Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

SOBRE AS ESTRADAS DA MEMÓRIA

 

 

 

Fala-se da persistente dificuldade portuguesa para com o português e a matemática. Esta valorização dos nossos défices escolares tem em conta que, numa qualquer sociedade moderna, quem não sabe comunicar nem gerir está tramado e só atrapalha o futuro e o mercado. E daí que, pacientemente, sobretudo através de medidas incompetentes, se insista em medidas para colmatar estas insolvências maiores do nosso aprender. De tanto insistir, possivelmente vamos lá pois não há inabilidade a reformar e motivar que sempre dure.
 
Nestes priorismos, a história e o ensino de história ficam em lista de espera, cada vez mais empurrados para a lateralidade do saber escolar. O que caracteriza bem a forma como a ausência de projectos, privilegiando-se a forma pontualista como se erupcionam sucessos provincianos no acompanhar à distância a metrópole europeia, passa bem com o défice de memória. E este black-out face ao passado e às origens pretende criar a imagem, absolutamente artificial, de que a modernidade capitalista e democrática de Portugal, por força da integração europeia, resulta num automatismo inclusivo da qualidade adquirida de membro da UE, nivelando-se em maturidade dos caboucos societários de liberdade e democracia países como a França ou a Inglaterra e como Portugal, mais espantosamente ainda como a Bulgária ou a Roménia, recentemente saídos das maiores misérias comunistas, com desvertebramentos de identidades e personalidades semelhantes aos países saídos não há muito de modalidades de fascismos. Ou a Espanha que pagou um preço altíssimo pela democracia e pela modernidade, o de um pacto de amnésia de memória e justiça para com o horror franquista que feriu, pelo menos, três gerações de espanhóis (ferindo resistentes mas também os apaniguados) e suportar dogmaticamente, com louvor obrigatório, uma monarquia que é a herança de Franco mais sobrevivente, para que a vontade do ditador (um assassino implacável e impiedoso de milhões de espanhóis) perdure na sociedade democrática espanhola de hoje. Mas é assim: a burocracia política, a ideologia dominante na UE, tudo regulamenta e nivela, inclusive os méritos e estádios democráticos, pelo rasar da memória, transformando os povos europeus em povos com presente, dispensados de passado, portanto de futuro.
 
Fora dos regimes totalitários, de direita ou esquerda, a história é sempre controversa. E quanto mais polémica, mais viva. Porque acima dos factos, há a ideia sobre eles e não há ideia que não comporte uma ideologia (por muito que esta seja autovigiada ou recalcada). E daí que, em democracia, nunca possa haver uma “história oficial”. Assim, e voltando às pechas do ensino, o português e a matemática, sendo saberes pouco ou nada polemizados (e também são, mas permita-se o desconto), podem ser planificados sem controvérsia, ou então com ela reduzida a querelas sobre plano, método e eficácia. Com a história, com a memória, já o assunto fia fino. Mexer na memória é mexer nos homens; mexendo-se nos homens, mexe-se na sociedade. E o resultado de toda esta cadeia é política, política mesmo, mais pura ou mais dura, mas política sempre. O que não resulta de uma vontade instrumental mas porque não é possível despolitizar a história, como a memória de um sujeito não existe fora do social.
 
A desvalorização da história e do ensino de história, a qual corresponde a uma cirurgia de desmemorização, tem muito a ver com a tentativa de medianização da cidadania europeia que já teve projecto de ser vertido numa “História Oficial da Europa” a ser parida em Bruxelas e ensinada em todas as escolas europeias. Como se fosse um esconjuro dos demónios e das diversidades (afinal, património dos povos!), tornando plana a cidadania europeia num multinacionalismo negativo perante os impulsos étnicos, culturais e nacionais ou nacionalistas (veja-se o pânico generalizado perante o caso do Kosovo). O que só resultava no quadro de uma eficácia esquizofrénica, em que, num mesmo dia e hora, um búlgaro se sentisse igual em peso e feridas de memória a um holandês, um sueco pensar-se como se pensa um espanhol. No caso português, em que, exceptuando Louçã, nenhum dirigente partidário tem um passado com actividade cívica anterior ao retorno da democracia, o que implica não ter consigo memória pessoal de vivência em conflito com o efeito compressor da uniformidade totalitária, existem as condições políticas favoráveis à desvalorização da memória (mais que o seu eventual branqueamento). O que ocasiona que o grande problema da história seja ter deixado de ser problema. E sem problemas, sem problemática, a história morre de anemia.
 
