Terça-feira, 25 de Setembro de 2007

O “MITO DE OUTUBRO” (3)

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Rui Bebiano publicou o terceiro post dedicado a “Outubro” e promete dar continuidade a esta sua reflexão-síntese sobre a tomada de poder que “abalou o mundo” no princípio do século XX e o modelo político-partidário que esta convulsão difundiu e de que subsistem farrapos dispersos.
 
Sobre o leninismo e os leninistas, entendidos e perdurados segundo o molde de Estaline (molde que, exceptuando a extinta apostasia eurocomunista, permanece nos tempos actuais, incluindo na nossa versão doméstica), diz Rui Bebiano:
 
O leninismo não poderia (…) sobreviver sem o leninista, um tipo especial de militante, moldado «em aço», voltado para a acção, dotado de uma tenacidade, de um «sentido da história» e da missão que nela desempenhava, que não se poderia desviar um milímetro das suas tarefas, ousando entregar-se à dúvida ou a atitudes que o pudessem valorizar como indivíduo e não como um elemento desse todo que a direcção do Partido e do Estado, como a uma máquina, concebia e orientava.
Pode dizer-se que o essencial do modelo já havia sido desenhado pelo próprio Lenine, mas a novidade residia agora no seu entendimento [de Estaline], aplicado à actividade de todo o membro do Partido, como factor de coesão da direcção da sociedade, e, ao mesmo tempo, como instrumento de diferenciação e de combate a todos aqueles que, mesmo entre os próprios comunistas, pudessem escapar a essa configuração marmórea e inflexível.
Ao mesmo tempo, nas Questões [“As Questões do Leninismo”, José Estaline], o papel da União Soviética num contexto mundial emerge como absolutamente central. Vincula-se ao carácter tomado como exemplar da acção do Partido e do Estado, mas, acima de tudo, recolhe a sua força do próprio exemplo do acto revolucionário que lhes concedera a forma. Estaline insiste em que «a vitória da Revolução de Outubro marca uma viragem radical na história da humanidade», sendo, por esse motivo, «uma revolução da ordem internacional, mundial». Segundo o seu ponto de vista, encontrar-se-ia aqui a origem das expectativas criadas e da «simpatia profunda que as classes oprimidas de todos os países alimentam face à Revolução de Outubro, na qual elas vêm o penhor da sua libertação». Esta simpatia começará, naturalmente, pelos militantes dos partidos-irmãos, pelos sectores que tinham visto no bolchevismo um sinal de esperança numa ordem social mais justa, pelos muitos intelectuais sempre prontos a agarrarem uma utopia que, além do mais, parecia deter uma forte carga de humanismo. Todos eles capazes de entenderem a dimensão redentora e exemplar dessa experiência radical, lançada no «país do futuro radioso» que Outubro inaugurara.
Estas considerações, excelentemente formuladas, pecam, no meu entender, por corresponderem a uma visão demasiado centrada sobre o interior da militância e o seu poder de atracção utópico.
Se procurarmos entender o leninismo-estalinismo (retoricamente designado como marxismo-leninismo pelos seus seguidores) enquanto política de Estado, e ele foi essencialmente isso e claramente após ser decretado o “socialismo num só país”, a substância dos conceitos e dos seus alcances ultrapassam, de forma dominante, a relação partido-militante, espraiando-se mais na esfera dos interesses conjunturais e estratégicos do Estado russo-soviético. E, nesta passagem do partido para o Estado, a própria conceptualização do leninismo e dos leninistas, encartilhada por Estaline, assume aspectos explícitos (a legível nos documentos teóricos, predominantemente ideológica) e outros ocultos ou cifrados (a ligada aos interesses da URSS enquanto Estado com domínio russo), aliás na boa tradição comunista de prática da duplicidade enformada, caso a caso, momento a momento, pelo objecto circunstancial da propaganda e da agitação. Neste sentido, o leninismo-estalinismo (ou marxismo-leninismo) prático, o que guiou o comunismo mundial enquanto existiu, misturando partido e Estado, apresentava três vertentes: a) a ideológica (marxista-leninista) e segundo a síntese dogmatizada e formulada por Estaline (bem tratada no texto de Rui Bebiano); b) a defesa do clã partidário (na tribo maior da URSS e nas tribos subsidiárias dos partidos-irmãos); c) o “domínio russo” (herança do czarismo e adoptado como necessidade de defesa e expansão permanente do império soviético e da sua zona de influência). E estas três vertentes do leninismo-estalinismo prático não se adicionaram entre si mas interpenetraram-se de forma a criarem a “cultura política bolchevique” (afinal, o quadro de referência militante para os comunistas de todo o mundo). Esta “cultura” (adaptando-se nos países capitalistas a uma forma de resistência em “contra-cultura”), assumiu traços específicos: 1) polarização da acção política segundo a permanente dicotomia amigo/inimigo; 2) hostilidade e desconfiança perante o mundo político exterior ao comunismo (os mundos burguês, capitalista, imperialista, revisionista, reformista, colaboracionista, social-democrata, de direita); 3) a violência como modo privilegiado na resolução dos conflitos; 4) a necessidade de um espaço-fortaleza (a URSS e, depois, a “comunidade socialista”, agora quase reduzido a Cuba e a que se aspira juntar o petro-socialismo da Venezuela) como meio de segurança e como santuário de refúgio e de apoios; 5) uma crença de pertença a uma tribo-elite, legitimada pela auto-atribuída superioridade social e moral, armada de uma leitura científica do mundo e dos homens, vocacionada para cumprir uma missão profética, universalista e messiânica (quase o mesmo que outros procuram na religião e pela religião).
É no campo da duplicidade instalada na formulação política bolchevique (a partir do precoce momento em que a mentira também passou a ser revolucionária, desde que “sirva o partido”) que se encontra o cerne do poder de atracção exercido pela “ilusão comunista”. Porque esta mesma duplicidade funciona ascendente e descendentemente ao nível orgânico (filtro-sustento do domínio das hierarquias partidárias e da disciplina partidária segundo o “centralismo democrático”), mas também tem um poder desresponsabilizante para o militante médio ou de base, até para o simpatizante ou eleitor, chegando a funcionar como elemento de desculpabilização retroactiva para muitos dissidentes e ex-dissidentes, pois que estes exercem e exerceram(julgam ou querem pensar que) a sua prática militante com a sensação de terem as “mãos limpas” e virtuosas, apenas motivados pela generosidade e pela solidariedade humanista e igualitária, refugiando-se no universo das suas tarefas e da sua célula, ou do mero voto, colocando os crimes, os erros e os desvios do comunismo num plano virtual, muitas vezes "inventados pelo inimigo”, etereamente distante da sua prática limpa no serviço à bela causa utópica a que aderiu, a do ideal comunista, o da suprema fraternidade.
Publicado por João Tunes às 00:18
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2007

