Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

Estava-se mesmo a ver que um dia a falésia vinha abaixo

 

Desgraçadamente, cinco pacíficos cidadãos banhistas pagaram com as vidas o crime contra a natureza algarvia de que todos somos responsáveis, incluindo, naturalmente, as vítimas. Porque tolerámos e votámos os autarcas da rapina municipal que plantou, mandou plantar, deixou plantar, resorts, hotéis, apartamentos e vivendas em arribas, falésias e tudo quanto era meio palmo algarvio onde se pudesse espetar betão e tijolo. Porque, por solidariedade social, aceitámos que os algarvios e as algarvias se transformassem progressivamente numa população de empregados de hotelaria a pedirem mais hotéis e esplanadas e, é claro, mais turistas. Porque permitimos que o Pinho promovesse o All Garve sem que, antes disso, fizesse corninhos às falésias para confirmar que elas se aguentavam com a promoção. Porque os cientistas e técnicos da sismografia estão tão ocupados a estudarem e prevenirem os efeitos dos possíveis abalos telúricos sobre o Centro Cultural de Belém que não lhes sobra tempo para replicarem esses estudos sobre as esculturas feitas pelas artes caprichosas da natureza. Porque temos um ministro do ambiente que agora, no rescaldo, (só) diz que vai mandar fiscalizar as falésias que não ruíram. Porque um povo assim de um país assim devia estar inteirinho ao lado das cinco vítimas à sombra da falésia assassina em repouso de umas braçadas no “sol e mar algarvio” de que todos somos utentes e/ou cúmplices. Porque foram cinco as baixas mas todos sabíamos que a “falésia”, um dia, vinha abaixo.  

 

Publicado por João Tunes às 23:31
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Lama velha para zanga antiga

 

O “Avante”, no uso do seu direito à polémica política, em artigo do seu chefe de redacção, respondeu às entrevistas dadas por Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues, em que estes militantes socialistas defenderam publicamente que, em caso de uma vitória eleitoral por maioria relativa do PS, este partido devia prioritariamente procurar entendimentos com o PCP e o BE. A violência do artigo não surpreende. E os epítetos políticos pendurados no PS e no BE são os de costume. O que ultrapassa o imaginável num debate político é a forma como um e outro adversário são caracterizados:
 
Paulo Pedroso – “antigo arguido no processo da Casa Pia”;
 
Ferro Rodrigues – “procedente do mesmo saco da antigos suspeitos no caso da Casa Pia”.
 

O “Avante” não explica o que é que a Casa Pia tem a ver com estas eleições. A não ser demonstrar saber que a lama suja, sempre. Decididamente, a pré-campanha eleitoral anda a turvar a decência na forma como o PCP pretende liquidar, de forma infame, quem ousa ... propor entendimentos à esquerda por parte do PS, incluindo com o PCP.  Para os estereótipos do PCP, partido que se assume como o único "de esquerda", estes são os "piores" pois ousam propor que o PS salte da moldura de "partido de direita". Portanto, lama para cima deles.

 

Publicado por João Tunes às 00:58
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Deu-lhe a insolvência, tarde

 

A publicação que mais detestei durante mais tempo (foram muitos anos sem lhe tocar quanto mais lê-la, nem nas longas secas em consultórios médicos e quando ela repousava na mesinha de espera como única leitura disponível) entrou agora em processo de insolvência. Fora de tempo para comemorar o acontecimento. A “Selecções” já era uma inutilidade há muito tempo e, nisso, imitando a “Sputnik”, a gémea alternativa. Tão inúteis quanto a vontade de as detestar, a “Selecções” e a “Sputnik”. Agora, a notícia da insolvência da "Selecções", depois da "Sputnik" ter morrido agarrada ao caixão do sistema que propagandeava, só serve para recordar o tempo que já passou desde o fim da "guerra fria". Valha isso.

 

Publicado por João Tunes às 01:38
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009

A propósito dos caroços da Carolina

 

Carolina Patrocínio, a mandatária do PS para a juventude, ou coisa assim parecida, está para os caroços das cerejas como Sócrates está para a esquerda e o socialismo. Tem empregados encarregados de os tirarem para não correr o risco de se engasgar.

