Só não sei se falou verdade quando manifestou vontade de convidar Manuel Alegre para as listas do PS. Mas jogou a cartada certa. Se Alegre não aceitar o convite, ele é que se auto-exclui e Sócrates não fica com o ónus de postergar os adversários internos.
Já desceu até aos - 0,8, segundo o Meteorologista do PIB. Haja poupanças de reserva para investir em agasalhos.
Há que esperar.
[Até lá, o caiaque navega. E, do mal o menos, que não vá ao fundo. Não merecemos mais por falta de criatividade para impormos melhor.]
Si al menos fuéramos más libres. Si todas esas necesidades materiales no se plasmaran también en una larga cadena que hace a cada ciudadano un siervo del Estado. Si la condición de humildes fuera una elección voluntariamente asumida y especialmente practicada por quienes nos gobiernan. Pero no. La renovada exaltación de la humildad lanzada por Raúl Castro este primero de enero nos confirma lo aprendido en décadas de crisis económica: que la pobreza es un camino que lleva a la obediencia.
Tenho dificuldade em concentrar-me no fio oratório de Sócrates quando ele discursa ou é entrevistado. A culpa é de Ricardo Araújo Pereira. Olho para Sócrates, oiço-o, sigo-lhe os trejeitos na fala e nos sobrolhos mais os movimentos mecânicos e ritmados das mãos e parece-me que ele está a imitar o humorista e isso, o desvio para a apreciação das capacidades histriónicas, perturba o entendimento que é mesmo o chefe do governo quem fala e nos fala. Nada a fazer. Resta-me, para não levar esta minha infantilização cívica ao nível da absoluta irresponsabilidade, tentar adivinhar, momento a momento, como é que, em termos de efeito de propaganda, a actuação do actor político Sócrates agrada à plateia eleitoral, aquela que imagino na base de estereótipos recolhidos e acumulados. Hoje, quanto à entrevista de Sócrates na SIC-Notícias, achei que os depoimentos dos representantes dos partidos da oposição, nenhum deles sofrendo da erosão da imitação por humoristas e portanto intactos na percepção como agentes partidários, ao comentarem a performance do chefe do governo (*) confirmaram que há todas as razões para que o PS confie em nova maioria absoluta. Isto, é claro, se o meu imaginado painel de estereótipos de decisão de voto tiver qualquer suporte de realidade. O que duvido, por culpa do Ricardo Araújo Pereira.
Adenda: (*) - Com réplica geminada no "Prós e Contras" da RTP.
Aguardam-se resultados dos testes de alcoolémia ao maquinista e aos excursionistas.
Entre Israel e o Hamas a luta é de morte. Alminhas piedosas dirão que é Golias contra David, numa menção que poderia ser irónica, mas nem o é, a uma história antiga e incerta.
Relembremos a crónica dos últimos meses, para não repetirmos o que já aqui se disse sobre a situação nesta zona. O Hamas, conquistou à ponta de pistola e de versículos do Corão ( con el palo dando y a Dios rogando) a faixa de Gaza, exterminando ou expulsando os elementos mais laicos e moderados do Fatah. Depois para provar a traição infamíssima destes, declarou que Israel tinha de ser tratado como o que eles acham que é. E a tiro.
Estabeleceram-se, entretanto, duvidosas tréguas que o Hamas aproveitou para se rearmar e Israel para espiar. Pode dizer-se sem receio de desmentido que a “inteligência” israelita conhece de cor e salteado todos os dirigentes do Hamas, sabe onde vivem as famílias deles, conhece-lhes os pseudónimos e boa parte dos esconderijos. Isso, obviamente, foi alcançado porque Israel tem agentes árabes no terreno, na organização do Hamas, quiçá dentro do seu mais exclusivo grupo dirigente. Só assim se explica a facilidade com que vai abatendo os principais chefes militares do Hamas.
O Hamas terá entendido que o momento era propício para hostilizar o inimigo sionista. Para o efeito foi disparando os seus mísseis mais ou menos caseiros, sabendo, supõe-se, que estas armas primitivas e erráticas fazem mais barulho do que vítimas. Todavia, sabe igualmente que tais mísseis tornam a vida dos seus potenciais alvos desagradável, angustiam populações e levam o governo israelita pressionado pelos eleitores a retaliar.
Eu gostaria de pensar que os dirigentes do Hamas são como nós: que antes de dar um passo pensam nas consequências. Gostaria mas desde há muito abandonei essa irrazoável ideia. O Hamas acredita nos prazeres indizíveis que esperam os mártires, no paraíso de Alah, nos milhões de huris que receberão amorosamente os combatentes e as vítimas da jihad. Por isso, porque se sente portador de uma missão sagrada, aceita que o sacrifício que lhe corresponde atinja absurdos que os ímpios ocidentais nunca permitiriam.
