Quinta-feira, 26 de Março de 2009

Eu não considero um pormenor o Le Pen ser deputado no Parlamento Europeu. É que não me envergonho com pormenores e ao ver o Le Pen ali sentado sinto-me a corar. Por impotência.

Estragam-me com mimos. Ontem o “Público” a transcrever-me mais uma vez (mas, como costume, sem identificar o autor), hoje a Joana a dar-me uma Taça porque acha que ando a marcar bem os penalties. Ao jornal do JMF não agradeço porque pago o exemplar que compro todas as manhãs. A Joana está desculpada porque como anda a remexer nos armários para fazer as malas para a sua viagem à Indochina, deve ter encontrado uns prémios esquecidos e como para onde vai a Internet tem limites anda a distribui-los pelos amigos. De qualquer forma, porque não sou mal agradecido, muito obrigado.
Quarta-feira, 25 de Março de 2009

As prisões ocorridas há precisamente 60 anos no Luso, numa casa clandestina do PCP, de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira, uma operação que envolveu a PIDE e a GNR, são um marco na história da luta contra a ditadura e na história do PCP. Por um lado, pelas consequências deste golpe policial sobre a operacionalidade do aparelho clandestino comunista, trave mestra da resistência e luta contra o fascismo; por outro, porque a prisão de Cunhal permitiu a ascensão de Júlio Fogaça à direcção suprema do PCP e assim iniciar uma mudança profunda na linha política relativamente ao derrube do fascismo, particularmente marcada depois por efeito da morte de Estaline (1953) e do XX Congresso (krutchoviano) do PCUS (1956). Mudança esta que vinha sendo perspectivada e afirmada já desde trás entre o núcleo de dirigentes do PCP presos no Tarrafal, envolvendo nomeadamente Bento Gonçalves, Militão Ribeiro e Júlio Fogaça.
A gestão Fogaça (1949-60) é uma época insuficientemente estudada na abordagem histórica da vida do PCP e em que se integrou como grande marco político o V Congresso (1957). Para além da manutenção da brutalidade sectária e autoritária no tratamento das questões de quadros vinda da reorganização estalinista dos anos 40, politicamente, e na perspectiva da hipótese de ser possível uma transição pacífica do fascismo para a ditadura (muito por decalque da tese krutchoviana da “coexistência pacífica”), verificou-se um novo tipo de confluência no combate à ditadura entre comunistas, democratas e militares que se iam separando do regime, de que a campanha de Delgado (1958) foi a expressão mais acabada e notável. Cunhal, que só se libertou da prisão em 1960, foi inclusive alvo de uma certa ostracização (que atingiu o seu pico na preparação e realização do V Congresso) sob a capa do “combate ao culto da personalidade”. Com a fuga de Peniche (1960) e a prisão mais o afastamento de Fogaça (acusado de falta de cuidados conspirativos e pela sua homossexualidade) que remeteu este ao absoluto silêncio e paralisia de intervenção, Cunhal toma as rédeas absolutas da direcção do PCP, reforça a soldadura do PCP ao PCUS e, num típico golpe partidário, corrige a linha política aprovada em congresso com rectificação das teses comunistas anteriores catalogadas como “desvio de direita”.
Com Fogaça fora do partido, Militão Ribeiro morto na prisão (a hipótese de suicídio tem a sua consistência mas nunca foi plenamente confirmada), com Bento Gonçalves morto e enterrado no Tarrafal e politicamente esquecido, Cunhal, sediado fora do país entre a fuga e 1974 (Moscovo-Praga-Paris), um mix não filtrável de líder carismático e líder autoritário, assume-se como chefe único e incontestado e reorganiza a direcção, recuperando para a sua linha política e para a fidelidade absoluta perante si, um núcleo dirigente que se manteria monolítico na direcção do PCP até muito depois do 25 de Abril (mais precisamente, até que Cunhal teve capacidade física para exercer a liderança) mas que, antes da fuga de Cunhal, havia funcionado, na sua maioria, como “estado-maior” de Fogaça na concretização do “desvio de direita”. Provavelmente, este “pecado” do “desvio” nos currículos pesou para sempre, entre o núcleo de fiéis e próximos de Cunhal, como um selo de fidelidade-purgatório.
Entretanto, é neste seu tempo de prisão (1949-60), passado na Penitenciária de Lisboa e em Peniche, parte dele em completo isolamento (mas em que, surpreendentemente, não foi torturado, não foi enviado para o Tarrafal que ainda estava a funcionar e foi-lhe permitido prestar provas de conclusão do seu curso de Direito), que Cunhal concretiza as suas inclinações estéticas e literárias, através dos seus famosos desenhos e de grande parte da obra literária que editou depois sob o pseudónimo de Manuel Tiago.
Nota: Quanto aos acontecimentos no Luso, ocorridos há 60 anos, tem muito interesse o testemunho da única actual sobrevivente destas prisões, Sofia Ferreira, que aqui se pode colher (boleia obtida daqui).

