Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Mas a situação tem de mudar. É uma questão de sobrevivência nacional. Não se trata de uma mudança de instituições, ou de um reordenamento de poderes. Todos, à esquerda, parecemos estar de acordo em que a estabilidade e o equilíbrio são necessários nos próximos anos. Trata-se, sim, de uma transição clara da indignidade para a dignidade. Uma afirmação de decência que marque a diferença em relação ao já visto, ao mais do mesmo, que os candidatos repetentes inapelavelmente evocam. Não tenho de estar de acordo com tudo o que Manuel Alegre diz ou faz. Mas não me consta que esconda amizades equívocas, rabos de palha, telhados de vidro, nem me parece que sirva para capacho de banqueiros e magnatas ou para gasalho de demagogos e populistas. Conhecidos de todos são o seu empenhamento cívico, corajoso, de homem livre, o respeito pelos compromissos e a assunção plena, desassombrada e muito manifesta da cidadania. E uma cultura política invulgar que o faz saber do que fala, o que não tem estado ao alcance de todos. Uma última nota. Certo incidente, de contornos ainda difusos, levou os nossos maquiavéis de esquina, alcibíades de vão de escada, e bórgias de pataco a comentar, muito ovantes, que em política não há amigos. A ideologia dominante tem destas evidências. Mesmo que se aceite que exigências da vida política abatam sentimentos e afectos, a minha evidência é a de que também há limites para a deslealdade.
Mário de Carvalho (Escritor e apoiante de Manuel Alegre)(texto completo a ler
aqui)
Quarta-feira, 2 de Novembro de 2005

Um interessante repositório de fotos originais (de origem não identificada) sobre a guerra civil de Espanha, pode ver-se
aqui.
São testemunhos soltos sobre ocorrências na região de Badajoz após a sua conquista por Franco. Na imagem, de lá subtraída, vê-se um grupo de republicanos espanhóis (rojos) amarrados e prontos para a matança falanguista. Muito perto de nós. A um pulo de Elvas ou de Campo Maior. Onde, durante anos, se iam comprar caramelos.

Há compromissos de arranjos equilibrantes e temerosos que dão numa enorme embrulhada. A necessidade de novas eleições (antecipadas) para que novas Cortes aprovem a emenda constitucional que garanta o princípio constitucional da igualdade entre sexos na descendência real espanhola (depois, a ter ainda de ser referendada), é uma prova do grotesco monárquico e dos salamaleques perante ele.
Como se isto não bastasse, a emenda necessária nem sequer pode ser aplicada quando Juan Carlos bater a bota. Felipe ainda tem garantida a finta de prioridade à irmã mais velha, ou seja, está isento do princípio de não descriminação das mulheres, porque de pequenino já tinha o trono garantido. Só à gordita e redonda Leonor se quer eximir do ferrete cromossômico.
Foi o fascismo, foi Franco, com Hitler, Salazar e Mussolini, que liquidaram a República em Espanha. Foi Franco que impôs aos espanhóis este Rei como garantia da continuidade franquista. Esta é legitimidade de Juan Carlos. Que, além do mais, tem um alto preço em mortos, presos, torturados e escuridão. Preço alto. Muito alto. Se o considerarmos como preço para se ter um Rei.
Não questiono que Juan Carlos, apesar da sua falta de legitimidade e das suas hesitações, teve um papel moderador na transição da ditadura para a democracia em Espanha. E que, por isso, tenha direito a um crédito de reconhecimento. Pelo menos, dizer-se dele que podia ser bem pior. OK. Obra feita. Mas a democracia espanhola é já adulta, não necessita de tutelas nem de protecção real. Muito menos da abencerragem de se andar à volta com a ordem constitucional para tornar o processo da descendência por sangue azul um pouco menos grotesca. Sabendo-se que de grotesca não passa. Valha-nos que Duarte Pio, apesar daquele ar tonto que aparenta (se calhar, não será), parece menos ambicioso.
Evaristo:
O João parece que ainda teme o capital -- que foi "diabolizado" por todos os marxistas-leninistas. Hoje vivemos com outros fantasmas, e o capital -- individual ou corporativo, de pequenas, médias e grandes empresas -- é benquisto por todas as nações. Não podemos invejar quem promove riqueza, quem tem melhores ideias, como as que tem Belmiro de Azevedo, e que acima deixo registadas, por preciosas...Belmiro de Azevedo, PÚBLICO/Rádio Renascença, 30-10-2005:
Cavaco vai ganhar e vai ser um excelente Presidente para trabalhar com um excelente primeiro-ministro.
Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

