Terça-feira, 22 de Junho de 2004

DURÃO NÃO É PESETERO

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Leio e fico embasbacado: querem levar o nosso Durão para presidir à União Europeia! Agora, agora mesmo, que ele ia remodelar e a retoma está aí. Quando ele, finalmente, limpou os ouvidos e escutou a voz vinda das entranhas das urnas de voto.

Mas Durão não é um pesetero que troque as agruras do gabinete em Lisboa pelas mordomias e sainete da Europa Unida e Larga. Ele gosta de nós. Ele gosta de ser nosso Primeiro. Ele ficou feliz naquela feliz fotografia das Lajes.

Ele, Durão, continuará nosso, muito nosso. A Europa não tem culpa.

Adenda: Afinal a Europa tem culpa. E nós também. Porque a Europa prefere "pequenos" que não chateiem os "grandes". Porque aqui chegou a hora do populismo em que a vaidade substitui o voto. Pobre Europa. Pobres de nós.</b>
Publicado por João Tunes às 15:49
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CONSTITUIÇÃO EUROPEIA ?

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Recebi há pouco, pelo telemóvel, uma mensagem a alertar-me que tínhamos nova Constituição Europeia e que a nossa (a portuga) tinha ido à vida. Não quero acreditar. Será possível que tal tivesse acontecido enquanto estávamos entretidos com a euro-futebolada? E perdemos soberania quando os portugueses, finalmente, estavam arreigados, como nunca por mares antes navegados, aos símbolos da nossa soberania, bandeira na mão e hino nas gargantas? Agora que um referendo de aclamação tinha declarado o amor profundo do nosso bom povo aos valores republicanos? E (quem sabe?) até o Dom Duarte Nuno por aí ande a festejar com a verde-rubra em punho e a pedir apoio à Carbonária regicida, rondando a estátua do António José de Almeida que já foi reduto exclusivo de romagem dos velhotes dos Centros Republicanos.

Pronto. Simplesmente não acredito. Mas mudando de assunto e indo ao importante: o que acham de se meter o Moreira no lugar do Ricardo?
Publicado por João Tunes às 15:36
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"BIFES" PRÓ MANETA

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O Almirante Nelson era maneta. Sim, o da batalha de Trafalgar. Que é o mesmo da Trafalgar Square. Que é o sítio onde os "bifes" se juntam e tomam banho para curar as bebedeiras.

De Almirantes sabemos nós. Tantos e bons que tivémos. E ainda temos. E nenhum era ou é maneta. Um dos nossos Almirantes foi Intelectual-Presidente e fazia excelentes discursos que partiam o coco à malta de tanto nos rirmos. Esse era careca, tinha uma mulher que era um susto, mas não era maneta. Outro nosso Almirante mandava a populaça à bardamerda mas era valente e avisava que era só fumaça e não era maneta. Aliás, mareantes que fomos e somos, de Almirante cada português tem um pouco.

O Almirante Nelson, o protector dos "bifes" bêbados, era maneta. Eles que metam um maneta na baliza a ver se melhora a qualidade de vida do lumpen e chineses que vendem bandeirinhas baratinhas. Ou então, não mexam no guarda-redes que lá está (não é maneta mas parece) que o Almirante Nuno trata dele.

Eu quero é que eles desamparem o Rossio, larguem o Dom Pedro (que não era Almirante e muito menos maneta) e voltem para a sombra do maneta deles, curarem as bebedeiras da derrota.

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!
Publicado por João Tunes às 12:59
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NÃO ENVERGONHEM A MARIANA

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Acho que a Mariana tem razão.

Embora ela concorde inteiramente com a febre patriótica-bandeiral, acha mal, por razões de estética e de respeito para com o símbolo maior, que se andem para aí a pendurar bandeiras luso-republicanas nos estendais da roupa, presas com molas e em companhia promíscua com cuecas e peúgas.

A Mariana é patriota mas exigente. Nem sequer acalma com a ponderação de que isto é tudo resultado de falta de prática. A maioria dos portugueses nunca tinha tido na mão uma mão cheia de bandeiras. Vai daí, espeta-se uma bandeira onde calha. Para o próximo Europeu, tudo vai correr melhor.

Mas, para não irritarem a Mariana, solicita-se a todos os co-patriotas que mantenham a dignidade devida ao máximo símbolo nacional. Bandeirem, mas com estética. Por favor.

