Quinta-feira, 26 de Julho de 2007

SE VOLTAR À ESQUERDA

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Para mitigar o meu pessimismo, quero acreditar que, um dia, o PS ainda vai lembrar e agradecer a Manuel Alegre ter escrito o artigo (*) ontem publicado no “Público”. Mas, para já e até lá, vão-no tratando mais ou menos como é uso e costume tratar-se Zita Seabra.

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(*) - Em caso de dificuldade com este link, o artigo pode ainda ser lido aqui.

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Adenda: Para os que não tiverem paciência para ler Alegre, achando-lhe o discurso gasto, virem-se então para António Arnaut, um dos fundadores do PS, e leiam-lhe a entrevista na "Visão" de hoje.  

Publicado por João Tunes às 00:32
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2007

O PÊLO ERIÇADO DE KADAFI É TÃO MACIO

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Kadafi está habituado a chantagear. Aguça as garras, ameaça, depois troca o recuo pelas cócoras dos diplomatas e governantes tíbios assustados, fazendo, no final, bons negócios. Voltou a fazê-lo com o caso das enfermeiras búlgaras: utilizou-as como bode expiatório para iludir deficientes condições sanitárias, ameaçou-as de pena de morte, atribuiu-lhes prisões perpétuas, devolveu-as à Bulgária. Em cada um destes passos, foi obtendo concessões até, no final, sair do processo chantagista com reforço do seu estatuto de “bom rapaz”. Sarkozy (e Durão Barroso) alinharam em mais um passar a mão pelo pêlo de Kadafi.

 

Tudo bem. Salvaram-se vidas. E a vida continua, com o petróleo e o gás líbios. Agora, venha o Sr. Mugabe até Lisboa. O que quererá ele "para troca"?

Publicado por João Tunes às 23:57
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"LA GARZONA"

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Que Saramago tome nota: em mais um passo para a iberização com molho à espanhola já temos a nossa Juíza Garzona.

Publicado por João Tunes às 23:30
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ILDA, A "SENHORA NIET"

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Ilda Figueiredo nem sequer é original. Já Gromiko (o clássico e ortodoxo Gromiko, sobrevivente a Estaline, Krutchov, Brejnev, Andropov e Tchernenko, subindo sempre na hierarquia em cada mudança de liderança, cujo único deslize assinalado como de monta foi ter sido o proponente de Gorbatchov para a chefia do PCUS), quando embaixador da URSS na ONU, era conhecido como “Senhor Niet”, pela sistemática posição negativa perante qualquer proposta apresentada pelos seus pares.

Publicado por João Tunes às 23:20
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PARA OS LIBERTÁRIOS COM PAREDES DE VIDRO

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Imagine-se, em Cuba, um cidadão - por exemplo, um professor assalariado do Estado cubano -, exclamar (com os ouvidos do “CDR” da zona bem acesos):

 

 - Fidel y Raul, hijos de puta!

 

Sabemos todos que nada se passaria.

[mas se passasse, então Cuba, afinal, seria uma imensa DREN]

Publicado por João Tunes às 22:45
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IRRITAÇÃO

 

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Um dos aspectos que mais me irritam nesta história da DREN, é esse tal Charrua ter pretexto para andar por aí a pavonear-se como herói e mártir da luta pela liberdade de expressão. Ao que o PS chegou: andar a arar para semear margaridas partidárias (*) empurrando tão fraca charrua.

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(*) Mas o PS é assim. Do socialismo passou para a gaveta, do vermelho passou para a cor-de-rosa, do punho passou para a rosa, da rosa está agora a passar para a margarida. Tarda nada adopta o nenúfar como símbolo, por ser flor aquática.

Publicado por João Tunes às 15:47
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Terça-feira, 24 de Julho de 2007

É ESTE O IBERISMO SONHADO POR SARAMAGO?