É natural que, neste quadro, sejam sobretudo as gerações mais velhas, as que viveram o fascismo, aquelas que mais valorizam a memória e a história. Nem sempre da melhor maneira, é mais que certo. Tendendo muita vez para a simplificação, o cliché, a iconografia da resistência, a uniformidade dos campos com simplificação das contradições, a separação maniqueísta entre santos e pecadores. Mas o fenómeno mais contraditório entre os cultores da memória, os que resistem à amnésia histórica, é que, até pela marca geracional, se são a geração dos guardiães da memória (e a gestão desta, em termos históricos, exige uma metodologia própria, além da ética do ofício) são os mesmos que aprenderam (?) história segundo a uniformidade totalitária em que pontificava o livro único, o passado indiscutido, com a marca ideológica do nacionalismo clerical, onde pontificavam - como mestres únicos - um João Ameal ou um António Mattoso (*). E, só com gente desta a mandar na história, a fabricar história, era impossível não só gostar-se de história como, muito menos, aprender-se história. Formaram-se assim gerações de letrados que, ou se incorporavam no olho único do nacionalismo salazarista, repetindo-lhe os clichés (única coisa que se aprendia), ou então construía-se uma aversão historicista face à indigência do ensino totalitário (ainda hoje se encontra muita gente com desgosto pela história porque esta só lhe lembra a cartilha de António Mattoso) e construía-se, no acaso e calor da militância antifascista, os saberes esparsos e fragmentários, normalmente com forte carga ideológica, que constituísse uma anti-história face à propaganda do regime. É aqui que entra o papel indiscutível e insubstituível, moderador e superador, das gerações que, educadas já em democracia, tenham respeito pela memória e com aptidão para a integrarem no perceber e questionar o mundo, gosto pela história com método e regras do ofício. Ou o fazem com competência e entusiasmo, ou pagaremos no futuro a falta de integração enriquecedora do passado e da sua memória. Por mim me fico mais pelo convite que pelo aviso.
 

(*) António Mattoso (que não era historiador mas sim formado em Direito, o que não impedia que fosse o autor do livro único do ensino liceal de História) afirmava textualmente sobre o objectivo do ensino de história: “Se não criarmos na juventude escolar uma mística nacionalista, se não lhe dermos o orgulho da nossa raça e das nossas tradições, nunca conseguiremos que o ensino da História Pátria «forme portugueses», como exige o Decreto nº 21103.” (o Decreto 21103 regulamentava o ensino de história). Quanto a João Ameal (também autor do Décalogo dos deveres dos membros da Legião Portuguesa), que publicou a versão oficial da “História de Portugal”, afirmava que o seu livro “tinha um fio condutor, uma linha central que domina e caracteriza a marcha do nosso povo através dos tempos e se exprime em duas fórmulas soberanas: serviço de Deus, lema decisivo da vocação apostólica dos portugueses, da sua empresa de evangelização (…) e vontade de Império, (…) representativa de grandeza, de poder de expansão, de espírito heróico”. Ambas as citações são retiradas do livro de Manuel Loff “O nosso Século é fascista!”, edições Campo das Letras.

 

 

 

Publicado por João Tunes às 16:40
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TODAS AS ARTES REQUEREM INICIAÇÃO

 

