Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005

PORQUE SERÁ?

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Porque será que uma das “estrelas blogosféricas” anunciadas como um dos autores deste super-blogue, Vital Moreira, ali metido entre vários “barnabés”, acabou por resumir a sua participação a um puxão de orelhas ao canibalismo anti-Alegre que ali floresceu no princípio, mais umas singelas chamadas de ligação aos seus artigos no “Público”?

Pois, o historial de decência e respeitabilidade do professor-comentador tem pergaminhos a preservar. Honra lhe seja feita por isso. E o certo é que os blogo-companheiros traquinas e eticamente desbocados, às vezes, até lhe têm respeitinho, o que é coisa bonita de se ver (ler).
Publicado por João Tunes às 23:37
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VENHA A CATEQUESE OBRIGATÓRIA...

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“Diante do derrubar dos valores tradicionais que no passado constituíam referências orientadoras, corre-se o risco de deixar os mais novos sem saberem por que critérios se hão-de nortear. Noutros tempos, havia certezas legadas pela cultura dominante e por instituições fortes, como a Igreja. Mas hoje parece que já nada se impõe como valor indiscutível. Em que se transformará o sentido da responsabilidade, se este não se apoiar em certezas sólidas que justifiquem a adesão interior? Como é possível formar para os valores, num tempo em que todas as opiniões se chocam e numa cultura em que há o sentimento de que a verdade não existe em parte nenhuma?” (aqui)
Publicado por João Tunes às 22:59
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IVG

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Muito bem. Há regras bases que, se traficadas, fariam perder a essência da substância democrática. Por muito que doa. Muita até que que seja a dor de ver a formalidade tranformada em essência da Lei por parte dos excelentíssimos juízes do tribunal constitucional. Magoando sobretudo a demora na correcção de uma iniquidade prolongada, embora com prazo marcado.

Um espírito minimamente saudável na interpretação do jogo democrático nunca poderia, custando votos ou revoluções, querer ganhar na “secretaria” da maioria parlamentar, a emenda de uma opção antes tomada por referendo.

Os opositores da decisão do PS – o PCP e o Bloco -, quando entendem que têm razão porque acham justo, substituiriam, em honra a Lenine e a Trotski, a consulta popular pela sapiência vanguardista de um “Comando da Revolução” ou por uma marcha de garinas, mostrando barrigas nuas e sem estrias, com a tatuagem infame (por irresponsável) do “aqui, mando eu”. Isso diz quase tudo sobre eles. Quanto à sua contenção, isso é obra democrática dos democratas.

Um Olé, pois, para Sócrates, quando afirmou sem papas na língua:

“O PS decidiu apresentar de novo na Assembleia da República a sua proposta de referendo logo que isso seja juridicamente possível, isto é, em Setembro de 2006.”
Publicado por João Tunes às 22:23
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COCOS CONTADOS?

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Poderá parecer-te que está no papo. Através das mudanças de falas e de pose. E do esquecimento do estado em nos deixaste depois de nos governares anos a fio. Que já levas avanço tamanho que ninguém te apanha. Que a teu favor joga a pluraridade tão plural dos outros concorrentes. Mas talvez não escape, mais cedo ou mais tarde (espera-se que a tempo), a matreirice de fazeres parelha combinada, não explícita, até negada, mas que se cheira como desejada por ambos, com o actual Primeiro a olhar de cima para os cidadãos e com neurónios só para as contas e nenhum livre para espicaçar a esperança.