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João Miguel Tavares no DN:

 

Razão tinha Saramago: podemos juntar-nos todos e desatar a formar uma grande Ibéria, porque entre a bufaria de cá e a censura de lá nem se dá pela diferença. Estamos juntos nesta confraria duvidosa de povos com queda para autoritarismos (décadas e décadas a aturar ditadores) e evidentes dificuldades em lidar com a liberdade de expressão. O juiz Del Olmo, como é óbvio, não foi muito esperto. A única coisa que conseguiu foi que a edição do El Jueves esgotasse num piscar de olhos e a imagem da capa proliferasse pela Internet - quando a polícia for apreender a revista já só vai encontrar exemplares de colecção. Mas se o juiz não foi esperto, a sua reacção é sintomática. Lá como cá, tem havido vários exemplos de que o equilíbrio entre dois direitos consagrados pela Constituição - o direito à liberdade de expressão e o direito ao bom nome e reputação - começa a pender mais para um lado do que para o outro.

Publicado por João Tunes às 16:17
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UM GOVERNO POTEMKIN?

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A utilização profissional e remunerada de crianças para fazerem número de figurantes numa acção de propaganda do governo, encenando um encontro de Sócrates com jovens alunos, é, além do mais, uma tristeza na virtualidade com que o governo entende encenar-se, transformando Portugal num “país Potemkin”.

 

Já sabíamos do apoio do PS à terceira idade de Cabeceiras de Basto e do Alandroal. Agora temos o apoio do governo à profissionalização das crianças. Entre crianças pagas à hora e idosos arrebanhados para excursões que acabam com bandeirinhas na mão, temos um pais esperando o espanto pelo que mais nos vai acontecer. Que Potemkin cuide bem de nós.

Publicado por João Tunes às 16:06
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MAU AMANHO

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Mal amanhado o despacho ministerial sobre o processo instaurado pela comissária política da DREN ao professor Charrua. O que confirma a má forma como este governo lida com as liberdades, continuando a manchar o património das tradições históricas do PS neste domínio.

 

Por um lado, a ministra tenta salvar as faces da comissária política da DREN, do bufo denunciante e de Sócrates, ao dizer “ter ficado provado no relatório do processo disciplinar a existência de um insulto ao primeiro-ministro”. Por outro lado, face ao escândalo da insustentabilidade de desembocar numa sanção a denúncia e a acção repressiva, invoca, para o arquivamento do processo, que se o professor fosse punido “poderia configurar uma limitação do direito de opinião e de crítica política”. Ou seja, não puniram por não terem condições políticas para isso. Politicamente, é uma saída de sendeiro para o disparate autocrático de uma funcionária com desastradas entradas de leão. Em coerência, ou houve insulto e se punia, ou não houve e arquivava-se. Assim…

 

Resta o consolo de a opinião pública ter funcionado para travar o pior que se preparava neste caso. Sobra uma ministra que, ao querer salvar a face da funcionária da DREN, ficou sem autoridade política para exercer funções em que se exige coragem política, sem medos de cartões partidários.

Publicado por João Tunes às 15:48
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

IDIOSSINCRASIA

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O sítio mais óbvio do mundo para encontrar um solitário é Portugal. Um criminoso espanhol cometeu o erro de não saber lidar com esta evidência consabida. Mereceu ser apanhado.

Publicado por João Tunes às 23:06
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MENEZES É O QUÊ?

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Apesar do ar desbragado do homem, por favor parem de o insultar, chamando-lhe o que parece mas não é: candidato.

Publicado por João Tunes às 22:38
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SIMPLEX E O VIVO QUE A BUROCRACIA QUER COMO MORTO

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Também a guerra tem as suas burocracias. E, como qualquer burocracia, se não domada pelo sentido do humano, tende a tomar galopes soltos mesmo sem sinais humanos sentados na sela. Onde facilmente as vidas se perdem, ou se gastam, como é o caso das guerras, a “burocracia da guerra” pode cometer o mais caricato erro burocrático: trocar vivos por mortos, ou vice-versa.

 

Neste blogue, reconstitui-se uma odisseia burocrática que começou na guerra colonial na Guiné e se espraiou no meio da papelada, esmerando-se em caprichos, com que os militares portugueses registam os que, da guerra, saíram vivos e mortos. Mostrando-se difícil que alguém dado como morto e enterrado, afinal estando vivo, recupere a cidadania da sua vitalidade. [post 1, post 2, post 3]

 

Resumindo a história do ainda vivo cidadão António da Silva Batista, antigo soldado do Exército Colonial Português:

 

- Em 17 de Abril de 1972, em Quifaro (Guiné), uma emboscada montada pelo PAIGC provoca um número elevado de vítimas mortais: 11 militares portugueses, cinco “milícias” africanos e vários civis que eram transportados na coluna militar. O soldado Batista escapa com vida e é aprisionado pelos guerrilheiros do PAIGC, sendo levado por eles para a Guiné-Conacry. Através da Cruz Vermelha, o soldado Batista escreve várias cartas à família que nunca chegam ao seu destino.