No último
post, inspirado na leitura de um livro de Armando Sousa Teixeira, aparece a caracterização dos sucessivos chefes todo-poderosos, autênticos títeres do regime que tiveram como funções principais, à frente da direcção da populosa Oficina da CP no Barreiro, não só domarem o seu espírito revolucionário, reivindicativo e de classe, como, na medida do possível, chantageando emprego, ordenado e carreira, tornarem aquele baluarte operário numa força de apoio ao fascismo. E AST nomeia alguns - Rui Ulrich, Fernando de Sousa, Raul Esteves, Mendia, Bruschi, Garcia, Adragão.
Destes, só conheci o último - Victor Adragão. E bem, demasiado bem. Não porque eu tenha sido ferroviário ou aparentado. Mas porque Victor Adragão foi, nos anos cinquenta e sessenta, um quadro destacado do fascismo português que, colocado no Barreiro, tinha missões mais amplas que aquelas que desempenhava na CP. Ele, não só dirigia as Oficinas da CP (status profissional), como acumulava com as de Presidente da Câmara Municipal, do comando da Legião local e era, ainda, o Comissário da Mocidade Portuguesa.
Nesta última qualidade, ele chefão da Mocidade Portuguesa, o miúdo que eu fui, obrigado a frequentar a milícia juvenil do regime, não esquece as sessões obrigatórias de sábados à tarde na Escola Alfredo da Silva, no Barreiro, a aprender o marcar passo e direita, esquerda, volver. E menos esquece ver o Adragão, esse careca gordo e de faces vermelhas, fanático do Estado Novo, empoleirado no varandim de bancada, braço estendido, a gritar-nos e ensinar-nos tardes de sábado a fio, enquanto marchávamos:
Quem manda? Salazar! Salazar! Salazar!.
Em toda a minha vida, Adragão terá sido o Chefe com quem menos aprendi. Melhor dizendo, ele deu-me uma vontade imensa de aprender o inverso daquela mensagem carneiral em que tanto se esganiçou. Assim, talvez no fundo tenha uma dívida pedagógica a pagar-lhe.
Imagem: O velho barco a vapor Évora, que - a par do Trás-os-Montes - foi a ponte que ligava Barreiro a Lisboa. Nos meus primeiros tempos de Barreiro, depois vieram os "diesel" e a Ponte Salazar.

Se Jerónimo, num intervalo entre um charme público e uma reunião para planificar as próximas lutas, na véspera de um treino de baile de salão e a seguir a um jogo de matraquilhos na Sociedade Recreativa de Periscoxe, tiver tempo para ler as edições avante, talvez pare para pensar nas lições de um livrinho da sua Casa e dedicado à história do Barreiro (*). Até porque o livrinho é perfeitamente acessível a qualquer autodidacta. Por exemplo, vejamos estas passagens:
Não restam dúvidas, os anos de ouro da luta dos ferroviários do Barreiro (muitas vezes englobada num âmbito nacional) correspondem à acentuação da corrente sindicalista-revolucionária (ou anarco-sindicalista) na Associação de Classe e depois no Sindicato. A partir de 1917, foi dirigida por Miguel Correia e António José Piloto, que promoverão em 1919 a edição de Sul e Sueste, órgão de informação e de mobilização da classe.
Assim organizados, os homens dos Caminhos de Ferro do Estado participam numa grandiosa greve, em Novembro de 1918, contra a carestia de vida e por melhores salários. Luta dura e prolongada, com sabotagens, repressão feroz, prisões, despedimentos, espancamentos, enfurecendo os trabalhadores e desacreditando cada vez mais os partidos do poder republicano. Esta viragem gradual contra a política democrática, inciara-se nos graves incidentes de 1914, durante uma greve tumultuosa na CP, ferozmente reprimida em Lisboa. Lembrar que, em 1910, uma das profissões mais republicanizadas era a dos homens da ferrovia.
(...)
Dando uma imagem nítida do descrédito do poder republicano junto dos ferroviários (e não só) o Sul e Sueste, em 1921, dizia: «Em dez meses, em pleno regime republicano, tem havido mais opressão e tirania do que em dezenas de anos de monarquia.». Passe o exagero da afirmação, porque no antigo regime não havia a dinâmica de luta do tempo em questão, talvez assim se compreenda a razão pela qual os ferroviários fizeram greve local de apoio ao golpe de Estado de 28 de Maio de 1926.
(...)
Quando surge o 28 de Maio de 1926, o líder dos ferroviários do Barreiro, Miguel Correia, que já estivera quatro vezes preso nas cadeias da República, negociou um compromisso com os revoltosos, prometendo-lhes a paralisação do tráfego normal e todas as facilidades para o transporte de tropas. Esta colaboração era prestada mediante uma lista de reclamações apresentada aos chefes em Lisboa (comandantes Mendes Cabeçadas e Gama Ochoa).
Terão os sindicalistas libertários pensado que a situação política era tão má que para pior já não era possível mudar?
(...)
Esperanças vãs, desilusão amarga, terão sido os sentimentos dos trabalhadores das ferrovias em relação à ditadura militar, quando o Sul e Sueste ficou sujeito a censura prévia (como todos os jornais sindicais) e Miguel Correia foi novamente preso em Setembro de 1926 e deportado para Cabo Verde (e mais tarde para Lourenço Marques).
(...)
Nas condições da ditadura, a hierarquização rígida, o controlo opressivo e uma repressão constante, sobretudo nas Oficinas, sufocam os trabalhadores, espartilhados num sistema interno de vigilância e denúncias, patrocinado ao longo dos anos por sucessivos chefes todo-poderosos, autênticos títeres do regime (Rui Ulrich, Fernando de Sousa, Raul Esteves, Mendia, Bruschi, Garcia, Adragão, etc.)...
Nos anos da guerra de Espanha, as forças da situação estiveram particularmente activas entre os ferroviários, recrutando para as lanças da Legião Portuguesa, denunciando e perseguindo os subversivos, que incluíam os republicanos do reviralho, deificando o ferroviário Nº 1: «Salazar manda, os ferroviários obedecem!».(*) Barreiro, uma história de trabalho, resistência e luta (parte IV), Armando Sousa Teixeira, Edições Avante.
Imagem: Do livro citado, a foto é de um grupo de trabalhadores ferroviários do Barreiro, início do Século XX, onde os pequenitos aprendizes da frente seguram um dístico onde se escrevera: «Viva os Operários e o Nosso Chefe».