Ao contrário do que talvez julgues, isto não vai ser tão fácil como subir por aí cima apanhar cocos.
Publicado por João Tunes às 18:34
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FORAM SÓ 46

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Só morreram 46 militares portugueses na operação de retirada do quartel de Madina do Boé na Guiné (local onde, mais tarde, em 1973, o PAIGC declarou a independência da Guiné-Bissau). Talvez pelo baixo número em perdas humanas, foram só 46, ou por ter sido há muito (princípio de 1969), o facto está arquivado na irrelevância do esquecimento. Como bem diz o Luís Graça:

“Madina do Boé foi varrida do mapa da memória dos portugueses, excepto muito provalvelmente no nosso caso, ex-combatentes. A geração dos nossos filhos e netos não conhece esta pequena parte da nossa história do Século XX. Madina do Boé não lhes diz nada, a não a ser talvez o termo bué, que nada tem a ver com Madina do Boé."

(Transcrição e imagem tiradas daqui.)
Publicado por João Tunes às 17:27
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MEMÓRIA E TECNOLOGIA

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Vasculho em fotos velhas e esquecidas. A nova maquineta puxa para isso – passar para o computador as velhas recordações metidas em caixas meio esfareladas e só remexidas de quando em vez. Há que actualizar, usar a tecnologia para melhor rebobinar a memória. Raio da memória, bem vinda seja a tecnologia.

Na reorganização que a coisa impõe, fica a noção de como a câmara faltou em tantos momentos de registo perdido. Em alguns casos, ainda bem, porque senão iria corar de embaraço. Noutras não, a foto que falta, a que não se tirou ou a que se perdeu, seria documento único e essencial para rever rostos, momentos e emoções. Raio de perda da memória, nem a tecnologia te salva.

Da infância, o que (re)encontro, chega-me. Não foi assim tão fulgurante que merecesse mais. Da juventude, mais ou menos. Há documentos a mais e redundantes e outros (demais) a menos. Depois, os filhos têm suporte a dar pelas barbas, está ali quase tudo e o que não está não esqueceu.

O que sinto sobretudo falta, nas fotos velhas, é o registo dos grandes amigos que me passaram pela emoção. E, ao gerir a memória, esforçando-me por isso, sem o auxílio da imagem, fica-me uma dor de perda indocumentada, a incapacidade de rever rosto ou gesto, situar uma precisa figura, o seu desenho, na neblina de uma fraternidade comida pelo tempo. Que teve o seu tempo. E passou à história, à nossa história, sem um registo de posteridade. Dói-me isso.

Encontrei esta, em que estou com um dos meus amigos que tive como mais irmão. Por sinal, um, talvez o mais puro do meu grupo, mas a quem a puta da gaja teve pressa em ceifar e quando tinha tanto sacana para se virar. Vá lá, ficou-me esta foto do meu sempre querido Zé, esse guardador de sonhos e quimeras, engenheirando tramóias para rasgar liberdades e imaginar imaginações, agora reduzido a um quadrado pequenino de cartolina amarela e recortada nos lados, onde não coube essa amizade com vontade de mudar o mundo para melhor. Ficando, para o retrato, apenas o abraço juvenil de desafio cúmplice e de afirmação fraterna. Merda para a tecnologia que também é mestra a trazer revolta de volta. E não julguem que eu queria os meus "vinte anos" de volta, bastava-me, agora, o meu amigo Zé. Stop. Já passou.

Imagem: Dois amigos, João e Zé, São Domingos de Benfica, dezanove anos eram as idades.
Publicado por João Tunes às 16:54
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CUBA LIVRE EM ESTRASBURGO, DIA 10 DE DEZEMBRO?

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Veremos se as autoridades cubanas permitem que uma delegação das “Damas de Blanco” (familiares dos presos políticos cubanos que lutam pela sua libertação) vá receber, no próximo dia 10 de Dezembro, em Estrasburgo, o “Prémio Sakharov” atribuído, este ano, pelo Parlamento Europeu àquele movimento cívico cubano.