 

- O soldado Batista é dado como morto pela burocracia militar portuguesa, um outro cadáver faz-lhe de corpo seu, é passada competente certidão de óbito, os restos mortais substitutos são entregues à família, que procede ao respectivo funeral, ficando com campa no cemitério da sua terra natal que passa a ser cuidada e transformada em culto de saudade pela família.

 

- Com o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, o PAIGC liberta o soldado Batista, entregando-o ao exército português. Em Setembro de 1974, passados 27 meses sobre a data da sua captura pelo PAIGC, volta a casa e à família. Visita a “sua campa” no cemitério (foto na imagem, publicada em 1974 no “Jornal de Notícias”) onde lê na lápide que lhe era dedicada Em memória de António da Silva Batista. Falecido em combate na província da Guiné em 17-4-1972" e deposita uma coroa de flores sobre o corpo que lhe fizera as vezes.

 

- O ex-soldado Batista, cujo único documento de identidade era a sua certidão de óbito, vê-se em palpos de aranha para recuperar a sua condição de cidadão vivo. Se o Exército o dera como morto em combate, com certidão de óbito devidamente emitida, como podia passar a vivo e contado o tempo de ausência como prisioneiro? A burocracia reage como é timbre da burocracia. O ex-soldado Batista é reintegrado no rol dos vivos mas ainda hoje, continuando vivo, não conseguiu que a sua permanência no campo de prisioneiros do PAIGC lhe conste, na sua caderneta, como tendo sido em serviço militar.

 

A burocracia não permite que um vivo tenha estado vivo enquanto os papéis, os sagrados papéis da burocracia, assinalam que o vivo estava morto. Quando muito terá estado vivo mas, nos papéis, continua morto, ou pelo menos ausente em parte incerta. E se o ex-soldado Batista quisesse documentos conformes, respeitasse o papel da certidão de óbito e, em vez de andar a atrapalhar a burocracia, aceitasse que estava morto. Nem o Simplex resolve tão intrincado desrespeito à santa burocracia?

 

Imagem: Foto de Alvaro Basto sobre o “JN” que relatava o regresso do morto-vivo.   

Publicado por João Tunes às 12:21
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O PALERMA ARROJADO

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A normalidade duradoira para países predominantemente católicos, segundo Pedro Arroja:

 

Se, porventura, me fosse perguntado qual a instituição que nos últimos dois séculos mais danos produziu nos países predominantemente católicos do sul da Europa e nos seus descendentes por toda a América Latina, eu não hesitaria na resposta - a democracia.

 

Desde que em 1789 a França generalizou esta instituição protestante aos países católicos do sul da Europa e, através deles, a toda a América Latina, nunca mais estes países viveram com normalidade duradoura - na política, na economia, na sociedade. Pelo contrário, a regra passou a ser a alternância entre a desordem que a democracia causava e a emergência de um césar que repunha alguma ordem - e, nalguns casos, até repunha a normalidade, a prosperidade e, não poucas vezes, um brilho.

 

Na realidade, durante este espaço de 200 anos, os melhores períodos destes países, em termos de prosperidade económica, social e até cultural, não foram conseguidos sob condições democráticas, mas sob a autoridade de um césar. Para mencionar alguns exemplos, Salazar em Portugal, Franco em Espanha, Pinochet no Chile, Peron na Argentina.

 

Ou dito de outra forma, palermice não arrojada arrisca-se a não ser notada. Este senhor está disso livre. Graças à democracia.  

Publicado por João Tunes às 10:55
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A OUTRA FACE

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Logo que terminada a 2ª Guerra Mundial, o legado da grande coligação antinazi não só durou pouco como a posse da bomba atómica por parte de dois ex-aliados (EUA e URSS), criando apetências megalómanas nestes rivais conjunturalmente coligados contra Hitler, resvalou para uma apetência pelo domínio hegemónico sobre a humanidade. E a “guerra fria” logo iniciada, bem cedo se transformou numa probabilidade elevada de, mudando os amigos e os inimigos, uma nova hecatombe (mais destruidora que a anterior) cair sobre os sobreviventes atordoados entre os escombros e os cadáveres de uma carnificina que acabara de ceifar muitos milhões de vidas e fizera baixar, na Europa, a qualidade de vida a um patamar mínimo de indigência.