 

Publicado por João Tunes às 23:31
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Sábado, 15 de Agosto de 2009

Se calhar ele nem percebe que é por isso mesmo que podemos estar democraticamente descansados quanto à hipótese académica que levantou

 

Seremos governo, se e quando o povo português quiser
 
(Jerónimo de Sousa no JN)

 

Publicado por João Tunes às 00:52
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Um dedo numa ferida

 

Aí, no Governo, é que tudo se joga. E, aí, os eleitores não metem prego nem estopa. Os partidos deviam anunciar a composição dos governos que propõem aos portugueses e não as inúteis listas de "yes men" que eles irão principescamente pagar durante os próximos quatro anos.

 

Publicado por João Tunes às 10:49
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009

Ao Cinema, como não podem matá-lo, vão-lhe dando umas facadas

 

O Festival de Veneza homenageia Stallone.

 

Publicado por João Tunes às 23:41
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Os 83 anos de Fidel comemorados com o paradigma WC em versão marxista-leninista

 

Os cubanos estão tão profundamente ligados a Fidel Castro que depois de uma doença intestinal retirar ao Comandante a capacidade de continuar a dirigir a revolução, o povo cubano está agora privado do acesso ao papel higiénico.

 

Publicado por João Tunes às 22:51
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Não façam mal aos garotos, dêem-lhes chá, muito chá a beber, até um clister de chá se a judite tiver coisas dessas, porque um monárquico com falta de chá é apenas um plebeu suburbano e chunga

 

Dois membros do Movimento 31 da Armada foram hoje à tarde levados por elementos da Polícia Judiciária quando se dirigiram à Câmara Municipal de Lisboa para devolverem a bandeira da autarquia, disse à Lusa fonte próxima do movimento.
Rodrigo Moita de Deus e Henrique Burnay foram os elementos do 31 da Armada levados pela PJ quando tentatavam entregar a bandeira da autarquia, "devidamente engomada", que substituíram pela bandeira monárquica na noite de segunda-feira, acrescentou a mesma fonte.

 

Publicado por João Tunes às 22:28
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Um bom vizinho que invade, leva no coco e se retira coberto de derrotas, baixas e vergonha

 

A história na escrita de um estalinista é mais dócil que a plasticina. Não lhe custa nada emendar, deturpar e camuflar. O que é necessário é que tudo bata certo com os cânones maniqueístas do bem revolucionário e do mal imperialista. Já no estertor da decadência da liderança de Brejnev no PCUS, com este muito doente e incapacitado, no final da década de 70, a URSS enfiou-se numa das suas aventuras militares e imperiais mais mal sucedidas – a invasão e tentativa de ocupação do Afeganistão, com as tropas especiais do KGB a assassinarem e substituírem os dirigentes afegãos. O que se seguiu foi uma sucessão de derrotas humilhantes que trouxeram para o espólio do Exército Vermelho uma grande colecção de mortos, estropiados e humilhações. A URSS tinha-se atolado no “seu Vietname”. Só a gestão Gorbatchov teve a capacidade decisória de enfrentar o óbvio: numa guerra perdida, a retirada e reconhecimento da derrota é o que resta a quem invadiu e ocupou. Foi o que fez, sem outra alternativa que a de engolir uma retirada militar total, deixando os tallibans incrustados no poder e fazendo regredir a sociedade afegã para a sua fase mais feudal e reaccionária. Na altura, a estupidez e insanidade da invasão soviética do Afeganistão chocaram o mundo, merecendo o repúdio quase generalizado. A grande excepção, pelo apoio à invasão soviética, veio de Álvaro Cunhal e do PCP, incapacitados que estiveram sempre de não apoiarem (entusiasticamente) tudo que os seus camaradas do Kremlin, seus irmãos-tutores, decidissem. Hoje, Albano Nunes, discípulo de Cunhal, altíssimo dirigente do PCP onde controla as relações internacionais deste partido, continua a olhar essa página vergonhosa do comunismo imperial soviético com o mesmo enlevo e cumplicidade com que Cunhal saudou a entrada dos tanques marxistas-leninistas no território afegão:
 
O povo afegão tem História. É necessário não permitir que a componente patriótica e revolucionária dessa história milenar seja soterrada na campanha de desinformação que rodeia a guerra no Afeganistão. Um berço da civilização humana. Um povo mosaico de muitos povos que se tornou conhecido pela resposta corajosa que deu a repetidas invasões, particularmente do imperialismo britânico. Um país solidário com a Revolução de Outubro e que manteve com a URSS relações de boa vizinhança. Um povo que se libertou da monarquia feudal e que em Abril de 1978, sob a direcção do Partido Democrático e Popular, empreendeu o caminho de profundas transformações revolucionárias, num processo complexo mas exaltante, que acabou derrotado pela acção conjugada das forças feudais e obscurantistas e da conspiração imperialista que, como reconheceu Brezinsky, o célebre «conselheiro para a segurança» de James Carter, começou muito antes da entrada das tropas soviéticas no país.
 