Quando as coisas eram levadas mesmo a sério, os revolucionários eram escrutinados nas suas trajectórias e como prova de sinceridade de dedicação integral à causa eram solicitados a escreverem as suas próprias biografias (que incluíam evolução política, origem e laços sociais, relações familiares e de amizade, forças e fraquezas pessoais, concretização das motivações que o levaram a aderir à “causa”, etc). Estas autobiografias eram lidas e analisadas à lupa pelos vigilantes de quadros, submetidas a aferições e cruzamentos, pesquisa de contradições, arquivadas cuidadosamente e eram base imprescindível para ratificação caso o quadro em questão fosse indicado para uma qualquer promoção política. O Komintern, por exemplo, acumulou uma montanha monumental de fichas biográficas de praticamente todos os dirigentes e quadros comunistas de todo o mundo. Para que nenhum quadro comunista com responsabilidade média ou superior, qualquer que fosse o lugar onde se encontrava, escapasse à peneira do escrutínio completo das garantias que dava quanto a firmeza revolucionária e continuidade da “linha justa” que vigorasse no dado momento. Naturalmente, se o quadro se perfilasse na “linha dominante”, a “justa” da altura, os aspectos “positivos” extraíveis da sua biografia eram aproveitados para enaltecer a trajectória e valor do quadro. Em caso contrário, uma pequena fraqueza ou oscilação descoberta, uma qualquer proximidade antiga com uma “ovelha ranhosa”, um laço familiar ou de amizade com um qualquer membro do “inimigo de classe”, uma frase menos feliz, seriam extraídas com pinças e exibidas para demonstrar que o fulano não era aconselhável para voos mais responsáveis. Este securitarismo revolucionário, esta paranóia vigilante, era justificada aos olhos de todos os da “causa” como uma prevenção aceite e plausível para se evitarem infiltrações de oportunistas e provocadores. E sendo para tão “nobre finalidade”, ninguém se opunha a esta devassa manipulada.
 
Não sei se Diana Adringa se submeteu a este ritual de verificação de segurança e controlo nos tempos idos, naqueles em que as coisas eram mesmo levadas a sério. Nem saber isso tem qualquer interesse e só o teria, se tivesse, sob a forma do simbólico e do anedótico. Mas não consegui evitar lembrar este contexto quando, num depoimento delicioso (depositado aqui nos “comentários”), Diana Adringa partilhou um registo de memória sobre a sua iniciação nas “artes da subversão”, com a precocidade própria de uma menina de onze anos (1958, ano da campanha eleitoral de Humberto delgado). E passo a transcrever, com a devida vénia, a sua biografia de iniciação subversiva, juntando-lhe a homenagem devida à delícia de escrita memorialista que este pequeno texto é:
 

A coisa foi simples: Delgado era aviador, o que me parecia ser, então, a mais bela profissão do Mundo, também a do meu irmão mais velho, mas totalmente inacessível à rapariguinha míope e astigmática que eu era. Já as freiras do Colégio onde então andava eram, naturalmente, partidárias do contra-almirante. Entre os pilotos da B.A.1 e as freiras, a escolha pareceu-me óbvia. Não me lembro dos nomes das cúmplices no acto - já então era de bom conselho esquecer os nomes das cúmplices… - mas sei que, aproveitando um intervalo, enchemos os quadros negros de vivas a Delgado. E assim devo ao general a minha iniciação, aos 11 anos, nas artes da subversão.

 

Publicado por João Tunes às 02:23
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Que diferente está a Madame Carla (Sarkozy)...

Publicado por João Tunes às 00:56
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AGORA, QUANDO CHOVER NÃO SE DANÇA

 

Porque vai faltar Cyd Charisse.

 

Publicado por João Tunes às 00:49
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PRÉMIO PARA AUTOR COM TEMÁTICA INVULGAR

 

Josef Winkler, escritor austríaco, acaba de ganhar o conceituado Prémio Georg Büchner que é o mais importante para a literatura em língua alemã (anteriormente, este escritor já havia sido galardoado com os Prémios Alfred Döblin e Bettina von Arnim). A obra de Josef Winkler tem-se centrado na crítica radical do catolicismo austríaco e nos horrores psicológicos perpetrados sobre os crentes pela fé católica. Trata-se, assim, de um prémio à transposição literariamente talentosa de um desígnio oportuníssimo. Sobretudo quando vivemos, como agora, em tempo de renascimento do fundamentalismo catolicista.

 

Publicado por João Tunes às 00:38
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Terça-feira, 17 de Junho de 2008

POST ÍNTIMO (por isso, sem imagem)

 

Porque uma irmã não deve sê-lo para isto, a última coisa que esperava da Maria da Conceição era que expusesse publicamente a maior e mais obsessiva das minhas fantasias eróticas (e que nunca realizei): fazer amor com uma freira. Agora que já está, foi-se.
Publicado por João Tunes às 23:22
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A PENSAR MORREU UM BURRO

 

Ou a psicanálise do voto que é uma forma estranha de pensamento democrático.

