Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

A POLÍTICA E AS ALIANÇAS, APESAR DE TUDO

 

apesar de tudo, provado está que mais vale estar lá o PSD e a pessoa saber com o que conta
 
Se o exemplo pega, atrás das emoções de repulsa por impulso, teremos Ferreira Leite com o casamento só para procriação. Ou Passos Coelho a privatizar a Caixa Geral de Depósitos para enfrentar a crise. Ou seja, a imaginação no poder.
Publicado por João Tunes às 15:18
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EUROPA SEM EMENDA

 

 

Do Editorial do “Avante”:
 
Esta crise, como todas elas – para quem as veja com a objectividade marxista-leninista – encerra lições. E uma delas, apesar de algumas teses que persistem à «esquerda» professando confiança numa mudança desta Europa num espaço democrático, é a de que, de facto, esta Europa não é reformável.
 
Pergunta inocente: Será que vão deixar de concorrer ao Parlamento Europeu?

 

Publicado por João Tunes às 00:51
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

UM SONHO EM BANCARROTA

 

Durante a minha adolescência e muitos anos seguintes, alimentei o sonho de ir à Islândia. Sei que foi efeito perdurável de um livro que me fascinou, lido na fase inicial da adolescência e de que esqueci nome e autor, sem que a fixação de atracção islandesa me largasse. Nunca calhou ir à Islândia, por isto ou por aquilo. Mas o projecto não esmoreceu. Sei agora que a Islândia entrou em bancarrota. E, automaticamente, brutalmente, um país em bancarrota esfuma a vontade da visita em descoberta. Para já, a bancarrota de um sonho de viagem que me vem da adolescência, é a primeira marca de fogo que recebo da crise. Triste, preparado portanto, declaro-me em espera pelo resto, pelas réplicas.

 

Publicado por João Tunes às 15:40
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

MODERNIDADE Á MODA DE JERÓNIMO

 

Jerónimo de Sousa, sempre moderno e criativo no enriquecimento do marxismo-leninismo, defendeu ontem, no Porto, a nacionalização da banca e das empresas de energia. A seguir, decerto vai querer de volta o controlo operário, a reforma agrária, a Cintura Industrial de Lisboa, o MFA e a União Soviética pré-Gorbatchov. E se não lhe param o ímpeto modernista, ainda acaba a "avançar", nas ideias e projectos, para antes do Congresso fundador do PCP em 1921 e propor que nos inspiremos no anarco-sindicalismo que enformou as origens do comunismo português.

 

Pela foto da imagem: A semelhança mais visível entre o PCP liderado por Cunhal e o PCP com Jerónimo, é a figura do sempre atento "camarada guarda-costas" que manteve a sua tarefa partidária na sucessão dos Secretários-Gerais.

Publicado por João Tunes às 00:03
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

DO PROVEDOR DA POPULAÇÃO

 

Que só podia ser ele, César das Neves:
 
A grande maioria da população considera a homossexualidade uma depravação, um acto intrinsecamente desordenado e contrário à natureza. Não se trata de um preconceito, mas de uma opinião válida e legítima a ponderar.

 

Publicado por João Tunes às 16:42
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HIPÓTESE

 

Um dia, quando um casal de militantes do PCP contar as suas trajectórias pessoais-partidárias (diferentes mas tão iguais) com a mesma sinceridade aberta destes outros, então as “paredes” tornam-se mesmo “de vidro”. E, pelo peso da emoção partilhada, é provável que ninguém se lembre de, a propósito, falar em renegados e em anti-comunismo.

Publicado por João Tunes às 16:04
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A VIDA SÓ ESTÁ BOA PARA ALGUMAS

 

Cavaco Silva em 5/10:
 
«muitas famílias têm dificuldades em pagar os seus empréstimos que contraíram para comprar as suas casas; há idosos para quem a reforma mal chega para as despesas essenciais; há jovens que buscam ansiosamente o seu primeiro emprego; há homens e mulheres que perderam os seus postos de trabalho»
 
Cavaco Silva, dois dias antes:
 
«Fiquei surpreendidíssimo por ver como as vacas avançavam uma atrás das outras, se encostavam ao robot e se sentiam deliciadas enquanto ele, durante cerca de seis, sete minutos, realizava a ordenha.»

 

Publicado por João Tunes às 15:25
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Heil Führer!

 

Perante este texto, curvo-me em vénia de delícia. E subscrevia-o se a minha pessoalíssima dose de arrogância permitisse tanto atrevimento. Mas se assim fosse, remendaria apenas que, em caso meu, entraria porta dentro do Centro de Saúde em passo de ganso e gritaria para meter o pessoal em respeito: “Toca a entoar: Heil Führer!”. Só para que a paga do anacronismo mais se notasse.
Publicado por João Tunes às 14:54
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Domingo, 5 de Outubro de 2008

NO CENTENÁRIO DA CUF NO BARREIRO

 

O centenário da instalação das fábricas da CUF no Barreiro tem sido pretexto para memorialismos pautados por várias modalidades de homenagens, saudades e nostalgias: - a grande produção industrial perdida; o fim das grandes concentrações proletárias; a perda do patronato paternalista. Pela importância grandiosa da CUF, em si mesma uma dissonância controlada com o ruralismo salazarista, é impossível analisar-se a indústria portuguesa, o nosso patronato e o nosso operariado, sem se estudar a história do fabrilismo barreirense.
 
