Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Está encontrado o agente a soldo do governo e da PT que, segundo as oposições, substituiria José Eduardo Moniz no controlo editorial da TVI. Pelas declarações, deve ser o da foto.
Adenda do dia seguinte: Não tenho canal de comunicação com Sócrates. Por isso, não contava que ele, tão rapidamente, confirmasse o que aqui apenas se insinuava. O PS, como consequência directa dos últimos resultados eleitorais, está prisioneiro da agitação política concertada entre a Presidência da República e o PSD, rumo à alternância de governação já no final do ano. Com as esquerdas oposicionistas, gordinhas mas paralíticas, sem saberem o que fazer com os 20% de votos de protesto, a ver Cavaco e Manuela a cozerem as favas do faval de contestação que semearam e que não têm talento criativo para transformar em projecto alternativo de esquerda que passe do protestar e denunciar ao fazer. Mas o PS, assim, não vai longe. Passar de um partido maioritário absoluto e arrogante a partido rebocado pela chicana da concorrência, com a esquerda radical a servir de pajem da direita reanimada (sobretudo oxigenada a partir de Belém), é, nitidamente, aceitar passar de cavalo de cortesias para burro de arreata.

Para confirmar se Cavaco Silva reactivou a filiação no PSD com a tarefa de ser muleta de MFL, espero por uma segunda prova, a de fazer um gaspacho com as eleições legislativas e autárquicas. Porque a primeira prova já a deu hoje quando se meteu publicamente com os negócios da PT e alimentando a chicana laranja.
Adenda (após a comunicação de Sexa sobre as datas das eleições): O gaspacho ficou adiado lá mais para o Verão.

Assisti à entrevista com MFL na SIC. E fiquei com uma sensação de sobressalto ao constatar como, pela surra, nestes tempos em que Sócrates foi corroído à esquerda (merecidamente e só terão falhado as pedras que caíram no chão), a direita sinistra, a direita reaccionária e autoritária, foi preparando a sua revanche por ausência com fome de poder. Ancorando-se em dois pilares: contabilizar em seu proveito o desgaste movido a Sócrates pela esquerda e a referência simbólica e de surdina de Cavaco Silva. Depois, lendo um texto de Ana Paula Fitas, constato que, havendo quem dissecou a entrevista tão claramente, me posso permitir limitar-me a transcrevê-la:
Manuela Ferreira Leite surgiu sem efeitos dissimuladores excessivos em termos de maquilhagem, contente consigo própria (com razão, designadamente pelas baixas expectativas que a sua liderança trouxe ao maior partido da oposição até às recentes eleições europeias), assertiva e sistémica na verbalidade... como se não via há muito, diria - talvez desde que terminou o seu mandato como Ministra das Finanças!... Contudo... alegria de Pirro!, tudo devido ao efeito do deslumbramento provocado pelo resultado das Europeias, eleições cuja natureza se reduziu à emissão de um sinal sobre os caminhos da governação ou, talvez mais objectivamente, um sinal sobre o descalabro social das condições de vida das famílias e a re-emergência da pobreza... Manuela Ferreira Leite nada disse de novo. Sistematizou o que tem vindo a dizer, em frases soltas e intervenções pontuais, só que, desta vez, com maior contundência e fluência, influenciada pelo regozijo provocado pela imagem de revitalização que o resultado de 7 de Junho induziu na actual direcção das hostes sociais-democratas... punho esquerdo fechado sobre a mesa, num inequívoco gesto de agressividade contida em termos de manifestação expressiva, Manuela Ferreira Leite alegou que: a) não é preciso autorização para abrir "uma sapataria ou um café" (argumento assaz bizarro para uma economista que, pelos vistos, tão arredada tem andado desde sempre da realidade, que nunca ouviu falar em licenças ou alvarás?!!?); b) designou a derrocada internacional do sistema financeiro e os seus reflexos nas economias nacionais (referindo-se, designadamente, à economia portuguesa) como um "abalozinho de terra"; c) afirmou alto e bom som que, a ser PM, não aumentaria impostos nem reduziria os custos da política de acção social (sem explicar como é que aumenta as receitas nacionais com estes dois "a priori"); d) insistiu em falar no apoio às PME's sem que diga com que critérios (pois, como diz o próprio ex-Ministro Mira Amaral, "nunca haverá dinheiro suficiente para apoiar todas as PME's", deixa sem resposta a apresentação de uma programa económico sustentável para o país; e) nem sequer tem a coragem de abordar um problema que, desde que se tornou "moda" condenar os investimentos públicos se tornou "inexistente", a saber, como justificar o não recurso ao significativo volume dos fundos comunitários exclusivamente aplicáveis a investimentos específicos, como é, por exemplo, o caso do TGV... Em jeito de balanço, é caso para se reflectir sobre se a oposição e a crítica a determinada praxis política, legitima, por si só, o seu oposto... Penso que não... de facto, penso que não!
Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