Pelo sim e pelo não, aqui fica a mensagem das “Damas de Blanco”, dirigida ao mundo que sofre a falta de liberdade, depois de receberem a notícia da atribuição do “Prémio Sakharov”:

“Nós, as “Damas de Blanco” queremos que todas as mães, esposas e familiares dos presos, qualquer que seja a parte do mundo, por defenderem os seus direitos, que o façam com amor, de forma pacífica e humana, para terem, mais cedo que tarde, os seus frutos que culminarão com o respeito, o reconhecimento e a solidariedade internacional, já que a dor e a defesa da justiça está acima de qualquer ideologia política e o ponto principal é o homem, como ser humano e social. Igualmente, desejamos que todas as prisões do mundo, onde se encontrem aprisionados - homens e mulheres - por defenderem a liberdade e a justiça social de forma pacífica, abram as suas portas para que não se cerrem nunca mais.”

Entre as constituintes das "Damas de Blanco", já se procedeu a uma votação secreta que elegeu a delegação de cinco mulheres mandatada para se deslocar a Estraburgo. Mas, como Tudo em Cuba, a decisão cabe ao "Coma Andante" Fidel.

Curioso e significativo, o silêncio ensurdecedor que a blogosfera livre, libertária e anti-globalização, a do anti-embargo e da t-shirt à Che, da Salsa, de Varadero, dos direitos dos presos talliban, da saúde e educação "para todos" e pela transformação da Sede da Pide em Museu da Resistência, devotou à atribuição do "Prémio Sakharov" deste ano. Desta vez, neste caso, Cuba fica longe? A maior distância que Guantanamo? Pois.

Adenda: Pelo que me apercebi, salva a honra do convento blogosférico o "monteirista" Fumaças e a "cinéfila" Isabella de se dignarem reparar que, este ano, houve Prémio Sakharov atribuído pelo Parlamento Europeu. O resto, onde espreitei, cumpriu a estrita observância da regra de relevância e silêncio seguida pela imprensa portuguesa. Sobre o Prémio Sakharov 2005, para a nossa imprensa e maioria de blogues, "não passou nada", Cuba existe apenas pelos seus médicos, professores, praias, charutos e pelo Embargo, o maldito Embargo (perdão, Bloqueio!). Eu sei, eu sei o que a "casa" gasta - venham a "igualdade" e o "anti-imperialismo", a liberdade que espere.
Publicado por João Tunes às 15:46
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Homem de palavra, homem de palavras

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Muito bem! Ora aqui fala quem bem diz:

“Em Portugal, a direita nunca foi alegre. Ficou-lhe da herança caceteira, inquisitorial e beata, a rigidez sisuda, o sobrolho carregado da desconfiança, o paternalismo bafiento e sacrista. A direita, em Portugal, gosta de salvadores, e como o Salvador nasceu em Belém, baba-se de sofreguidão sempre que lhe falam em Belém.”
(...)
“Portugal precisa de uma política alegre, que seja sinónimo de esperança, ânimo e coragem. Portugal precisa de ter em Belém quem consiga devolver-lhe a capacidade de sonhar. Portugal precisa de uma grande campanha alegre que não se esgote nestas eleições, mas que seja a campanha de uma vida para todos quantos já haviam desistido de fazer quaisquer campanhas. Portugal precisa de ter em Belém a experiência da política casada com a claridade da poesia. Portugal precisa da lírica da esperança associada à épica da convicção. Portugal precisa de um grande desígnio para voltar a ser alegre. Portugal precisa da alegria para voltar a ser feliz. Portugal precisa de sonho e de coragem como de pão para a boca. Portugal precisa, mais do que nunca, não de um salvador, mas de um homem de palavra e de palavras. Portugal precisa de Manuel Alegre.”