(decoração de protesto envolvendo uma caixa multibanco na Catalunha)

Não creio que seja falta de internacionalismo proletário do Bloco, caro José Simões. Pelo contrário. Eles não gramam os eslovacos porque se separaram dos checos numa demonstração de nacionalismo retrógrado.
Terça-feira, 24 de Março de 2009

Leio este magnífico texto de Rui Bebiano que nos remete para o imaginário libertário construído à volta da idealização da figura do cigano, um mito que hoje se deixou apodrecer até à evidência crua com que nos tempos actuais se exclui e se segrega em nome, santa hipocrisia, da discriminação positiva, mesmo perante a evidência de uma separação carcerária. Quando, é certo, o imaginário de um povo, mormente os da plenitude juvenil, valerão quando muito dois cêntimos na loja socrático-política dos trezentos em que um magalhães faz a vez de uma criança feliz e aplicada e um painel solar pendurado no telhado é pneu recauchutado na viatura da velha máxima que recomendava “beba vinho para dar de comer a um milhão de portugueses”. Mas, não disparando só pela janela, também apontando a arma para corpo seu, o do romantismo revisitado, Rui Bebiano explica magistralmente como o carril político e ideológico pode trazer para dentro de cada um de nós uma qualquer Margarida da DREN que nos mate o sonho dando dois tiros na utopia.
Voando com asas abertas por efeito de perspicácia alheia, o texto de Rui Bebiano envia-me para a lembrança de outro mito romântico e libertário que foi alternativa, mas mantendo similitudes vincadas, ao mito cigano e que os tempos sepultaram com a marca da viagem de esquecimento sem regresso. Refiro-me ao maltês que ecoou no imaginário alentejano feito cultura pela mão dos neo-realistas e que Manuel da Fonseca, sobretudo ele mas não só, transformou em marca literária de excelência (leia-se aqui um hino poético em sua honra passado a canção por Vitorino). Este vagabundo, uma espécie de homeless camponês, com evidente inspiração chaplinesca, sem marca étnica que não a da rebeldia, tipificado como corpo de resistência à ordem latifundiária. Mas, igualmente como Charlot, recusando o alinhamento social e os códigos de compromisso ou luta, vivendo da poesia do luar feito almofada e cobertor e de pequenos roubos de alimentos em estado bruto para matar a fome. Permanentemente acossado por guardas republicanos, o maltês foi, para a esquerda desejosa que a ordem fascista se desfizesse, um sucedâneo à “inconsequência cigana” (que Rui Bebiano muito bem configura num julgamento de severidade marxista) necessário para condimentar a sede de romantismo tendencialmente contrariada pelo pragmatismo da eficácia política. Isto enquanto fez de ponte, para os urbanos letrados e antifascistas, com o distante camponês alentejano, esse proletário despojado até à fome, envolvido numa camaradagem comunista que era a única em que confiava e que tinha como sua mas com as suas raízes culturais bem mergulhadas num caldo misto de herança muçulmana e do anarco-sindicalismo que o tinham iniciado na politização, marcando-o desde o advento da República se não antes. O maltês estava muito longe do estereótipo do camponês proletário que lutava pelas quarenta horas mas era integrável na idealização radical de rejeição do latifúndio sem o incómodo da tentativa baldada de domesticar a figura compósita do cigano. Servia às mil maravilhas como compromisso entre o realismo político da luta e a transgressão da permanência do sonho romântico que muitos não despegavam da ideia da revolução. Depois, como se sabe, o último maltês não foi morto por um guarda republicano, nem por pancadas de um feitor, também não morreu de torturas numa masmorra da PIDE. O último maltês faleceu de morte política com a Reforma Agrária, deitado numa cama a cheirar a alfazema e alecrim, comendo comida repartida, após uma reunião do partido que lhe liquidou, por suspeita de ser atrevimento de dissidência, o olhar de vagabundo com que teimava imitar Charlot.
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Adenda: Agradeço, pelo exemplo de solidariedade simplificada pela tecnologia, a música que aqui faltou e que a Joana Lopes, com a sua costumeira eficiência, emprestou a este post. Abraços, pois, um para o inspirador e outro para a sonoplasta.

