Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

De uma Cidade transfigurada e de um Presidente que antes fora Vice e depois passou à condição de defunto por acidente com a gravata. Aqui.
Foto: Sadam Hussein e Al Bakar, quando ambos se riam na sua parceria no poder.
Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

O Vaticano está reunido para decidir se os inconvenientes do uso do preservativo masculino se aplicam na mesma medida doutrinária ao preservativo feminino bem como a eventual justificação de o Papa se pronunciar sobre a questão numa próxima viagem evangélica.

A primeira das três batalhas eleitorais que temos pela frente – as eleições europeias dentro de dois meses – assume uma importância que vai muito para além da temática europeia.
Caso para dizer: a Europa é só temática, não enche barriga.

Cartaz afixado num bar da localidade espanhola de Castelldefels.
(sacado daqui)

Enquanto uma civilização quer levar Omar el-Béchir a Tribunal por crimes de guerra e genocídio no Darfur a outra civilização passeio-o com homenagens.

Se o próprio Estado de Israel ainda existe é porque o longo braço da ontologia islâmica lá não chega. Chega já, porém, ao Reino Unido, onde o Holocausto e as Cruzadas foram retirados dos programas de História com medo (o medo, esse mestre mudo, sempre foi o grande educador dos infiéis) de ferir a "sensibilidade" da comunidade islâmica.
(Manuel António Pina no JN)

Faz hoje 70 anos que terminou a última guerra em que Portugal participou no lado vencedor. Chamavam-se de “Viriatos” os combatentes portugueses enviados como mercenários do salazarismo. Ali, em terras espanholas, mataram e foram mortos ao lado dos “matadores” de Franco, Hitler e Mussolini. Pela ditadura e pelo fascismo, pelo domínio da Santa Madre Igreja Católica, contra a República de Espanha, contra a democracia e contra as liberdades. Em Madrid comemoraram, há 70 anos, a primeira vitória militar do nazi-fascismo que deixou a Espanha mergulhada numa ditadura, impiedosa para com os vencidos, que duraria 36 anos, a somar aos sofrimentos e morte de três anos de uma guerra cruel que ceifou as vidas a um milhão de espanhóis.
Imagem: Cartaz franquista a celebrar as amizades que permitiram a vitória do fascismo espanhol.
Nota: Sobre a efeméride, ler o "caderno especial" da edição de Publico.es.

Estou convencido de que José Manuel Durão Barroso tem sido o homem certo no lugar certo e no momento certo e de que continuará a sê-lo ainda mais após a sua muito provável reeleição (…) Mas a visão estratégica, o fino sentido político, a habilidade, a persistência e mesmo a paciência de Durão Barroso têm-se defrontado com obstáculos da mais variada ordem (incluindo alguma manipulação da opinião pública, como é evidente em França) que decorrem da maneira centrífuga e egoísta como cada um dos grandes, hipocritamente disfarçado de antiproteccionista, tenta puxar a brasa à sua sardinha nacional e tirar o cavalinho da enxurrada do desastre.
(Vasco Graça Moura no DN)

Depois de décadas sob a ameaça da inflação, esse grande roedor dos salários reais / poder de compra, eis que está aí o problema, ainda maior, da deflação. Numa sociedade com algum equilíbrio entre oferta e procura e que tivesse os movimentos da procura assentes num real poder de compra, uma etapa temporária de deflação seria um fenómeno positivo para os consumidores, na medida que ajustaria os preços e geraria competitividade no fornecimento de produtos e serviços. Mas esta deflação é uma das grandes bolhas da crise e prenuncia efeitos sociais tremendos em que aquilo que agora se vê não chega a ser uma amostra. E que tem, como hipótese, um único resultado positivo á vista: o estoiro da cultura consumista e do seu suporte sócio-económico.
A desproporção do monstro consumista estava latente como a rã da fábula. O comércio ao concentrar-se em grandes superfícies em vez de se racionalizar expandiu-se, gerando a multiplicação da oferta. Os consumidores não resistiram à religiosidade dos novos templos de comércio-lazer, gastando acima do poder de compra real e por recurso parcial ao crédito. Este boom consumista, simultâneo com a diminuição da produção de riqueza pela actividade transformadora criadora de mais-valia (em que esta rarefacção produtiva libertou uma massa imensa de mão-de-obra em conjugação com o vector convergente do resultado da inovação tecnológica nas empresas que sobreviveram), foi ainda um gigantesco gerador de postos de trabalho (um grande shopping alberga centenas e é o sucedâneo moderno das grandes concentrações operárias do passado) que funcionou como almofada amortecedora do desemprego.
Com a crise do crédito e o incremento do receio perante o futuro, apesar de um ligeiro mas positivo aumento do poder de compra, os consumidores retraíram-se drástica e repentinamente no consumo. Uns querem ter dinheiro à mão para enfrentarem o incerto do amanhã. Muitos outros, chutados dos seus empregos, não compram, não podem comprar, acima das necessidades de sobrevivência. Nos pontos de venda, os stocks acumulam-se, as vendas baixam, o expediente é baixar os preços, multiplicando “saldos” e “promoções”. Neste movimento de inércia sem mostras de retorno, temos a deflação. Quantos vão aguentar? Quantos postos de trabalho se vão salvar? Qual o preço do fim da sociedade de consumo que andámos a alimentar? Haja por aí uma alma que me (nos) anime. De preferência, que não seja economista ou gestor.