Trechos de um post de José Jorge Letria.
Publicado por João Tunes às 00:05
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005

PAGANISMO FÍLMICO (2)

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Alguém, e alguém é muito, mais que o Romeiro do Garrett, talvez para me desfeitear, só pode, expressa que foi a minha paixão de ilusão, aquela curtida no escuro do cinema quando a vida se interrompe e ficamos feitos só olhar com a vida a passar para a vida do écran, e uma ilusão vale mais que mil realidades, numa confissão minha a merecer cumplicidade como prémio, sim, porque eu não me confesso aí pelas esquinas, muito menos com qualquer um ou qualquer uma, esse alguém, voltando à meada, entra-me caixa de comentários dentro e espeta-me esta farpa de desdém: “Com a Cardinale, podes ficar... “ (a afronta fica a bold para jamais ser esquecida). Vejam lá que até me apeteceu dizer, displicente como um maduro de papo cheio: pois, é claro, “está verde, não presta” (fica também a bold a vontade de mandar a desfeita morder o pó do tapete). Mas não disse, nem digo, porque a consideração a isso obriga, por menos me chateei mas por muito mais perdoei, estando tempo de um compasso diplomático no bloganço que, para mais e para menos, anda por aí assanhado com as presidenciais. Não disse, e não digo, mas engulo, a enorme custo, a desfeita sobranceira. Pior, não bastando o olhar de arrasa sobre a minha idolatrada Cláudia, vem-me, pimpona, meter-me, a contraponto, a mamuda morenaça da Silvana Mangano. Ora bem, entendido quanto ao critério. E hora da desforra. A Silvanita, minha cara, fez um neo-realismo de trazer por casa, adornou ancas, pernas e mamas, mais uns olhitos de carneira mal morta, vestiu vestido de chita a arrastar pelo vale do Pó para adivinhar pernas bem torneadas, e que mais? Ficou-se por aí. Acabou como começou, previsível, as mesmas ancas, as mesmas pernas, as mesmas mamas, o mesmo olhar standard a posar para o “la minute”. Trabalhando com realizadores sabendo da poda, espremida no fraco talento, o que Deus lhe deu, além das guloseimas dos belos seios, o melhor que deixou mais foram os vestido de chita planando no Pó. Dirá a opositora e inimiga dos meus sonhos de ilusão, que a Cláudia não andou longe nos adornos e nos facilitanços corporais. Pois não, é verdade, ganhar a vida a isso obriga. E que matéria-prima aquele corpo tem, maior que a mina de oiro de maior reserva. Mas um homem, um artista, o maior de todo o cinema italiano e arredores, um conde ainda para mais, marxista também, porque não, um esteta ímpar, um realizador que fazia cinema, ópera, teatro, pintura e sinfonia enquanto filmava, agarrou na Cláudia-corpo, e transformou-a numa deusa-actriz. A ela e ao canastrão mafioso do Alain Delon, mais ao canastrão mor - cow-boy e trapezista chamado Burt Lencaster, e fez, não só de Cláudia, também de Delon, sobretudo de Lencaster, génios de representação, nesse filme único, irrepetível, chamado “O Leopardo”. Cláudia aguentou-se onde a Silvanita (Mangano) só daria olhinhos, boquinhas, ajeitar de cabelo e levantar as bainhas do vestido à maneira da Beatriz Costa. Revejam a célebre cena do “baile”, melhor: o “fim-de-baile” de “O Leopardo”, depois digam-me se há cena maior no cinema. E, depois de Visconti, a Cláudia, a divina Cláudia, deixou só de ser olhos, lábios, boa perna, seios generosos e tudo o mais. Passou a diva. Com quem então, a Silvanita é que era, ó camarada? Está bem, está bem. Uff, estava a ver que não chegava ao fim do desabafo contra o desaforo...

Na imagem, Visconti preparando com CC e Burt a famosa cena do "baile" de "O Leopardo".
Publicado por João Tunes às 23:14
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MÚSICA PRÓ-MESSIAS

Cavaco.js[1].jpg

«De mim o Governo, qualquer Governo, pode esperar cooperação», diz Cavaco. Claro, desde que seja Ele o Presidente Messias, o Guia, o Farol Sebastiânico, o resto é de somenos. Até o governo. Ou a gravata (agora vermelhusca).