 

Publicado por João Tunes às 23:07
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ERA ASSIM NO TEMPO DA OUTRA SENHORA

 

Exemplo de uma democrata suficientemente representada (ou democraticamente dispensada):
 

Se os governantes portugueses acham que o tratado está suficientemente bem para Portugal o aprovar, eu vou por eles, e não preciso de um referendo.

 

Publicado por João Tunes às 22:53
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QUASE ELA POR ELA

 

A única coisa que tende a compensar o espanto indignado por o Carlos Martins ir para o Benfica, e exprimindo o meu primeiro desaguisado sério com o Rui Costa enquanto director desportivo, é saber que o Hélder Postiga vai passar a treinar em Alcochete. Mas não chega, nada que se pareça.

 

Publicado por João Tunes às 22:31
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A LUTA DE CLASSES A BUZINAR

 

 

Se a luta de classes dos tempos modernos é a buzinar, pode concluir-se que a classe operária agora anda de automóvel e do problema do pão passou para o problema da gasolina. Então, abençoado capitalismo que tanto fez pelo operariado. É que no tempo do socialismo real, onde os operários - de braço dado com os camponeses - estavam no poder, um operário de vanguarda, daqueles endinheirados porque cheios de prémios stakhonovistas, demorava uma dúzia de anos em fila de espera para poder comprar um automóvel (Lada, Skoda, Trabant ou Polska) e a classe toda junta nunca acumulou frota para poder armar um buzinão.  
 
Imagem: Grafitti no Muro de Berlim, simulando um Trabant que entrava democracia dentro.
 
Publicado por João Tunes às 19:48
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O EXEMPLO IVASCU

 

 

Quem sabe se Neculai Ivascu não vai ser um autarca modelo? E porque não pensar no mesmo por cá, pelo menos para alguns concelhos…

 

Publicado por João Tunes às 13:20
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LEMBRANDO SANDOKAN

 

Eu lembrei-me dele aqui.

 

Publicado por João Tunes às 12:33
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MARKETING NEGRO EM FUTEBOLÊS

 

Aqui revela-se que este cartaz da Nike esteve exposto na Praça do Saldanha em Lisboa. E que teria sido precedido de um outro com uma frase turcófoba. Esta propaganda negra de xenofobia rasca se tivesse sido afixada pelo PNR ou delinquentes políticos parecidos já teria levantado um oceano de indignação (merecida). Como vem de uma poderosa marca desportiva e tem a desculpa de apoiar a “nossa selecção” pode passar impune?

 

Publicado por João Tunes às 12:19
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CONVERSA VELHA EM POST NOVO

 

 

O Marcelo Ribeiro, homem de bem recheada memória e que nos dá a felicidade de a podermos partilhar, encantado por ver reunidas e bem acompanhadas três “padeirinhas de Aljubarrota(*) (como ele lhes chama) num novo blogue, acabou por alimentar na “caixa de comentários” deste post um velha e renovada conversa ideólogo-historicista sobre esquerdas e direitas no mundo e em Portugal com um combativo opositor de opinião. Vale a pena escutar o diálogo entre eles. Parece um filme rebobinado e ali repetem-se muitos dos clichés acumulados e cristalizados numa conversa que muitas vezes soa a estafada. Mas a prova que assim não é está na persistência dos argumentos e na demarcação de trincheiras, demonstrando que eles continuam válidos, talvez porque simplesmente perduram. Ou então é a demonstração de que há contas que por muito que se ajustem nunca ficam ajustadas. E sendo assim, não há razão para lhe fugir.
 

(*) Diana Adringa, Manuela Cruzeiro e Irene Pimentel.

 

Publicado por João Tunes às 11:59
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OH MINHA SENHORA, E OS HOMENS NÃO DORMEM?

 

Manuela Ferreira Leite:
 
“As mulheres não pensam em política 24 horas por dia”

 

Publicado por João Tunes às 01:37
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