Adenda: Diz o Carlos, também indignado, que já viu a nossa bandeira, em talhos, à mistura com morcelas e chouriços. Aqui, que me desculpem o Carlos e a Mariana, não sei não. Talvez uma morcela estivesse melhor (mais genuína a representar as nossas façanhas) que a esfera armilar de um império que já se foi. Com cuecas e peúgas, isso é que nunca.
Publicado por João Tunes às 12:51
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PENSAMENTOS À FIGO

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Um jogador de futebol joga futebol
Uma bola rebola
Um jornalista escreve em jornais
Um jornalista desportivo escreve em jornais desportivos
Um mendigo mendiga
Um modelo modela
Um engenheiro engenha
Um enfermeiro enferma
Um reformado reforma
Um antropólogo antropologa
Um antropólogo social antropologa socialmente
Um blogueiro bloga
Um moçambicano moçambica
Um português portuga

ou

Um jogador de futebol não escreve em jornais
Um jornalista não rebola a bola
Um jornalista desportivo não enferma
Um mendigo não é pesetero
Um modelo não engenha
Um engenheiro não modela
Um enfermeiro não reforma
Um reformado não antropologa
Um antropólogo não bloga
Um antropólogo social não escreve em jornais desportivos
Um blogueiro não antropologa socialmente
Um moçambicano não portuga
Um português não moçambica
Publicado por João Tunes às 12:37
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UM NOVO BLOGUE

Conhecia a figura de vista sem fazer ideia de quem se tratava. Porque nos encontrávamos, semanalmente e ao fim da tarde, em pé junto a um balcão corrido, cada um comendo, no seu silêncio, uma bucha para que o estômago aguentasse uma noite longa de reuniões. Não sabia dele nem o nome nem a função. Como tocávamos "instrumentos" diferentes naquela banda, nunca nos cruzávamos nos ensaios nem nos concertos. E como o local era sede de muitas responsabilidades, ninguém se auto-permitia avanços de confiança ou efusões. Ali, havia tarefas e não convívio, responsabilidades e não pessoalismos. Porque todos e cada um, carregávamos aos ombros a pesada responsabilidade colectiva de transportar a classe operária até ao poder. Uma intimidade ou uma galhofa naquele local seria um acto de intolerável irresponsabilidade. Assim, naquela espécie de Catedral, até o tratamento por camarada tinha uma solenidade maior que se traduzia no espaçamento e no tom baixo da voz com que era soletrada.

A figura chamava-me a atenção pelo seu ar circunspecto e calmo, mas sobretudo pela cor muito pálida do rosto, parecendo pessoa que tinha vivido muito tempo sem que o sol lhe fortalecesse a pigmentação.

Passou-se tempos nisto até que nos passámos a encontrar em convívios de fim-de-semana, famílias misturadas, em casa do António Graça, de quem ambos éramos amigos. Fiquei então a saber que o meu pálido camarada e vizinho do balcão do bar da Soeiro Pereira Gomes, era o Raimundo Narciso, membro do Comité Central do PCP e antigo dirigente da ARA. Os muitos anos no pelo de clandestinidade e o facto de a sua fotografia ter sido divulgada pela Pide nos jornais e na televisão, como "procurado" por ser um "perigoso terrorista", explicaram, a meu ver, a cor de pele denotando míngua de raios solares.

Depois veio, com a embalagem da perestroika, os caminhos da dissidência e da contestação até ao afastamento total com o PCP, juntos durante uns tempos até ao INES (projecto falhado de renovação da esquerda), depois (cada qual às suas) em vários caminhos de reposicionamento político. Eu fiquei independente (a votar no PS como "mal menor"), enquanto o Raimundo entrou em militâncias no PS, chegando a ser seu deputado.

Já aqui referi que ele, desde há algum tempo, alimenta um excelente blogue em boa parceria: o Puxa Palavra. Hoje, fui descobrir que, além de participar
no Puxa Palavra, o Raimundo Narciso também abriu um outro blogue onde começou a abrir o seu baú de memórias. O primeiro post deste blogue memorial é promissor: ali se explica como é que um cigano indocumentado conseguiu ajudar um clandestino (da luta armada) metido em apertos paternais, episódio que é recordado, a trinta anos de distância, pelo regresso à mesma Maternidade, agora em cumprimento de tarefas de Avô. A não perder, sublinho, para quem gosta de ler uma boa estória e saber um pouco do Portugal que ficou lá para trás.
Publicado por João Tunes às 01:24
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Segunda-feira, 21 de Junho de 2004

REINA A PAZ NA PENÍNSULA

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Fiz um post sobre o Portugal-Espanha que exagerei o mais que pude para o tornar obviamente exagerado. Mesmo assim, fiquei arrepiado com a ideia de que ele fosse tomado à letra. Julgo que não. Paz á minha consciência.