O PCP anunciou para 23 de Maio a realização em Lisboa de uma “Marcha de protesto, ruptura e confiança” como aperitivo identitário à primeira campanha eleitoral deste ano. Decisão que, sendo absolutamente legítima, é sobretudo muito interessante.
Primeiro, porque confirma que eleições, conforme o marxismo-leninismo ensina, são sobremesas de lutas de massas que, em vez de urnas de voto, se alimentam e engordam de povo nas ruas e nas fábricas, esse povo manifestante mobilizado e enquadrado por controleiros designados em crédito de confiança certificado pelo Comité Central. E, para os comunistas, o voto só é uma arma do povo contra a burguesia se fôr espera catalizadora da revolução, salvífica essa sim.
Segundo, porque dispensando desta vez o selo convocatório da CGTP, o PCP quer demonstrar que, usando a mesma logística e o mesmo enquadramento orgânico, que são farinha da mesma peneira, mobiliza tanto ou quase como a central sindical de que se apropriou, desviando-a da procura de soluções para os problemas dos trabalhadores em benefício exclusivo do cumprimento da agenda partidária muito sua.
Terceiro e finalmente, nesta manif, o Chico, o que mais medo mete hoje a Jerónimo na hora da contagem de votos, ali não tem hipótese de se pendurar. Aprender, aprender sempre, ensinou Lenine.

Descontando os séculos antes que, com benevolência, se abatem a juízo por fazerem parte de História Antiga, mas lembrando as décadas largas recentes em que viverem bem com a exploração e as tiranias, incluindo os fascismos clericais e os regimes comunistas com que estabeleceram pactos de cumplicidade, a Igreja Católica tinha obrigação de mostrar decoro ao falar de constrangimentos cívicos e aí escolher o papel de vítima. Porque, passando do passado ao presente, a Santa Madre Igreja coabita tranquilamente com Estados confessionais não confessados, habituada que está aos crucifixos pendurados como sinais de religião dominante ou única, viciada está em ver os cidadãos a benzerem-se como sinal de boa educação reverente (como a que Sócrates pratica), incapaz de rever os seus preceitos trogloditas acerca de sexismo e da sexualidade, enquanto dá espectáculos nojentos na revelação das aberrações sexuais tapadas por sotainas sujas de esperma fugido à castidade. Espantoso é que o Vaticano se faça agora de vítima do impacto do contraditório e do juízo que sofre nas sociedades tímida e tendencialmente laicas dos nossos dias. Sobretudo a Ocidente, dizem eles. E disso, agora e ridiculamente, se queixaram à ONU.
A Igreja Católica e os seus acólitos, até os laicos a caminho de serem leigos, vice-versa também, costumam argumentar que a um ateu, agnóstico ou religioso de outras confissões, lhe falece o direito de crítica quando o Papa prega porque Ele fala, apenas, aos seus fiéis. É uma questão da tribo, não metam a colher, grita-se então. O que subentende que a haver polémica, sempre difícil ou impossível em questões de dogmas e éditos do Infalível, ela se circunscreva a sínodos, conferências episcopais, conclaves e concílios. Vá lá, até a assembleias no adro da igreja à saída da missa. Como entender então este recurso à Comissão de Direitos Humanos da ONU? Aquela casa é sede de povos reunidos, onde a religião não pode separar, ou neo-tribunal de Santo Ofício? Valha-nos deus que ainda lhes pode ir no pensamento pedirem o envio de “capacetes azuis” para meterem a crítica laica na ordem.