O escriba é meio bimbo com outra metade por definir. Mas canta segundo a música da época. Porque é fashion. Em dia de muita sensibilidade, por ser de São João, a democracia do alho porro e martelinhos plásticos que será aquela a que melhor se ajeita, encadernou discurso da direita social mais rançosa, batendo mais do mesmo no “bombo Autoeuropa”:
Ficamos todos a saber que na Autoeuropa de Setúbal há 1381 trabalhadores para quem a solidariedade é uma palavra vã. 1381 profissionais que não estão dispostos a abdicar de umas migalhas para que 250 dos seus colegas possam ter o pão do-dia a-dia.
A Autoeuropa está onde está graças ao esforço de milhões de portugueses. Se veio para cá e cá continua é porque este Governo, bem como os anteriores, fizeram das tripas coração para a obter e para que cá continuasse, mesmo em tempos de enorme crise no sector como aquela que atravessamos. Quem diz o Governo, diz todos nós, porque se trata dos impostos pagos pelos contribuintes de todo o país, que foram solidários com o problema de desemprego que afligia toda a região de Setúbal nessa época. Quem é que não se lembra das manifestações em que se falava de fome e se empunhavam bandeiras negras?
Pois estes 1381 trabalhadores, que escaparam da miséria e estão melhor na vida graças a isso tudo, que estão fartos de ganhar horas extraordinárias pagas a mais de 200% e já beneficiaram de muitos dias pagos sem trabalharem (ainda que aí a culpa não seja deles) não foram capazes de acertar uma pequena redução no pagamento de algumas das suas horas extraordinárias, que permitisse salvar o emprego a 250 dos seus colegas.
Extraordinária é esta estória de verdadeira "traição", que me choca particularmente em dia de S. João. Um feriado que se segue a uma noite de rusgas populares e festa garantida até às tantas, em que milhares de portuenses e forasteiros dão as mãos e comungam de uma alegria de viver solidária que nem umas marteladas nem o cheiro a alho porro é capaz de estragar.

Este camarada exulta exuberantemente com tudo que são más notícias sobre o país. Como não é suposto ser da banda das revoluções em que se pensa que quanto pior melhor, ainda acaba a trocar o clube da águia por um outro que tenha um urubu no emblema.
Adenda: E não é que o mau presságio se confirmou logo a seguir? É isso, tenho um dedinho que é bom a adivinhar.

Já não incomoda nem tem direito a impacto que um antigo autarca tenha sido condenado, por actos ilícitos quando era Edil, a três anos de prisão. Trafulhice autárquica é tão banal que não faz história nem estória. Até porque, se Nuno Cardoso foi condenado, viu não só a pena ser suspensa como o clube que ele favoreceu com perdão de coima anda agora pelas ruas da amargura de despromoção em despromoção até à extinção, ajudando a que, em cima do apagão salgueirista, o Porto se tenha transformado em cidade ainda mais bairrista, quase de clube único.
Nuno Cardoso invocou em sua defesa e perante os jornalistas, provavelmente com a sua voz de tenor mediada por golfadas arfantes de asmático em vias de asfixia, que não passava de um autarca pateta que assinava despachos ditados pelo chefe da polícia municipal (o qual, presume-se, seria um indefectível membro da claque “Panteras Negras”) e sem os submeter ao crivo do raciocínio. E será por isso que vai recorrer da sentença, invocando o direito á patetice.
Sabe-se como os povos deste país adoram os autarcas trafulhas metidos em bolandas com a justiça. Porque acham que todos os crimes que cometam são pelo bem da terra e dos seus patrícios. E se os crimes se confirmam e o juiz puxa do livro das penas, tanto melhor, é sinal que o dirigente municipal não se travou em pruridos para com a lei para defender os interesses concelhios. Nuno Cardoso sabe disso. Tanto que, condecorado agora com uma sentença, exulta e anuncia: “Estou de volta à política!”. Este homem, além de engenheiro, é um grande antropólogo. E, olhando para o seu PS e para a candidata bi-Elisa, lá achará que, por ali, não lhe renegarão os méritos e os préstimos.