 

A deriva histérica nos Estados Unidos, no rasto da substituição de Roosevelt por Truman, consubstanciada no “macarthysmo”, representou um retrocesso assinalável na identidade democrática dos Estados Unidos e no paradigma “wilsoniano” da liberdade e autodeterminação dos povos. A opinião pública e a intelectualidade americanas há muito que fizeram o escalpe e o juízo severo sobre este período negro da democracia americana no arranque da “guerra fria”. E a propaganda antiamericana glosou á saciedade, e continua a glosar hoje, esta perversão.   

 

Pouco ou nada se fixou na memória herdada do início da “guerra fria” quanto à outra face da tentação hegemónica. Ou seja, a forma como a URSS e o seu líder (Estaline) apostou e se preparou para o “confronto total” com o seu ex-aliado, fazendo a humanidade pagar o preço de uma nova e mais radical onda destruidora. E, no entanto, a fase que se seguiu ao fim da 2ª Guerra Mundial constituiu um sobressalto paranóico (uma reedição agravada da mortandade havida em 36-39) do poder absoluto instalado no Kremlin virada para o interior (visando a liquidação da camarilha dirigente do PCUS) e preparando o confronto atómico com os Estados Unidos, fosse qual fosse o preço. A estratégia da purga interna em coincidência com o confronto externo (utilizando os judeus e Israel como o pretexto odioso) arrancou sob batuta de Estaline e só parou com a sua morte em Março de 1953, ficando conhecido como a “conjura das batas brancas”.

 

Bem conhecido e bem denunciado o “macarthysmo” no lado americano, talvez seja útil lembrar o muito esquecido respeitante ao lado soviético. No mínimo, a cronologia que enquadra a teia paranóica estalinista na sua fase terminal (*):

 

9 Maio 1945: vitória sobre a Alemanha nazi.

 

10 Maio 1945: Chtcherbakov [dirigente soviético] morre de crise cardíaca.

 

Abril 1948: Iouri Jdanov [membro do CC do PCUS e filho do alto dirigente soviético A. A. Jdanov] critica o biólogo charlatão Lissenko e protegido de Estaline durante um seminário científico.

 

Maio 1948: criação do Estado de Israel.

 

Junho 1948: 10.000 judeus participam numa cerimónia sobre o fim da guerra na grande sinagoga de Moscovo.

 

Julho 1948: A. A. Jdanov, doente, é mandado para uma estância de repouso da nomenclatura em Valdai.

 

23 Julho 1948: A. A. Jdanov adoece gravemente.

 

31 Julho – 7 Agosto 1948: O biólogo Lissenko dá uma conferência.

 

7 Agosto 1948: O “Pravda” publica uma carta de autocrítica de Iouri Jdanov; a médica judia Drª Karpai (especialista em electrocardiogramas) faz um exame a A. A. Jdanov e, após o diagnóstico, vai de férias.

 

28 Agosto 1948: A médica Drª Timachouk, também agente da polícia política, especialista em electrocardiogramas, em substituição da Drª Karpai, examina A. A. Jdanov e regressa a Moscovo.

 

29 Agosto 1948: Segunda crise cardíaca de A. A. Jdanov. A Drª Timachouk regressa a Valdai, faz novo electrocardiograma a A. A. Jdanov e manda relatório para Vlassik, chefe da segurança de Estaline e do Kremlin.

 

30 Agosto 1948: Abakoumov, chefe da polícia política e dirigente do PCUS, envia o relatório da Drª Timachouk a Estaline, anexando-lhe o electrocardiograma feito a A. A. Jdanov em que esta médica refere estar a haver negligência dos seus colegas. Estaline manda arquivar a carta de denúncia. A Drª Timachouk volta a fazer novo electrocardiograma a A. A. Jdanov.