É um contra senso revolucionário, mas uma realidade, a importância que tem para a sobrevivência dos cubanos as remessas dos familiares exilados nos Estados Unidos (totalizando à volta de mil milhões de dólares). Bush havia introduzido uma série de restrições não só quanto aos valores que cada imigrante cubano podia enviar à família como quanto ao número de visitas que esses imigrantes podiam fazer a Cuba e quanto podiam gastar nessas deslocações. O Presidente Obama acaba de as revogar, o que gerou a expectativa de que 500 milhões de dólares se possam somar aos contributos dos exilados para as economias familiares dos que residem na Ilha. Para o desgraçado nível de vida da esmagadora maioria dos cubanos, esta perspectiva de novo fluxo de dinheiro (e em moeda forte) é uma excelente notícia. É que, revoluções à parte, miséria é sempre miséria.
Este passo de Obama é um bom prenúncio daquela que devia ser a melhor de todas as notícias para a erradicação de uma das mais prolongadas provas de estupidez política: o bloqueio norte-americano a Cuba. Pessoas menos indigentes, mais soltas da obsessão em sobreviverem, são naturalmente pessoas mais exigentes no direito elementar à liberdade e aos direitos cívicos. É que a continuação do bloqueio é um alibi para a propaganda nacionalista-vitimizadora da ditadura cubana (que nunca explica porque é que sendo - há já meio século - socialista, anticapitalista e antiamericana, depende tanto, ou quase tudo, dos Estados Unidos), enquanto o seu fim só pode aproximar Cuba da democracia.

Segundo um relatório da Amnistia Internacional, aumentou em 2008, comparativamente a 2007, o número de execuções de penas de morte (2.390 para 1.252 assassinados pela justiça), numa quase duplicação. Quanto a sentenças de morte decididas e que aguardam concretização, o aumento ainda foi maior: 8.864 para 3.347. Neste resquício medieval de se fazer justiça, num só país (China) realizaram-se 72% das execuções (1.718), e cinco países (Arábia Saudita, China, Estados Unidos, Irão e Paquistão) foram responsáveis por 93% das penas de morte concretizadas. Na Europa, só na Bielorússia (4 execuções) se continua a praticar a pena de morte.
Aqui está um bom motivo para se percorrer os caminhos da indignação. Tanto mais que Portugal conta com 33 anos decorridos desde a abolição plena, constitucionalmente consagrada, da pena capital (fê-lo em 1976, quando extinguiu a possibilidade da sua aplicação, em justiça militar, para “crimes de traição”).
Nota: Relatório da AI (em ficheiro pdf) aqui.