Do jogo e do resultado, já tudo estará dito sobre aqueles noventa minutos. Gostei que Portugal ganhasse e manteve-se intacto o meu gosto pelas Espanhas (porque, como aqui já o disse, Espanha não existe e é esse, para mim, o seu principal encanto). Ponto final, venha o próximo. E venham mais bandeiras porque diminuiu o número dos resistentes e dos cépticos. Mas, para mim, que adoro futebol, futebol é sempre noventa minutos de cada vez. Tudo o que vem antes e depois, pouco vale relativamente ao tempo em que a bola rola e rebola.

Tem-me dado que pensar a forma contida como foi celebrado tamanho feito. Verdade que se celebrou e efusivamente. Mas o que me surpreendeu é que, neste fenómeno em que um vencedor implicou um vencido, quando o resultado ultrapassou as expectativas de quase todos (verdade, verdadinha, quantos portugueses acreditavam que Portugal ganhasse à Espanha?), a celebração vitoriosa foi extraordinariamente contida no rebaixamento ou tentativa de humilhação do adversário vergado à derrota e à superioridade demonstrada em campo. O que é positivo, olá se é. Ontem parecíamos um povo com fair-play para dar e vender. O que não joga nada com o que se vê nos nossos comportamentos futebolísticos típicos. Os pobres espanhóis que ontem até cá vieram, voltaram a casa em sossego triste e sem incómodos de triunfalismo que os incomodasse.

Porque gostamos dos espanhóis? Como assim? Julgo que continuamos a gostar deles como eles gostam de nós, ou seja, pagamos indiferença com indiferença. Eles continuarão a achar que somos uma cambada de tristes e perdidos no tempo. Nós não teremos deixado de os considerar fala-baratos, bruscos e excessivos. Eles continuam convencidos que são uma grande nação europeia e nós uma província que merece o atraso pela nossa teimosia folclórica de rejeição de unidade peninsular. Nós continuaremos a achar que eles têm razão mas, por isso mesmo, esta evidência em nada nos aproxima. Por isso vivemos, desde a simultânea entrada na CEE, em indiferença silenciosa que sucedeu à hostilidade murmurada dos “velhos tempos”.

A ancestralidade da visão dos espanhóis como “inimigo natural” e “histórico”, cedeu lugar à xenofobia e ao racismo re-orientados para os africanos, brasileiros e imigrantes do leste. Contra estes, o murmúrio e o dislate acertam num alvo. Porque eles estão entre nós. Estão “desclassificados”, “merecem” o odiozinho rasteiro dos ressentimentos rascas. Porque, ou são os meus ouvidos que têm muito azar, ou, pelo que oiço por aí, o gérmen do velho racismo contra os “pretos” anda à solta e com mais pujança.

O jogo Portugal-Espanha não aproximou os povos peninsulares (qualquer que fosse o resultado, não o podia fazer). Mas, por aquele resultado, também não nos afastou mais do que antes. A façanha foi tamanha que ainda não queremos acreditar. O que deu tempo a que eles, silenciosamente, voltassem para casa sem humilhação acrescentada à do resultado. Ainda por cima, nem do árbitro se podem queixar.

Foi uma Aljubarrota da treta. Sem esperança na recuperação de Olivença. Mas os espanhóis bem podem agradecer isso aos “pretos”.
Publicado por João Tunes às 16:50
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PENSANDO NO PARTIDO DA ABSTENÇÃO

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Não creio que o abstencionismo seja um somatório de actos de protesto político. Não me refiro ao que se verifica com as eleições para o Parlamento Europeu que são, tipicamente em toda a Europa, um acontecimento político muito pouco apelativo. Falo dos 30 a 40% de eleitores que, por sistema, se auto-dispensam de meter o voto nas urnas, recusando a escolha política do quer que seja.

O abstencionismo será um virar costas ao sistema e ao regime, um desprezo pelos rumos ou pelas mudanças de rumo, tendo como base a rejeição da política e como artimanhas oratórias os argumentos de que "são todos a mesma coisa" e "estão lá todos para se encherem". Democracia ou ditadura, mais liberdade ou menos liberdade, mais ou menos direitos, são faces da mesma moeda. Afinal e apenas, uma versão democrática da velha máxima "a minha política é o trabalho".

Naturalmente que os políticos, uns mais outros menos, mas todos com culpas no cartório, muito têm feito para afastarem os cidadãos da política e tornar esta actividade numa prática pouco recomendável para gente que se considera de bem, ou seja, gerindo os seus interesses imediatos na sobrevivência de si e dos próximos. Mas, em boa verdade, para os abstencionistas, qualquer pretexto, ou falta dele, servirá sempre.