Morrer por Deus, numa terra onde pouco ou nada há pode parecer exaltante pelo menos para os militantes. As populações não interessam. Nunca interessaram. Não foram importantes para Hitler, parecem não ser importantes para Mugabe, Pinochet desprezava-as enquanto as metia nos estádios e a Junta argentina ia-as reduzindo nos calabouços e nas descargas aéreas de presos para o mar. Falamos obviamente de países onde a democracia não é regime.
Nestes casos os fins justificam os meios, os mortos são uma variável sem importância, e a guerra aberta apenas serve para provar quão mau é o inimigo.
Israel sabe disto, claro. E também, há que convir, não se importa muito. Pode proteger com eficácia o seu povo e não rejeita uma oportunidade destas. Todavia, dizer que riposta com meios desproporcionados é uma falácia para consumo das boas consciências. A ideia central é quebrar o moral dos invadidos, fazê-los ver que o Hamas não os protege, logo que não é digno de os governar, logo que se devem dissociar de tão perigosa e extravagante companhia.
E, pelas escassas notícias que vamos recebendo, está a consegui-lo. As desgraçadas populações fronteiriças estão em movimento, em fuga, desorganizando eventualmente os fracos dispositivos de defesa do Hamas, se existem. É provável que, desde a lição libanesa, os estrategos israelitas tenham aprendido os perigos de se meterem num vespeiro. Por isso soam a disparate as ameaças de converter a Palestina num cemitério judeu. Para já o cemitério é palestiniano, guerrilheiros e civis confundidos.
Vejamos um pouco mais além: qual é a reacção dos vizinhos de Israel? do Líbano, da Síria, da Jordânia e do Egipto, para sermos mais precisos. Mobilizaram tropas? Ameaçaram intervir a favor dos irmãos palestinos? Usaram sequer uma linguagem mais dura do que a costumeira?
A resposta é negativa. E natural. Estes países não vivem na contingência e na provisoriedade de Gaza. Tem governos constituídos que obedecem a certas regras. Não estão interessados em combater Israel porque, por um lado não simpatizam com o Hamas e por outro não se sentem dispostos a morrer pelos irmãos agredidos. Diria que usam uma linguagem claramente menos belicosa que o citado Bloco, o nosso, o guerrilheiro de salão.
E que diz o governo palestiniano? Acaso rompeu dramaticamente as escassíssimas pontes que mantém com Israel? verifica-se algum aumento significativo de intifada nos territórios controlados pela Autoridade Palestiniana? Jerusalém já está a arder? Ou Belém?
Os governos principais da União Europeia condenam a invasão. Pedem um cessar fogo desde que o Hamas garanta que não dispara mais foguetes. Ou seja, pedem ao Hamas, outra vez, o que este não pode, não quer ou não pensa fazer. Ou que a partir do momento da invasão ninguém lhe perdoará que faça: depor as armas.
Resumindo o Hamas caiu numa armadilha que ele próprio, por ideologia cega ajudou a montar. Ou numa provocação se se entender que Israel se deixou bombardear o número necessário de vezes para poder ripostar.
Quer isto dizer que Hamas está fatalmente condenado à derrota? Não, se entendermos que para um grupo deste género a derrota só existe quando for totalmente aniquilado. Mas por muito que a população civil se dissocie dos guerrilheiros há sempre um certo grau de porosidade (no seio do povo o guerrilheiro é como peixe na água, dizia o falecido Mao) que evita mesmo in extremis o fim destes grupos messiânicos.
Esta guerra de dramáticas consequências para os condenados da terra palestiniana terá mais uma vez como saldo, dor, violência, ressentimento e frustração. Daqui a uns meses, cessadas as hostilidades, nascerão do ventre fecundo da injustiça novos mártires. Mães árabes e mãe judias terão tempo para se habituar a chorar os filhos. Todavia as primeiras chorarão mais, por mais vítimas. E por mais tempo.
Eu não quereria que me tomassem por cínico sequer por indiferente. Defendo uma pátria palestiniana. Sou contra os colonatos, todos os colonatos fora do território histórico de Israel. Sou contra a ocupação israelita de Jerusalém. Mas isso não me impede de ser contra o terrorismo, contra o uso de escudos humanos e contra o fanatismo religioso. E neste englobo o Hamas, o Hezbolah e os integristas judeus cujo número cresce com os ventos de guerra.
Imagine-se um regime que só corresponde às expectativas dos cidadãos quando estes adoecem ou estão a estudar, atingindo-se o pico da realização cívica quando se é estudante e se adoece. E que, para se terem estes serviços mínimos, o Estado sequestra a liberdade, a escolha, os sindicatos, os partidos, as associações, a Internet, a discussão, o salário decente, a habitação condigna, a alimentação necessária e o direito a viajar. E que tudo isto foi o resultado de meio século de obra revolucionária. Para quem já tenha deixado de estudar e seja saudável, não sobra nada para comemorar. A não ser uma permanente esperança em que uma doença o venha a recompensar da miséria daquele regime.
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