. Para quê meter-se entre pais e professores, cobrando impostos aos primeiros para pagar salários aos segundos? Para quê o Estado proporcionar ensino aparentemente de borla, que fica caríssimo pelas distorções e desperdícios que causa? Pior, depois de arruinar múltiplas escolas com concorrência desleal, ainda se finge magnânimo apoiando alguns colégios nos contratos de associação, anomalia a eliminar logo que a escola pública seja universal.
A alegada razão disto tudo é dar aos pobres acesso ao ensino. Mas se é essa a finalidade, deveria entregar o dinheiro dos impostos aos necessitados, deixando-os escolher. Este mecanismo do cheque-educação seria mais barato, justo e sobretudo excelente para os carenciados, livres de inscrever os filhos no melhor, em vez de ficarem presos à escola pública gratuita. Todos beneficiavam.


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Publicado por João Tunes às 11:36
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Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Não queriam a imaginação no Poder? Aí está, ó Portugal n-1.

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O que falta ao Baixo Alentejo, à Península de Setúbal, ao Nordeste Transmontano e à Beira Interior, exemplos tirados ao calhar, para terem direito a uma medida que desvie umas verbas, por exemplo destinadas a obras em bancadas de estádios pequenos ou médios de futebol, para compensar os seus funcionários públicos ou locais das próximas perdas de salários? Respondo já, para abreviar: imaginação.

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Publicado por João Tunes às 19:58
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Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010

Igreja Católica holandesa, campeã dos abusos sexuais

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Só crimes denunciados, foram 1.975!

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Publicado por João Tunes às 21:53
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Liberdade para Liu Xiaobo!

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Esta cadeira vazia, integrando um cartaz da Amnistia Internacional, simboliza o lugar que amanhã, às 12h00, estará vazio na sala de Oslo onde se cumprirá a cerimónia da “entrega” do Nobel da Paz 2010 a Liu Xiaobo, a que o laureado faltará por estar “retido” como prisioneiro político na China.

Que cada amante da liberdade, entre aqueles que não distinguem entre bons e maus carcereiros de delitos de opinião, mais os que não esmagam os seus critérios humanistas e solidários pelos interesses de negócios com a grande potência emergente e a ponta mais agressiva do capitalismo mundial, amanhã se sente simbolicamente no lugar de Liu Xiaobo.

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Publicado por João Tunes às 21:20
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Há masoquistas que andam a engordar o sapo da segunda volta

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Do editorial do “Avante”:

As candidaturas de Cavaco Silva, Manuel Alegre, Fernando Nobre e Defensor de Moura são, cada uma à sua maneira, candidaturas da situação, candidaturas do Orçamento do Estado de desastre nacional.

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Publicado por João Tunes às 20:38
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Quando a solidariedade compensa

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A iraniana condenada à morte por lapidação, Sakineh Mohammadi Ashtiani, foi libertada assim como o seu filho e advogado.

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Publicado por João Tunes às 19:25
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Até tu, da Silva

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Carlos Júlio:

No meio do turbilhão de despedimentos, de trabalho precário, de salários em atraso vem um ministro, Vieira da Silva, tido por sério, talvez bom pai e dedicado cidadão, invocar a necessidade de reduzir o pobre mês de indemnização por ano de trabalho que está na lei e a gente não acredita. Ou que, em nome dos "estímulos" à contratação, queira retirar garantias a quem trabalha.

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Publicado por João Tunes às 12:21
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