 

31 Agosto 1948: Reúnem-se os principais médicos do Kremlin – Drs. Vinogradov, Zelenine, Etinguer (judeu) e Nezline, em Moscovo. Em Valdai, morre A. A. Jdanov e é imediatamente autopsiado.

 

4 Setembro 1948: O Dr. Iegorov, chefe dos médicos do Kremlin, convoca a Drª Timachouk ao seu gabinete que, entretanto escreve ao seu superior na polícia, Souranov.

 

6 Setembro 1948: O Dr. Iegorov realiza uma reunião extraordinária no hospital do Kremlin.

 

8 Setembro 1948: Um informador da polícia sob o pseudónimo de “Iourina” (pseudónimo da Drª Timouchouk?) faz um relatório sobre a discussão do dia 6 no hospital do Kremlin.

 

9 Setembro 1948: A Drª Timachouk é despromovida das suas funções e passa a “segunda linha” na assistência médica aos senhores do Kremlin.

 

15 Setembro 1948: A Drª Timachouk escreve uma carta de queixa a Kouznetsov (membro da Comissão Política do PCUS).

 

21 Setembro 1948: Ilya Ehrenbourg (escritor, jornalista, judeu) publica no “Pravda” uma carta a atacar Israel.

 

Janeiro 1949: A Drª Timachouk volta a escrever a Kouznetsov.

 

Janeiro de 1949: São presos os membros do “Comité Judaico antifascista” Luzovsky, Kvitko, Markesh e outros.

 

26 Janeiro 1949: É presa Jemtchoujina (judia, mulher de Molotov, membro da Comissão Política do PCUS).

 

16 de Abril de 1949: A delegação de Leninegrado do PCUS é acusada de actividades “antipartido”.

 

Primavera de 1949: Svetlana Alliluieva (filha de Estaline) casa com Iouri Jdanov.

 

Junho 1950: Começa a guerra da Coreia.

 

Agosto 1950: Kouztnetsov e Voznessenski, membros da Comissão Política do PCUS, são presos por acusação de dirigirem as actividades “antipartido” em Leninegrado. Estes dirigentes destacados do PCUS, mais sete dirigentes regionais de Leninegrado, serão fuzilados em Outubro.

 

22 Novembro 1950: O Dr. Etinguer (judeu, médico e professor) é preso e interrogado por Abakoumov.

 

2 Março 1951: O Dr. Etinguer, após torturas prolongadas, morre de crise cardíaca na prisão de Lefortovo.

 

Março 1951: Rioumine, alto funcionário policial, é repreendido pela morte do Dr. Etinguer.

 

2 Julho 1951: Rioumine queixa-se a Estaline de Abakoumov, seu superior na direcção da polícia. A carta é imediatamente apreciada em reunião do “presidium” do CC do PCUS.

 

4 Julho 1951: Abakoumov é demitido de chefe da polícia. É preso no dia 12.

 

16 Julho 1951: É presa a Drª Karpai.

 

17 Julho 1951: Vlassik faz um relatório contra o Dr. Iegorov.

 

Outubro 1951: Ignatiev (que substituíra Abakoumov) faz um relatório para Estaline denunciando o “grupo de médicos terroristas”.

 

Outubro 1951: Rioumine faz relatório sobre a situação na polícia política para Estaline.

 

Dezembro 1951: São presos vários judeus altos funcionários da polícia – Raikhman, Navlovsky, Sverdlov e outros.

 

15 Fevereiro 1952: O Dr. Rijikov é preso sob acusação de ter assassinado Chtcherbakov.

 

12 Agosto 1952: São fuzilados os membros do “Comité Judaico Antifascista” que tinham sido presos em Janeiro de 1949.

 

Setembro 1952: É examinado o coração de A. A. Jdanov (os órgãos dos dirigentes do PCUS que faleciam eram conservados em álcool) e as conclusões são enviadas a Estaline. O Dr. Iegorov é preso, bem como o Dr. Vassilenko.

 

27 Setembro 1952: É presa a mulher do Dr. Iegorov.

 

5 Outubro 1952: Inicia-se o XIX Congresso do PCUS (o último com Estaline).

 

2 Novembro 1952: Estaline ordena à polícia que torture os médicos presos “até à morte”.

 

4 Novembro 1952: É preso o Dr. Vinogradov.

 

12 Novembro: São presos os médicos judeus Dr. Vovsi (médico chefe das Forças Armadas) e Dr. Kogan, acusados de negligência no tratamento de Dimitrov (dirigente comunista búlgaro, antigo chefe do Komintern).