NOVO PARTIDO (NA POLÓNIA)

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A recriação partidária não pára. E se a imaginação falece nos partidos de poder pelo poder, que ela não falte no contra-poder. E aquele par de gémeos tacanhos está mesmo a pedir um “Partia Kobiest” (Partido das Mulheres) no parlamento polaco.
Publicado por João Tunes às 16:56
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DEMOCRACIA, LIBERDADES

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Decerto com os olhos postos em Cuba, Coreia do Norte, China e Vietname:

 

O Comité Central chamou a atenção para a continuada ofensiva contra a democracia e que se traduz em cada vez mais frequentes actos de intolerável limitação de direitos e do exercício das liberdades de acção política e sindical.

Publicado por João Tunes às 15:53
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CARRILHO E OS PARTIDOS

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Manuel Maria Carrilho, num interessante artigo publicado no DN, aborda a questão da crise nos partidos (com destaque, naturalmente, para a situação no PS) e o perigo de a democracia sofrer de uma “implosão partidária”. Interessante é o contributo que também é canhestro e manhoso.

 

Do texto, destacamos:

Da gigantesca abstenção até aos valores obtidos pelos "dissidentes", da desmotivação dos cidadãos até à fragmentação dos eleitos, tudo veio ajudar a empurrar o descrédito partidário para limiares que podem ser verdadeiramente implosivos.

Porque a implosão está perto: ela apenas depende do agravamento de dois factores: por um lado, da ilusão que os independentes podem representar de um modo mais genuíno a sociedade civil na vida democrática. E, por outro lado, do bloqueador vazio que se vive no interior dos partidos, que se tornaram cada vez mais em organizações de eleitos sobretudo preocupados com a eleição seguinte.