É isso. Bem me queria parecer que Cavaco nunca desdenharia um sarau prolongado de dueto, em piano e violoncelo, com Sócrates. Quanto à música, é claro, seria sempre a do ”aperta o cinto”.
Publicado por João Tunes às 22:12
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PAGANISMO FÍLMICO (1)

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Entrei de conversa sobre cinema (ainda bem, porque estava farto de, com ela, discutir política, Moçambique, racismo e os camarões do Polana) com a Isabella e, depois de darmos uma volta pelo cinema italiano, a que se juntou outro cinéfilo primoroso que resguarda o seu nome próprio, acabámos, como não podia deixar de ser, nas pessoas, as que nos dão os rostos e as emoções e que tornam os filmes matéria humana – os actores e as actrizes.

Interessante o trajecto infalível dos caminhos nas conversas dos que gostam de cinema – aparece um facto, um episódio ou um objecto; vem um filme e depois um realizador à baila; cruzam-se devoções e embirrações; preferências patati-patatá; a erudição começa a fenecer na sabatina; foge-se para as pessoas que nos marcam as memórias com rostos – os homens e as mulheres que humanizaram as imagens e, afinal, os que são os homens e as mulheres da “nossa vida” feita fantasia.

A Isabella, ladina, antecipou-se e atirou com o seu culto pela Annie Girardot. O que ela foi dizer. Eu fiquei encolhido, sem fala, ciumento até, porque tinha essa mulher-actriz como alguém que era cá muito minha, privadíssima, guardada a sete chaves no meu baú dos sentimentos que o cinema nos pode dar. E lá lhe larguei um “Bravô!” assim que a modos para engraxar, passando-lhe a mão pelo pelo, com o intuito secreto de ela, lambuzada no seu ego, ficar deslumbrada com o consenso e dali não sair. Mas o remorso dói e por isso não passo sem confissão. Dei-lhe graxa sim, sem à verdade faltar, mas para ela fazer um stop narcisista e não ir por aí fora e ás tantas entrar-me nas minhas privacidades maiores e convidar para a mesa tertuliana as outras divas que me habitam o coração de fantasia – a Ana Mgnani e a Cláudia Cardinale. E mais não digo sobre elas para não tentar partilhas públicas que me tiravam o gozo do recato que deve enrolar qualquer devoção.

Magnani já se foi, Annie e Cláudia, por aí continuam a passear os seus olhares de grandes senhoras. Qualquer uma das três actrizes aqui referidas, têm (teve, no caso da Magnani), como qualquer grande mulher, e é isso que distingue uma mulher bonita de uma outra que seja feia (e isso só o sabemos quando elas caminham para os oitenta), a capacidade de envelhecerem com uma beleza serenamente amadurecida, em que cada ruga que acresce só realça o olhar, em que as mãos mais esguias e mais desenhadas ensinam a sabedoria do andar no mundo, em que os olhos nunca morrem de espanto seu e dos outros.

E é por assim pensar que considero uma frase pagã a de um dos “comentadores” do ”chuinga”, o que disse esta barbaridade a propósito da Annie: “Vi-a na TV5 não há muito tempo e, apesar do peso dos anos, continua altiva, forte, senhora.”. Ó homem, ”apesar do peso dos anos”? Ou o “comentador” é um catraio imberbe à procura de virgens casadoiras ou não devia atrever-se a falar de deusas. Mas, por favor e pelo menos, mais respeitinho. Está bem?

Fiquem-se com este riso único, o da imagem, porque nunca houve riso no cinema como o da Ana Magnani, que nos vira a alma do avesso e nos tira a idade. E passem muito bem, deixando-me as minhas divas em paz, quase só minhas.
Publicado por João Tunes às 18:07
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Sondagens, é claro..

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Se alguém está a mais a disputar Cavaco, quem é? Ou seja, visto de outro ângulo, quem é que encolhe a esquerda perante a possibilidade de uma dinâmica mobilizadora de alternativa ao candidato da Direita?