Não tem sido parca a produção editorial recentemente dedicada à CUF e aos “cavalheiros da indústria” que a comandaram através de uma dinastia familiar (Alfredo da Silva, Manuel de Mello, Jorge de Mello) (*), a norma tem sido o predomínio do fascínio sobre a “obra social” e a grandeza do império industrial relativamente a uma apreciação multifacetada. Nomeadamente, tem sido demasiado tímida a apresentação do reverso do leque de “regalias sociais” concedidas aos trabalhadores da CUF, nomeadamente as várias facetas da repressão patronal que se casavam com o aparelho repressivo do fascismo. Neste sentido, o excelente documentário de Paulo Silva Costa (“Saudades da Fábrica”) passado na RTP 1, ontem à noite, devia servir de orientador metodológico de uma abordagem que revelasse os vários ângulos do que foi a realidade CUF. Um gigante industrial (foi, nos seus tempos áureos, o mais conglomerado da Península e um dos maiores da Europa) como as fábricas da CUF no Barreiro, merecia estudos de especialistas relapsos à iconografia. Que enquadrassem o significado de uma prática patronal social-paternalista como garantia de “paz social” e facilidade de recrutamento selectivo, mas também a própria natureza da CUF como superestrutura económica da ditadura, beneficiando da protecção do regime (coberta pelo “condicionamento industrial”) e com um formidável aparelho de controlo e repressão internos (a enorme rede de legionários, bufos e pides que vigiavam “on job” os trabalhadores; a existência intra-muros de um dispositivo militar aparatoso da GNR); os ritmos de trabalho impiedosos; a facilidade com que se despedia; a profunda e duradoira poluição que envenenou várias gerações de barreirenses.    
  
(*) – Referimos os seguintes títulos que são exemplos da muita bibliografia recentemente publicada sobre a CUF e os seus patrões:
- “Alfredo da Silva”, Miguel Figueira de Faria, Edições Bertrand
- “Manuel de Mello”, Vários, com coordenação de Miguel Figueira Faria, Edições Inapa
- “Jorge de Mello”, Jorge Fernandes Alves, Edições Inapa
- “A Fábrica – 100 anos da CUF no Barreiro”, vários, Edições Bizâncio
- “Rua do Ácido Sulfúrico”, Jorge Morais, Edições Bizâncio
- "Alfredo da Silva, a CUF e o Barreiro", Vários, Edições bnomics
 
NOTA: Para os curiosos em saberem como foi possível que, coisa rara, durante um dia (no ano de 1954), os Mellos foram desfeiteados, não conseguindo poluir o Barreiro, leiam aqui.

 

Publicado por João Tunes às 19:56
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Sábado, 4 de Outubro de 2008

DESABAFO SENTENÇA

 

O skin condenado em Tribunal por “bagatelas penais” (segundo o seu advogado) devia ter a pena agravada depois de dizer aos jornalistas que os “nacionalistas” do seu bando lutam por um futuro melhor para as nossas crianças. Por crime de estupidez descarada.
Publicado por João Tunes às 00:01
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

A FALIBILIDADE PAPAL

 

Bento XVI vem-nos lembrar que o Papa não é infalível. Sobretudo quando dogmatiza experiências de vida que não viveu e não permite que os seus ministros vivam. Sentenças como esta demonstram que a Igreja, em vez de rever os postulados desajustados da dinâmica cultural e social, prefere a hipocrisia da artificial e rígida permanência doutrinária.
Publicado por João Tunes às 12:53
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

UM SECRETÁRIO “INCÓMODO”

 

O Ministério da Educação, no seu site oficial, inscreveu um erro de informação sobre o pagamento de manuais escolares obrigatórios. Errar é humano, embora no caso se detecte facilmente um sinal de pecado de gula de propagandear feitos de generosidade na distribuição de benefícios. A correcção do erro devia ser acompanhada pelo pedido de desculpas aos pais pelas expectativas criadas e goradas. Com a humildade a que se obriga quem erra. Mas o que fez o Secretário Pedreira? Encontrou a formulação irritantemente arrogante de atribuir o lapso a “uma comodidade de expressão”! Esta frase, mais infeliz que o erro em si mesmo, diz bem do tipo de relacionamento que vigora entre governantes e governados. Mais que uma incomodidade, este Secretário Pedreira é um lapso enfatuado.

Publicado por João Tunes às 15:32
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

ASSIM, VIVA A PRAXE!

 

Ouvi na rádio uma reportagem sobre a praxe a que foram submetidos os caloiros da Faculdade de Medicina de Lisboa. E na marcha que me parecia de difícil retorno da evolução degradante do fenómeno praxista para a boçalidade e a violência, eis que apanho com uma surpreendente nota de inteligência útil. Os praxados foram destacados para o contacto com o público visando a angariação de dadores de sangue e medula óssea. Donde confirmo que a estupidez não dura sempre em toda a parte.

Publicado por João Tunes às 23:27
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