Falo da oração contada
aqui.
Porque nos anima nestes dia cinzento, despachando uma data de santos, todos ou quase todos, de uma só virada. E traz a alegria de viver que é o melhor da vida, até em dia de todas as necrofilias.

A chamada
dúvida demagógica. E de borla. Feita de conversa de desentendido representado. Como se a regeneração da vida partidária tivesse de ser feita (só) por gente que sempre tenha vivido fora dos partidos. Partidos entendidos como realidades rígidas que ou mandam ou se quebram.
Só pode ser desespero exausto de se ver que, além dos bonzos, existe vida política, desejo de intervenção e vontade de mudar, participando, confiando.
Este desejo de mudança do sufoco dos espartilhos e inércias partidárias, não é sequer novidade. O que se assiste com a candidatura de Manuel Alegre, este fluxo temperador de criação de uma alternativa, não contra os partidos mas além dos partidos, já se viu (nem sempre por boas razões, nem sempre com bons resultados) desde o início da reificação partidocrática:
- Nas presidenciais, com Otelo, Maria de Lurdes Pintassilgo e Salgado Zenha;
- Nas parlamentares, com o PRD e com o Bloco.
E, se formos para as autárquicas, exemplos não faltam de como o eleitorado, cada vez mais, premeia as listas de independentes face às listas partidárias.
Nesta eleição, teremos os mais fiéis aos seus partidos a votarem Soares, Cavaco, Jerónimo e Louçã. Mas toda a esquerda que se quer livre para construir uma esperança de esquerda, tem Manuel Alegre, um homem de partido, capaz de colocar os valores e as esperanças da esquerda fora dos caixilhos dos partidos. E que não vai à luta para treinar, fazer manutenção com ginástica sueca, mas para ganhar. O que surpreende e irrita uns tantos, aqueles que, quando muito, davam como missão ao Poeta ser símbolo e daí não passar, não contando com a onda de adesão dos que se levantam contra o "status quo" de um jogo combinado, com vencedor e vencido previamente estabelecido. Porque, é evidente, nenhum amigo ou admirador de Soares, entre os sinceros, o sujeitaria à violência de um mandato de cinco anos, reservando-lhe uma missão de aguentar mais uma campanha de que sairia com a sensação de "derrotado mas feliz pelo dever cumprido". Coisa de que Soares não necessita no seu currículo de democrata jubilado.
Adenda: No seu contraditório legítimo, o
WR demonstra que não é um demagogo. É, apenas, um homem de má fé. Agarrou nos exemplos que dei, de que ressaltei o impulso do eleitorado para saltar fora do espartilho partidário, mas que não valorizei e até meti o parêntesis
"(nem sempre por boas razões, nem sempre com bons resultados)", para ir por aí fora desancar nos casos, fugindo à substância. E, sobre o País, o
WR mostra que sabe onde fica Amarante, Felgueiras, Gondomar e Oeiras, mas nunca ouviu falar de Sabrosa ou de Redondo. Não julgava que Soares merecesse este tipo de "soarista". Sei lá, talvez, problema dele.