Espero que um dos grandes actos de sabedoria política de Mário Soares seja, tarda nada, a desistência em favor de Manuel Alegre. Para se ganhar a Cavaco. Eu acredito no "animal político" que o habita. E, assim, comprovar a grandeza da sua cultura, intuição e sentido de conveniência para a Causa da Esquerda e da Democracia. Caso contrário, arrisca-se a terminar a sua carreira política numa exibição grupuscular, deprimente e imerecida, como Louçã ou Jerónimo (mas nestes, essa função é-lhes tudo). Já bastou a "deriva bloquista" da ante-candidatura (mas, então, era apenas uma voz de opinião).
Publicado por João Tunes às 16:27
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PRÉMIO SAKHAROV 2005 PARA AS “DAMAS DE BLANCO”!

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O principal galardão pela defesa dos direitos humanos na União Europeia, o Prémio Sakharov, atribuído anualmente a quem tenha dado “um contributo relevante à defesa dos direitos humanos, protecção das minorias, defesa da cooperação internacional e o primado da lei”, foi atribuído às “Damas de Blanco”, as mulheres dos presos políticos cubanos que, valentemente, se têm batido contra a repressão policial-política contra os cubanos que não se resignam a que Cuba seja uma Ilha-Prisão.

Sempre, no nosso modesto alcance, nesta solitária blogo-voz, aqui fomos dando eco da luta intrépida das “Damas de Blanco” contra os esbirros castristas. Porque não esqueço nem perdoo a memória de Tarrafal, Peniche, Caxias e Aljube. Porque penso que o sol da liberdade deve iluminar toda a humanidade. E uma utopia que nos acorda dentro de cárceres, não é sonho, é pesadelo.

Hoje, pelas “Damas de Blanco”, é dia para festejar. Na confiança que os cravos, iguais aos nossos inesquecíveis cravos de Abril, cheguem brevemente a Cuba. Pelo menos, um cravo por cada turista que vai gozar Varadero.

Mais dia menos dia, as "Damas de Blanco" terão junto e em liberdade, os seus familiares (são 305, actualmente, os presos políticos em Cuba), arrancados à máquina policial do "Coma Andante". Vale a pena lutar!
Publicado por João Tunes às 15:30
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NEM OS QUE CANTAM, GOSTAM DE LÁ CANTAR

coro_nacional_de_cuba_home.jpg

Segundo a Agência EFE:

”Al menos dos decenas de miembros del Coro Nacional de Cuba, que se encontraba desde el 18 de octubre de gira en Canadá, han abandonado el grupo y han pedido asilo a las autoridades de este país norteamericano.”

Agora, imaginem-se os tormentos dos cubanos que não cantam e não conseguem de lá sair.
Publicado por João Tunes às 15:08
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O QUE MAOMÉ NÃO DISSE DO TOUCINHO

Bacon.jpg

Li e fiquei estarrecido:

”Na apresentação do manifesto da sua candidatura à PR, Mário Soares, mostrou como está decrépito, confuso, amnésico e deslocado da realidade actual. As fotos publicadas por alguns jornais não o favorecem, mas a verdade é que elas refletem o estado de alma do protagonista, a debilidade física e mental do candidato.”

Falar assim, não é praticar terrorismo verbal?

O Evaristo tem todo o direito em puxar pelo Cavaco. Mas se começa assim, quando a coisa vai no adro, que terminologia vai usar lá mais para diante? Calma, companheiro, combata-se mas não vale a pena desvairar. Nem perder a compostura e o respeito devido a, goste-se ou não (eu não gosto dele, não voto nele), um político a quem a democracia portuguesa muito deve.

Nota: E é o mesmo Evaristo que me colou a etiqueta de "polemista"... Ou seja, como sói dizer-se: "diz o roto ao nú".
Publicado por João Tunes às 12:59
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