Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Alberto João Jardim pensa.
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Uma lástima que Luchino Visconti não estivesse ainda vivo e lá para filmar. E desconfio que Claudia, protagonista do mais belo baile do cinema e só possível sob a direcção do Mestre Luchino, não se ofende.
(post dedicado ao Pedro Correia, o meu blogo-alter ego na cinefilia)

A vergonha miserável americana de Guantanamo entrou em liquidação. Ainda não foi desta que Obama iniciou a decepção ansiosamente aguardada. Pese embora continuar a funcionar, a poucos metros da vergonha americana, uma prisão política cubana onde penam outros prisioneiros sem o mesmo direito à indignação. E pese, sobretudo, o impudor denunciante de alguns guerreiros anti-Guantanamo que, relativamente ao Gulag, comparativamente ao qual Guantanamo é uma representação em miniatura, nem hoje sequer conseguem digerir as denúncias tíbias e compostas de Krutchov feitas no XX Congresso do PCUS, em 1956.

A crise veio baralhar muitas das percepções do que, em economia, é bom ou mau. Há menos de um ano, os alarmes soaram com o petróleo a disparar para valores altíssimos, dando-se como certo ir ainda subir muito mais, tornando os custos de energia incomportáveis. Depois, o preço do crude começou a cair a pique mas, com a crise a alastrar, a desaceleração económica impossibilitava que o efeito do crude barato tivesse qualquer préstimo. Agora leio:
Já não passamos, para haver saúde económica, sem petróleo caro e inflação alta? Os defeitos do sistema transformaram-se nas suas virtudes? Será por estas e outras que a economia nunca será uma ciência exacta. Muito menos uma ciência social. O que talvez explique porque César das Neves virou pregador de paróquia.
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Morreu há 85 anos o revolucionário com maior sucesso e, por isso, o mais imitado. A obra dele e dos seus seguidores demonstrou a dimensão do embuste criminoso da teoria do poder criada pelo autor. A sua múmia, aquilo que mais sobrevive da sua herança, continua aberta ao culto apesar de estar assente em milhões de esqueletos de humanos triturados pela engenharia social e política a que colocaram o epitáfio macabro de marxismo-leninismo. E um dos grandes paradoxos humanos e sociais do século XX e do início deste é o de tanta gente generosa e fraternal, incluindo pessoas inteligentes, ter passeado e continuar a passear esta múmia numa procissão de esperança necrófila.
Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Perante Madail, Teixeira dos Santos faz de Manuela Ferreira Leite. Se fosse ele a mandar, riscava o mundial de futebol em alta velocidade entre Lisboa e Madrid.

Nota: Em pensamento com Obama. Isso da "alma" é tique religioso de democrata-cristão.

Essa do “mais popular Presidente de sempre” atribuída a Bush é espantosa. Mas em dia de festa, os excessos até nem ficam mal. E as azias políticas curam-se com um mito bem servido, por exemplo o “à espera que a História lhe faça justiça”. Só que a fila destes pacientes é muito, muito, comprida.
Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Para os prevenidos e planificados, os que gostam de programar as férias com antecedência, aqui encontram uma proposta turística alternativa. Sejam criativos, atrevam-se.

Terá sido tentado, mais ou menos, o projecto que aqui se sintetiza (infelizmente sem rabisco, o que me obriga a recorrer ao realismo da loiça) mas com as maneiras próprias dos betinhos.
(a minha irmã jardineira de luzes que me perdoe o apoio à aleivosia)

O sonho e a decepção têm os seus tempos e a sua precedência. Como tudo. E não se lhes deve trocar as voltas. Dá azar. Ou leva a fazer figuras tristes, como insistir em continuar a pregar como sonho uma decepção comprovada pelas tragédias acumuladas pelos povos que sofreram o sonho paranóico da redenção. Ou como tentar vender o pessimismo dos rigorosos da desgraça. Tudo servindo os pragmáticos do imediato e do possível, os que evitam que sonhemos para evitarem pagar-nos a factura da decepção.
Um tempo para o sonho e outro para a decepção, que se deve servir madura, pois. Logo que Obama foi eleito, multiplicaram-se os profetas da decepção. Queriam estragar a festa, a dele e a nossa. Queriam que, quando Obama tomasse posse, a esperança, o sonho, que com ele renasceu, estivesse murcha e só nos restassem flores podres para amanhã lhe atirarmos. Porque o retrato formatado que alguns têm da América é o do pesadelo, um pesadelo muito desses porque o contraponto, a miséria vermelha, não vingou. Como outros preferem o pior da América na presidência, com o belicismo imperial no poder. E a América, o mundo, com Obama, estraga todos os estereótipos com que se fabricam propaganda e rancor, o rancor dos estropiados e assassinos dos sonhos que uma fantasia quis tomar como monopólio, o rancor dos conservadores e dos pensadores feudais que não suportam que negros, pobres e sonhadores de todo o mundo façam sua a festa de Obama.
Amanhã, na América e no mundo, é dia da festa do sonho, com Obama. A decepção que espere.
Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Manuela Ferreira Leite enfatizou a figura de “coveiro da pátria”, passando à decadência da fase melo-trágica. Deve andar a ocupar os tempos livres a passear em cemitérios. Quem será o seu guru-cicerone?