O
Miguel é um dos companheiros mais cuidados, sistemáticos e analíticos, entre os que leio por vício de habituação e prazer. Até pelo estilo, talvez por estar nas antípodas do meu. E, dizendo tudo, uma das minhas mais velhas e sempre fieis visitas.
Aqui, dei conta do meu desânimo de o ver desistir, querendo arrastar, com ele, o fim real deste País. Mas como a morte é a única coisa definitiva que temos na vida, ele não aguentou o silêncio e aí está a preparar o escritório, com mobília nova, para voltar ao nosso convívio.
O estimado
Miguel saiu
daqui e abriu novo cartório de ideias
ali.
E como já tinha um título tremendista (a insinuar subjugação ibérica), adoptou outro que não é menos apocalíptico, até mais o é. Mas isso é gosto pelo impressionar, assim a modos que marketing comunicacional. O que não só se perdoa como se admira. Faltam os posts, que anúncio de
faena já o temos. Siga a
fiesta. Para continuarmos a discordar.

Se fôr em tecido vulgar, nada de luxos, assim a modos que tecido plebeu, sem brocados, veludos ou seda fina, porque a vida não está para estroinices, pago metade do preço da bandeira que o
Jumento se dispôs a oferecer à Menina Leonor, como prenda de nascimento, para ela usar quando for crescida, laica, democrata e republicana.
Se o avô ajudou à transição democrática, se o pai já não tem papel - por mérito hereditário de nascimento - a cumprir, porque a democracia está consolidada, a moça só tem que ser cidadã, crescer, tratar da sua vida para ser feliz, sujeitar-se ao primado do voto e deixar-se de monarquices.

Não me julgo surpersticioso. Mas nunca se sabe bem o que somos ou não somos, de todo. Pelo sim, pelo não, quando acordar, pé ante pé, vou confirmar que o chão está quietinho a dormir. Não lhe vá dar para as comemorações.
Imagem: xilogravura checa sobre o terramoto de Lisboa datada de finais de 1755 (original do Museu da Biblioteca Nacional da República Checa), agradecendo ao Nuno Guerreiro a identificação.

Sei que é abuso, mas não resisto. Talvez a intenção de clarificar me absolva. Sei lá. Só que esta história calou-me fundo. E confio na cumplicidade dos meus camaradas
Luís e
Virgínio, para me perdoarem esta (mais uma) parasitagem. Mas, acreditem, aqui o pecado maior é o de gula. Mais, concedo, também o da inveja pela sinceridade descarnada.
Saber o que andámos a fazer por África e nas guerras coloniais, passa necessariamente por entender o outro lado. Só quando conseguirmos equilibrar a percepção das partes, saberemos o que aquilo foi em termos de drama comum. Na altura, não era possível. Imediatamente a seguir, também não. Tudo esteve fresco e a queimar a memória com feridas. Ainda agora, anda para aí meio milhão a querer dignificar uma juventude rasgada de canhota na mão. Outros, ainda mais, que apanhámos em cima do corpo e do espaço, ainda clamam contra os crimes da descolonização (queriam mais, muito mais!) ou suspiram de saudades do quente feitiço africano na hora do pôr do sol (com serventia de pretos dóceis). E o outro lado? O lado dos que nos mataram e nós matámos? Existiram? Quem eram? Seriam pessoas como nós? Um tiro a entrar no peito custava-lhes tanto como a nós? Eram?
Esta falha, julgo, é o que falta para completar o quadro. Sentirmos a humanidade concreta do inimigo. E, por essa via, completarmos o ciclo humano de ligação entre nós e os outros. Ultrapassando, assim, o racismo impregnante que perpetua a cultura colonial que nos está agarrada à pele, sendo capazes de olhar os africanos como humanos nossos iguais, do melhor até ao pior, recompondo-nos de um estatuto de supremacia que precisava de Pide e de pólvora, onde só os podíamos olhar de cima para baixo, tornando-os, finalmente, vistos como homens. E, assim, tornando-nos homens, nós, como todos os homens. Não para nos diminuirmos ou autoflagelarmos, apenas para crescermos como homens e agentes históricos. Ou seja, em termos de psicanálise social, superarmos a nossa falha narcísica como europeus e como colonos que impede adquirirmos uma personalidade adulta e estruturada como povo que andou séculos por África e necessita, sem dor ou com dor necessária, de se libertar do peso dessa fatalidade, em que oprimimos para compensarmos as nossas debilidades de povo de país pequeno. Até para nos reencontrarmos como povo europeu, que agora trilha caminhos da Europa. Em que nos queremos iguais.
Mais tarde ou mais cedo, a coragem perante a memória teria de servir a luz em cima da mesa. Pingo aqui e acolá, acabaremos por construir o nosso caminho de povo adulto. A história da Ana/Siga, uma enfermeira/esposa/mãe do PAIGC, capturada pela tropa colonial com uma carta de amor e cuidado, é um excelente testemunho contado
aqui. Obrigado
Virgínio, obrigado
Luís.
Imagem: carta apreendida à Ana/Siga, do arquivo do Virgínio Briote.