
Andam por aí. Dizem-se católicos da sociedade civil mas são insaciáveis nas recomendações políticas que (re)metam a sociedade laica nas baias intelectuais dos seus missais, no retrocesso desejado ao país de religião oficial e obrigatória. Questionam os partidos para darem respostas à sua agenda de forma a subentenderem-se os interditos pré-determinados, votando-se no que mais lhes convém, ou seja, no que mais se aproxime da predominância católica, a banda mais à direita. Peticionam com linguagem boçal sobre a política, os políticos e as instituições democráticas, exigindo a anulação de um referendo que perderam. Não vai ser a última vez que esvoaçam desde os seus ninhos construídos nas sacristias. Andam por aí. Vão andar por aí.

Tem um alcance simbólico que não consigo atingir, Cavaco Silva meter o tipo que dirige as Caixas Multibanco no Conselho de Estado.

Embora alguns dos aderentes tenham pudicamente omitido a parte explícita de decisão e apelo de voto na transcrição que fizeram do compromisso editorial, saudamos o Simplex enquanto clarificação madrugadora da blogosfera como peditórios de votos, explicando-nos as suas motivações:
Não me furtarei a lê-los, dando-lhes todas as oportunidades para me convencerem. Por isso mesmo, não lhes perdoarei se na próxima noite eleitoral deixarem Sócrates só e abandonado no Altis a falar, madrugada dentro, paras as moscas e a televisão, com todos os bloggers simplex a irem em passo de corrida fumar um cigarro “lá fora” numa viagem só de ida. Até lá, força camaradas.

Pois eu lembro-me bem. Há quarenta anos eu não duvidava da chegada do homem à lua nem imaginava o Tomás a cortar a fita da inauguração da visita espacial, mas não celebrei o feito, antes o senti como sinto cada vez que uma bola entra na baliza do Benfica. Aquilo era mais uma invasão-ocupação do imperialismo norte-americano, do género posterior do Bush a entrar no Iraque. E arrepiava ver os gajos a espetarem a bandeira americana na lua. "Nós" a começarmos o jogo prontos para a goleada rematando com o "sputnik", a "Laika", o Gagarine e a Valentina, e aquela espécie de "andrades yankies" a levantarem a taça, lá na lua.

O que as eleições têm de melhor é isto, os candidatos ficarem a saber que os portugueses vivem “com algumas realidades muito pior do que esperava”. O problema vem depois (das eleições). Quando, na memória, se apagar o que se viu, ouviu e sentiu nas digressões do peditório do voto. Pois que, se bem me lembro, Ana Gomes está longe de ser noviça como eleita pelos votos do "bom povo português".

Há muito que forças poderosas estão abertamente empenhadas em desmantelar as tradicionais colunas da moral nacional. Discursos políticos e desenhos animados, relatórios de peritos, revistas da moda e programas humorísticos desdenham da ética e propõem a transgressão sem vergonha. Em nome da liberdade, progresso e dinamismo atacam-se os valores que nos orientam há séculos. A religião é obsoleta, a família tacanha, a ética ridícula. Por interesses comerciais, fidelidades ideológicas ou simples divertimento mediático é costume hoje, não só desprezar a honestidade e seriedade, mas exaltar o atrevimento e a rebeldia. Não admira a crise na Justiça.
Os valores continuam respeitados na vida pessoal dos cidadãos e nos pronunciamentos oficiais, até porque é impossível viver sem eles. Mas isso passa-se à margem da cultura dominante, que recomenda arbitrariedade e atrevimento. Aí poucos princípios são sagrados, fora da ecologia, tabaco e trânsito. Pode dizer-se que os nossos antepassados eram mesquinhos e as suas regras abafadas, mas nós substituímo-las pela confusão, desmantelando as referências em nome da autonomia.