Apesar de ser um aniversário com um “número redondo”, arrisca-se a passar despercebidos os 50 anos que nos separam da tentativa de um golpe, envolvendo militares e civis, para derrubar a ditadura. Ficou conhecido como “golpe da Sé” por as reuniões conspirativas se terem realizado na Sé de Lisboa com cobertura de um pároco. A historiadora Irene Pimentel sintetiza aqui o que sobre este golpe não consumado (foi abortado pela PIDE) descobriu através de pesquisa nos arquivos da polícia política.
Segunda-feira, 23 de Março de 2009

Um doutorado honoris causa galardoado de fresco pela Universidade Técnica de Lisboa (Faculdade de Motricidade Humana), ainda com a insígnia ao peito, disse, rindo-se gozão, aos jornalistas: “eu não sou exemplo quanto a fair-play no futebol…”. Pois não, sabe-se. Mourinho ganhou títulos e muita massa, não está a culminar uma carreira, não fez escola e não ensinou o que sabe. É bom no ofício mas não se recomenda como homem sábio, educado e cordato. Nem como exemplo para jovens que não queiram vencer na vida por uma via bárbara. Mas é rico e famoso. E consideram-no sexy. Tudo isto, tão pouco, chega para babar um bando de cortesãos académicos vestidos de doutores.

"Sempre se considerou que é o passado que alimenta a cultura. Eu trato o tempo no meu trabalho como uma equação: o resultado do passado mais presente é a possibilidade de futuro. O amanhã é a verdadeira questão da cultura."
Imagem: Ilustração de Bilal.

Sócrates apelou aos portugueses: “por favor instalem painéis solares nas suas casas”. Está encontrado o sucedâneo da tecla modernista do magalhães. Como se no panorama social em que vivemos, e se prevê vir a agravar-se, abundem as famílias com disponibilidades para investir por sua conta, mesmo com bonificações, na mudança de fonte de energia. A obsessão de Sócrates em passar mensagens sem bom senso acoplado dá nisto: perda da noção do ridículo e prova que plana bem alto acima da sociedade e dos problemas que a corroem. Nenhum dos que o vitoriam por unanimidade e aclamação, lhe segreda um recado que lhe puxe os pés para a terra dos que vivem sem saberem como podem sobreviver?

Gianfranco Fini, na foto, o dirigente da Aliança Nacional (herdeira do MSI – Movimento Social Italiano que, por sua vez, foi uma reincarnação do Partido Fascista de Mussolini) celebrou o último espectáculo de travestismo do fascismo italiano, ao integrar esta força política no “Partido da Liberdade” de Sílvio Berlusconi. Assim, a direita italiana (no governo) consuma a unificação dos seus braços e apetites. Fini considerou este acto, o da integração da direita neo-fascista no partido de Berlusboni, como só sendo possível porque “desapareceu a hegemonia cultural da esquerda”.
Os italianos parece que gostam de fazer e desfazer partidos, coligando-os e depois partindo-os para se afincarem a colar cacos, numa espécie de apetite pelo transitório. E o facto de a Itália (esse mosaico de “itálias”) ser um país de construção recente e nunca completada, em que as diferenças contam mais que a unidade, ajuda a esta dinâmica de funda-desfaz-refunda. Nessa máquina trituradora, o centro-direita católico e os socialistas desapareceram na morte pela peste da corrupção, a esquerda (que já foi numerosa e poderosa) afogou-se no mar das cisões e das aventuras em alianças espúrias. Para Berlusconi, o burguês boçal, sem ética nem pruridos, o dominador do espectáculo na comunicação social, onde conseguiu que o anedótico e o mundano vencessem o jornalismo, em que a política tem um preço que ele conhece e paga, logo que conseguiu corroer o poder da justiça, os ventos são favoráveis ao caudilhismo. Já não ao caudilhismo de tipo messiânico e com projecto totalitário que deu mando absoluto a Mussolini. Mas sim ao do género do histrionismo mediático gerido pela miséria emplumada dos jornais sensacionalistas e da televisão do escândalo e das misérias, da gargalhada fútil antes de o sono mandar deitar. Os herdeiros de Mussolini, os últimos fascistas, não resistiram à atracção por esta nova hegemonia, entrando no travesti dos que substituíram a política pelo show. Enquanto a esquerda demora a lamber feridas e levantar-se com projecto de alternativa que diga “o espectáculo terminou”.
Em Itália mandam os italianos, certo. Mas, nós outros, que aprendamos a lição.