 

13 Novembro 1952: Rioumine é substituído nas funções policiais por Sokolov.

 

13 Novembro 1952: Rioumine escreve a Estaline.

 

Novembro 1952: Ignatiev reúne com Estaline e a seguir é acometido de uma crise cardíaca.

 

15 Novembro 1952: Goglidzé é nomeado chefe do inquérito à “conspiração das batas brancas”.

 

1 Dezembro 1952: Numa reunião do CC do PCUS, Estaline invoca a carta da Drª Timachouk, a mesma que lhe fora enviada em 1948 e ele mandara arquivar, ataca Abakoumov (preso) e Vlassik e insulta os membros da Comissão Política do PCUS, acusando-os de cobardia e laxismo.

 

16 Dezembro 1952: Vlassik é preso.

 

21 Dezembro 1952: Festa do 73º aniversário de Estaline na sua “datcha”. Reunida a Comissão Política, Estaline ataca dois dos seus membros – Molotov e Mikoian.

 

13 Janeiro 1953: A TASS difunde um artigo sobre a “conspiração das batas brancas”.

 

20 Janeiro 1953: A Drª Timachouk recebe a “Ordem de Lenine” por ter denunciado os médicos.

 

Janeiro 1953: O "Avante", no seu nº 174, exprime o apoio do Partido Comunista Português a Estaline e à repressão soviética, proclamando: "Na sua política de domínio mundial, os imperialistas recorreram à sabotagem, à espionagem e ao assassinato dentro da União Soviética. Os seus agentes, acobertados no próprio Partido Comunista, foram descobertos, julgados e condenados em 1937 e 1938. Estes históricos julgamentos vibraram um golpe profundo nos planos imperialistas, contribuiram poderosamente para a defesa da União Soviética, cujo povo unido e dirigido pelo heróico Partido Bolchevique, infligiu ao fascismo a grande derrota de 1945. Recentemente foram descobertos os crimes de 11 médicos judeus, que, instigados pelos serventuários do imperialismo americano do Estado de Israel, se dedicavam na União Soviética a crimes de assassinato contra os mais destacados dirigentes do Partido Comunista e do Estado, particularmente dos dirigentes das forças armadas, tendo assassinado Jdanov e o general Shderbokov. Estes infames crimes mostram bem os intentos criminosos dos imperialistas americanos e dos seus lacaios israelitas."

 

17 Fevereiro 1953: A polícia propõe-se organizar vários novos campos de concentração destinados a “prisioneiros criminosos estrangeiros” (supõe-se que seria destinado a internar os judeus soviéticos).

 

1 Março 1953: Estaline é encontrado muito doente na sua “datcha”.

 

5 Março 1953: Estaline morre.

 

9 Março 1953: Funeral de Estaline.

 

17 Março 1953: Rioumine é preso às ordens de Beria.

 

31 Março 1953: Decreto de Beria sobre o fim das perseguições aos médicos e judeus e libertação dos prisioneiros da “conspiração das batas brancas”.

 

4 Abril 1953: O “Pravda” dá notícia da libertação dos prisioneiros. É retirada a “Ordem Lenine” atribuída à Drª Timachouk.

 

26 Junho 1953: Beria é preso.

 

23 Dezembro 1953: Beria é fuzilado.

 

2-7 Julho 1954: Rioumine é julgado e fuzilado.

 

Dezembro 1954: Abakoumov é fuzilado.

 

 

(*) A partir da cronologia incluída em “Le Dernier Crime de Staline”, Jonathan Brent e Vladimir P. Naumov, Ed. Calmann-Lévy  

Publicado por João Tunes às 00:20
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Domingo, 22 de Julho de 2007

PRESIDENTE SÁDICO?

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Quando Cavaco Silva aconselhou as grávidas madeirenses decididas a abortarem a recorrerem aos tribunais para que a lei da IVG seja respeitada naquela Região, eu tive uma visão-pesadelo: senhoras sentadas nos tribunais madeirenses com embriões conservados em frasquinhos, aguardando decisão do meretíssimo juiz.

Publicado por João Tunes às 22:49
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