Claro que nesta situação - e tendo por pano de fundo uma crise da representação política de matriz civilizacional - os equívocos se multiplicam com facilidade. E o dos chamados "independentes" pode na verdade ter consequências muito negativas para a vitalidade da democracia.

Trata-se com efeito de um equívoco, e por várias razões: desde logo, porque quem temos visto a disputar eleições (trate-se de Isaltino ou de Valentim, de Roseta ou de Carmona), não são independentes, mas meros dissidentes de ocasião, que só as circunstâncias obrigaram a mudar de rótulo.

E depois porque, com este contrabando de designação, se iludem dois factos incontornáveis: é que nem estes independentes são emanações mais autênticas da sociedade, nem se encontra no mundo um só exemplo de democracia que funcione com base em independentes. Isso simplesmente não existe, por muito que tal custe à nossa tão atrevida ignorância!...

Portugal está assim, três décadas depois do 25 de Abril, refém de uma poderosa tenaz política, entalado entre partidos profundamente esclerosados e uns ocasionais ímpetos independentistas, sem verdadeira coerência ou consistência.

 

Nesta espécie de lição pedagógica para a regeneração partidária, Carrilho confunde causas e efeitos, acabando por, na sua hierarquização dos “males”, lobrigar o ónus maior no malefício da epidemia dos “independentes”. Como se não fosse, precisamente, o “bloqueador vazio que se vive no interior dos partidos” a causa e o motivo (mais o espaço aberto) para os “independentes” atingirem relativos sucessos nas últimas pugnas eleitorais. Sobretudo se tivermos em conta que realizaram campanhas sem o apoio das poderosas e endinheiradas máquinas partidárias.

 

Curiosamente, na listagem das heresias “independentistas” (“dissidentes” chama-lhes Carrilho, copiando a linguagem condenatória do PCP), o articulista “esqueceu-se” de mencionar a candidatura de Alegre às presidenciais (porque será? um milhão e cem mil votos é de mais ou de menos para caracterizar uma apostasia?) e, no relativo às autarquias, refere Valentim e Isaltino, Roseta e Carmona, mas deixa no escuro do silêncio o “caso Felgueiras” (e que caso!).

 

Carrilho comete ainda, neste artigo, duas outras omissões de monta: primeira, que nas “legislativas” (a excelência na afirmação partidária e de onde sai o parlamento e o governo), os “independentes/dissidentes” não têm espaço de intervenção concorrencial; segunda, silencia o seu próprio contributo pessoal para a “implosão partidária” pois que, enquanto “homem de partido”, na penúltima eleição autárquica para Lisboa (uma eleição não contaminada com a concorrência de “independentes”) deu forte contributo ao descrédito das “candidaturas partidárias” (a campanha de Carrilho proporcionou a maior vitória do PSD para a CML) além da péssima oposição camarária que exerceu (em que primou pela omissão e pela vitimização).

 

Afinal, nem sempre quem se veste de pedagogo vai além da tentativa de fazer pastorícia de bodes expiatórios.

Publicado por João Tunes às 15:06
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A CRISE DAS QUOTAS

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Dada a irrelevância política do PSD, sobra o problema gordo do pagamento das quotas. É esse, afinal, o grande tema da discórdia na disputa de liderança. E, na imagem que passa, se no interior do partido não conseguem resolver este burocrático problema como iam fazê-lo no governo do país? Sócrates é mesmo um homem protegido pela estrelinha da sorte. Com a oposição - toda - a esfarelar-se, quase nem precisava de governar. De tédio em tédio, caminhamos para o deserto político.

Publicado por João Tunes às 12:37
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E AGORA, SEM JOSÉ?

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Publicado por João Tunes às 11:46
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O PONTAPÉ PORTUGUÊS QUE FICOU PARA A HISTÓRIA

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O mais célebre “pontapé de canto” na memória do futebol. Foi marcado por Luís Figo em Camp Nou num Barcelona-Real Madrid em 2002.

Publicado por João Tunes às 11:25
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LÁ LONGE, MUITO LONGE, NA ALEMANHA

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Por razões “óbvias” e outras “conhecidas”, Ângela Merkel tem agenda própria. Que não está escrita em mandarim.  
Publicado por João Tunes às 11:13
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Domingo, 23 de Setembro de 2007

MARCEL MARCEAU

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Pela perda de um génio que não usava a palavra, dispensava-a mesmo, passando bem sem ela, devia ser proibido usar palavras. Como não é, aqui ficam.

