Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Finalmente, Sócrates decidiu dar resposta à erosão à esquerda do eleitorado do PS, necessária para manter a maioria absoluta em próximas eleições, reconquistando votos em risco entre os detentores das grandes fortunas que foram para o BPP para ganharem na alta e não perderem na baixa.

Ao ouvir Paulo Portas a investir, no Parlamento, contra a salvação das fortunas que entregaram a sua gestão ao BPP, só posso concluir que, provavelmente, foram banqueiros tresloucados, delinquentes e foragidos que pegaram fogo na sede do CDS/PP em Olhão. Vivemos um PREC esquisito.


Levando a sério o Secretário Pedreira, fica a saber-se que Ministério e professores decidiram, finalmente em concertação, arejar as escolas:
O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em declarações ao Fórum TSF, garantiu que a maioria das escolas está aberta em dia de greve nacional dos professores, mas admite que esta realidade não quer dizer que a maioria dos docentes esteja a trabalhar.
Ou temos Secretário de Estado que é tonto ou que gosta de nos fazer de tontos. Mário Nogueira só pode rir-se, agradecido, desta pedagogia em autismo.

Ainda as campanhas eleitorais não começaram e já há quem antecipe o perfil-tipo de alguns dos próximos deputados.
Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Esta notícia é um exemplo de como a crise recupera ciclos que se julgavam superados. Ou, antes, cria contra-ciclos humanos e sociais na onda de falências de ciclos. A hierarquia da escala mundial das desigualdades é a mais rápida a readaptar-se, por regressão se necessário, aos efeitos laborais desta crise, a qual, passado o estupor perante a fase do espectáculo traumático da ruína da chave aceite do sistema capitalista – o nó do lucro financeiro – nos remete à realidade da segurança insegura do nervo e dos músculos do pilar do funcionamento económico que, redescobre-se, não está no banco, que move dinheiro, mas na empresa que cria e faz circular os produtos que fabricam dinheiro. E se este regresso inevitável à economia é um labéu justo para a perversão financeirista da economia (e, oxalá, os neo-liberais aprendam com a crise aquilo que os comunistas dogmáticos ainda não sabem ler no colapso do comunismo real), ele não deixa de ter sequelas, dramáticas na sua ironia, na escala de re-arrumação da hierarquia de acesso entre os que concorrem na disputa pelas “menos valia” remuneratórias dos contra-ciclos de readaptação por “regresso às origens”.
A euforia do boom espanhol, permitido pelo regresso de Espanha à democracia, mudou a Andaluzia (Filipe Gonzalez, um senhorito sevilhano, nunca desprezou as suas origens), o que produziu modificações sociais que retiraram a região e os seus assalariados do mapa inscrito em séculos de feudalismo latifundiário e que tiveram décadas de deleite revanchista durante a ditadura de Franco. A partir do reinado democrático de Don Filipe, o socialista "obrero", os andaluzes pobres procuraram, e muitos conseguiram-no, a ascensão social que os terratenientes lhes haviam negado. O efeito de gap na cadeia produtiva andaluza foi rapidamente colmatado por explorados do fim da escala, os famélicos de África. Até à crise.
Com a crise, o ascenso do desemprego faz com que os andaluzes voltem aos olivais de Jaén. Para desdita dos milhares de africanos que estavam a habituar-se a ali matarem fomes nos trabalhos de apanha de azeitona que a ascensão social dos antigos “aceituneros”, por via da modernização capitalista espanhola, havia deixado com míngua de braços.
Adivinha-se, para desgosto dos contumazes no gosto pelo "canto livre" e que gostariam de remoçar o reportório e o menú de concertos, que o regresso aos campos dos “andaluces de Jaén, aceituneros altivos”, eternizados por Miguel Hernandez e cantados por Paco Ibañez, não terá, sequer em espectáculo alternativo, um poeta e um cantor disponíveis a celebrizarem as dores não altivas dos milhares de imigrantes africanos amontoados em Jaén, com os olivais no horizonte mas longe na esperança da oportunidade de trabalho e com a crise espetada nas ilusões. Deve doer tanto a decepção naqueles fundos de alma e estômago que não haverá poeta e cantor que por ali se abeire. E quando nem estes se lhes chegam, o que lhes resta? A crise, a nossa crise, que nos faz desigualmente iguais.
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Mais um 1º de Dezembro que termina e Olivenza continua espanhola…

Para quando uma atmosfera melhor sem sentados no governo que são vendedores de portáteis, ministros que acham que educar é comoverem-se com crianças que escrevem cartinhas a desejarem que quando forem grandes entrem no partido que está no poder, uma deprimida autoritária na chefia da oposição e uma esquerda da esquerda que alucina os seus camaradas na antevisão de quando as roseiras bravas e as amoras silvestres cantarem a Internacional?
Entre o modernaço pacóvio, a depressão e a esquizofrenia, para quando outros caminhos que levem a democracia em Portugal até à idade moderna?