A culpa é do Paulo, amigo feito por aqui e que encontrei em esquinas das lembranças das bolanhas que nos ensoparam as fardas, que me veio lembrar nomes dissonantes dos tempos de chumbo. Lembrou-me ele, num comentário a um post anterior, que conhecera acidentalmente um tal Estaline de Jesus, nascido e criado na terra que me fez homem. E como atrás de um Estaline há sempre um Lenine a inspirá-lo, vice-versa também, digam o que disserem os que sempre acharam que as duas criaturas formavam uma contradição, o apontamento do Paulo lembrou-me que, no mesmo Barreiro, viveu um Lenine de pouca duração quanto à posse de nome brasonado nas tradições da terra, ontem vila operária e hoje urbe dormitório, tão mudada que quase só o Tejo se mantém a massajar-lhe o dorso. Foi esse vivo de memória que plantei aqui.
Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Se a burka é uma praga colaboracionista com a supremacia masculina, uma espécie de sindicalismo amarelo, proibi-la é como a inscrição obrigatória num sindicato de classe para garantir o emprego. O melhor mesmo será dar-lhes o tempo que necessitam para que o desconforto e o ridículo tornem a burka insuportável.

É estranho que economistas famosos que passaram por governos sem terem dado conta do entorse entre economia e finanças que eles ajudaram a tornar-se em doença de crise se dediquem agora a publicar manifestos em vez de voltarem, como alunos cábulas, às aulas nas faculdades, tanto mais que alguns estão lá (a ensinarem).
Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Centenário de Vasco de Carvalho - destacado resistente antifascista
Colóquio com São José Almeida (jornalista), José Hipólito dos Santos, Eugénio Mota e Isabel Rebelo (antigos companheiros de Vasco de Carvalho) e Luís Carvalho (investigador e organizador)
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009 - 18h30 - Biblioteca Museu República e Resistência (Espaço Cidade Universitária), Lisboa.

Pois se César das Neves tivesse ido a Toledo, não sendo relevante se foi ou não, receber o novo Arcebispo, Braulio Rodriguéz, na foto, não sabe o que perdeu. Ali teria do que gosta, com pompa e solenidade: o Edil (homem do PSOE) a bajular o novo chefe católico daquela urbe e grã paróquia. Como disse a “Alternativa Laica” (haja deus que nem todos se ajoelham aos príncipes da Igreja), a peça exibicionista desta tomada de posse foi mais uma demonstração de notoriedade eclesiástica que contrasta com a humildade apregoada (para os outros).

Nós sabemos do que fala (e, no fundo, do que gosta) quando César das Neves diz “As experiências portuguesas com regimes constitucionais, liberais e republicanos foram vergonhosas”. Porque sabemos o que existiu antes do liberalismo e no período do (longo) intervalo ditatorial. E conhecemos o fio de continuidade no apego de César das Neves, quando, reclamando que “os venenos antigos permanecem”, vitupera:
No liberalismo, era a expulsão das ordens religiosas, hoje, o aborto e a eutanásia. Na república afonsista era a lei da separação, hoje, o divórcio dos casais e o casamento de homossexuais. A falta de regulamentação da Concordata manifesta como persistem os fumos da Carbonária.
O que este homem gosta mesmo é de sotainas a mandar.