Publicado por João Tunes às 23:24
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A MEMÓRIA E A DISCÓRDIA

 

Meter a memória histórica num articulado de lei se não é impossível é, pelo menos, ciclópico. Em termos de memória, que se cruza e mistura com os ressentimentos, há muita gente a puxá-la de todas bandas. Quando houver uma memória histórica consensual, é porque chegámos mesmo ao fim da história. Exemplo disso parece estar a passar-se em Espanha em que o PSOE se desentende com todos os outros partidos sobre a versão da “Lei de Memória Histórica” a propósito da guerra civil espanhola (1936-1939) e das vítimas da repressão da ditadura franquista (1939-1975).

 

Imagem: Em Saragoça, como um pouco por toda a Espanha, procuram-se as ossadas dos assassinados pelos franquistas nas inúmeras “valas comuns” onde os republicanos, ou disso suspeitos, foram depositados sem direito a sepultura.

Publicado por João Tunes às 17:08
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EM IBIZA (BALEARES): UM BISPO CONTRA A PINTURA

 

Se um bispo não gosta de um quadro, a coisa fica feia. Se um bispo classifica um quadro como blasfemo, cai a mão autoritária, sem luva mas com anel (para aleijar mais). Hoje, na Europa, em Espanha, em Ibiza.

Publicado por João Tunes às 16:20
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PINTURA NO CENTRO-ESQUERDA

 

está disponível o artigo de Vital Moreira em que se propõem uns retoques de tinta de esquerda na acção governamental de centro-esquerda. Com vista a 2009, pois então.
Publicado por João Tunes às 12:14
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ESQUERDA, DIREITA E SOBRETUDO CENTRO

 

Lido aqui:

 

A nau Portugal vai vogando para o no man’s land da desideologia em nome do pragmatismo, da realpolitik e do combate aos abusos e desvios revolucionários. Mesmo se esses abusos já só forem uma mera lembrança, mastigada por vinte anos de normalização, por mais um par de anos de união europeia. E pela desqualificação acentuada das organizações putativamente á esquerda do partido socialista. Também delas só resta uma vaga recordação. O partido comunista enquistou-se numa tristonha e defensiva hagiologia de Álvaro Cunhal, o último bolchevique, e o chamado bloco de esquerda, tem tão pouco de bloco como de esquerda: basta ver a ânsia com que se coligou em Lisboa e a pobreza das propostas que apresenta. É folclórico, provavelmente anti milho transgénico e socialmente fracturante mesmo que isso diga pouco ou nada aos “trabalhadores” portugueses. É mesmo, a nível de direcção política visível, outro símbolo de uma certa elite que desde sempre se associou à detenção do poder.
Neste teatro de sombras que é a política nacional, a frase de Sócrates tem pelo menos um mérito: indica um caminho. Não o caminho futuro mas o caminho já feito. Daqui para a frente tudo é possível, por exemplo vir a ser o partido centro-central.
E não se preocupem os que pensam o mundo como algo em que há horror ao vazio. Em Portugal é perfeitamente possível haver centro, direita e até extrema direita sem necessidade de esquerda.
Nalguma coisa havíamos de ser originais.

 

Publicado por João Tunes às 11:56
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Sábado, 22 de Setembro de 2007

nada i ka nada (*)

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Aqui está retratada a desacreditada pátria criada por Amílcar Cabral. Um autêntico murro na nossa derrota colonial dado pela lucidez do olhar crítico de Leopoldo Amado (na foto) (**).
 
(*) – Traduzindo do crioulo da Guiné: “nada é nada”
 
(**)Historiador guineense, doutorado pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa.
Publicado por João Tunes às 23:29
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A OPOSIÇÃO NA SOLA DOS SAPATOS

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E porque não recomendá-los também, cara Joana Lopes, ao camarada de oficina de Jerónimo Sousa que, como ele contou na AR numa notável oração oposicionista ao melhor estilo neo-realista, andava de sapatos engraxados por cima mas com solas rotas por baixo? É que, com este modelo, o risco de má figura por basófia com solas rotas ficava bem reduzido.
Publicado por João Tunes às 16:42
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