Como se confirma, o “Avante” tem um bom stock de plasticina para os seus escribas dedicados à história e à política.

 

Publicado por João Tunes às 11:37
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

Em Alcochete, as festas desorientam as orientações

 

Houve aqui uma orientação do Comité Central que entupiu. Os sopapos da CDU deviam ter ido para um candidato do PS, onde está a direita.

 

Publicado por João Tunes às 22:23
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A real canalhada pendurou a fralda

 

Um grupinho da canalha real decidiu tirar a fralda azul e branca e pendurar esse trapo na varanda da Câmara de Lisboa, acompanhando a bravata própria de suburbanos relapsos à escolaridade, à educação e aos costumes civilizados, com o surripianço da bandeira municipal lisboeta. Em leitura directa do gesto marginal, declararam, com a ajuda de um escadote, que os alfacinhas, por umas horas, eram súbditos forçados do tonto-chefe da realeza. Deram sinal duplo de cobardia: mascararam o apoio popular de que carecem pela bravata guerrilheira dos vanguardistas; faltando-lhes balanço para escalarem o Palácio de Belém e aí mudarem as bandeiras, limitaram-se ao acto simbólico menor de montarem um reino municipal. Paguem agora a factura ao Estado de Direito pela tropelia. Os reizinhos chungas não podem estar acima da lei.

 

Publicado por João Tunes às 20:16
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Solnado tanto banalizou o absurdo que meteu todos a rir quando morreu

 

Merece um “estudo de caso" a unanimidade nacional da verificada simpatia funerária à volta da figura de Raul Solnado. É que estando muito ausente há muitos anos do contacto profissional, enquanto humorista, com o público, o grande público, sem que esse hiato tivesse provocado petições e exigências, Raul Solnado era, afinal, uma permanência popular no alimento de humor e piadas, uma espécie de Charlot lusitano. Funcionando num registo de memória de “momentos inesquecíveis” idos. Apesar de Solnado ter evidentes limitações enquanto artista. A sua capacidade histriónica estava quase circunscrita ao rosto, com os trejeitos tão repetidos que todos eles eram previsíveis. A sua dicção era uma constante luta de superação de handicaps. O seu discurso humorístico navegava no anedótico do non-sense revisteiro. E sempre que Solnado experimentou o cinema e o teatro numa dimensão não humorística, fez trabalho limpinho mas banalíssimo. Mas Solnado tinha, a um nível que talvez só Ivone Silva e José Viana tenham partilhado (uma e outro artistas mais talentosos que Solnado mas menos aptos a estabelecerem o mesmo alto nível de cumplicidade com o público), uma capacidade de derramar bonomia que identificava artista e pessoa. Como pessoa, era inevitável considerá-lo uma “boa pessoa” e, enquanto registo cultural, Solnado era um “transgressor” mais transversal que questionante, um companheiro cómodo na desconstrução humorística que nos fazia rir de qualquer coisa sem que alguma coisa tivesse de mudar depois da piada de riso aberto que ele provocava. Essa mistura de gostos por pessoas boas e pelo conformismo bem embalado de aparência irreverente (mesmo o celebrado Zip-Zip não foi mais que uma espécie televisiva de “conformismo marcelista”) construíram um gosto popular de unanimidade para com Solnado. Gosto popular este que tinha qualquer coisa de muito próprio, conseguindo sobreviver sem ele na sua profissão. E que levou o povo a só voltar a rir-se dele, Solnado, porque Solnado morreu, na sua peça de sucesso mais absurdo.  Quem mais se poderá gabar disso?

 

Publicado por João Tunes às 23:37
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

Pode-se até dizer que, desta vez, o Dom Távora não imaginou mal uma grande curtição mas falta saber se não anda é a copiar os blogues da carbonária ou outras porcarias espirituais

 

Um Papa que não reze e em vez disso se inscreva no Bloco de Esquerda, impluda o Vaticano, fume umas ganzas e se converta ao budismo.

 

Publicado por João Tunes às 20:00
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Ai Jesus que assim vamos lá

 

Uma sensação estranha esta: artistas aos molhos, equipa(s), jogarem bem, ganharem, convencerem. Mas é como tudo, tarda nada vem o hábito. Venha ele, o hábito esquecido.
 
 
Publicado por João Tunes às 19:06
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