Para ajudar à festa, uma parte (embora minúscula) da elite somou-se aos desencantados com o sistema e deu foros de atitude a um movimento de preguiça na recusa. Com estes paladinos da rejeição, o abstencionismo (e o voto em branco) ganhou verniz e cidadania de posicionamento.

Entretanto, o grande problema do abstencionismo não é o abstencionismo. É o que medra nele e ao seu abrigo. Por muito autismo social em que se queira viver, ninguém (ou muito poucos) conseguem viver nele. Porque a política, mesmo que se lhe feche a porta, entrará pela janela. E, fechadas porta e janelas, acabará por entrar pela chaminé ou à mistura com a luz do sol. Porque todos vivemos em sociedade. E a política está em todo o lado e em tudo - no atendimento que se tem no hospital ou na repartição de finanças, na portagem da auto-estrada, no ucraniano que nos vem arranjar a máquina de lavar roupa, até no futebol para onde dá vontade de ir para se fugir da política.

Assim, a questão que me coloco, respeitando tanto a decisão de votar como a de não votar, é que (uma) "cultura política" existe e cresce na banda do abstencionismo. Porque, se os abstencionistas não influenciam a escolha eleitoral, eles existem e influenciam a vida política como quaisquer outros. Talvez mais, porque cozinham o seu caldo com maior sensação de liberdade do que aqueles que se sentem responsabilizados por uma escolha e, assim, mais ou menos, obrigam-se a uma certa cumplicidade com uma vitória ou uma derrota que também foi sua. Como críticos radicais do sistema, recusando-lhes a participação, os abstencionistas procurarão prolongar a sua coerência pela recusa dos laços da sociabilidade e pela partilha dos projectos e até das decepções. Tudo o que acontece de bom em termos políticos, pouco vale se comparado àquilo que a política e os políticos trazem de nefando. Tudo o que de condenável acontecer, são pontos a marcar e a explorar até à exaustão para confirmar a "nojeira".

Verdade que o abstencionismo não é, porque não pode ser, homogéneo. Haverá até "abstencionismo de esquerda" e "abstencionismo de direita". Mas a rejeição alimenta-se na mesma matriz - tornar a democracia frágil, tão frágil até que se parta, consumando um desejo de partilha. O que só pode trazer à lembrança que os projectos totalitários e simétricos que varreram a Europa em muitos decénios do século passado e levaram o mundo ao mais mortífero e destruidor dos conflitos mundiais, foram irmãos gémeos na mesma recusa da democracia liberal e da inutilidade instrumental da liberdade de expressão. Hoje, não julgo que estejamos (ainda?) em estado de tocar trombetas por uma democracia ameaçada pelo abstencionismo ou pelo voto em branco. Mas, como entender que, por exemplo, o racismo e a xenofobia cresçam, entre nós (sim, ENTRE NÓS) em ritmo acelerado quando exprimem atitudes e valores que são rejeitados por TODOS os parceiros do jogo político e partidário? Porque o problema, o grande problema se houver problema, vai ser quando uma força política organizada, maribando-se para o politicamente correcto e democraticamente adquirido, conseguir dar corpo aos paradigmas que medram no abstencionismo e o traga para as urnas de voto ou para as ruas.
Publicado por João Tunes às 15:30
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2004

POORTUUUUUUUGAAAAAL !

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Bandeiras ao vento, bandeiras ao léu. Neste domingo, haverá uma nova Aljubarrota em Alvalade. E será um 1º Dezembro antecipado.

Domingo, bandeiras ao léu, vamos derrotar os espanhóis. Derrotamos não, damos cabo deles!

Essa espanholada infame, socialistas monárquicos de uma figa, órfãos de Franco e de Santiago Barnabéu, já nos arruinou com a Invencível Armada, disse que Camões era o Príncipe dos Poetas de Espanha, precisou dos legionários dos Viriatos para ganhar a guerra civil, disse e diz que as gaijas deles são melhores que as nossas quando não passam de umas badalhocas disfarçadas com litros de água de colónia ordinária.

Essa espanholada tomou conta da banca que já foi do povo e portanto nossa, está metida na EDP e noutras que tais, tomou conta dos melhores prédios de Lisboa, enfia as nossas adolescentes remediadas na Zara enquanto as mães passeiam no Corte Inglês.

Essa espanholada tomou conta do comércio das sanitas e dos lavatórios, mais das portas, dos mosaicos, das mobílias e das fechaduras, enquanto, selvagens, mata os toiros na arena à vista de toda a gente.

Essa espanholada transformou o Figo, que era um rapaz honesto da Cova da Piedade, num pesetero, não deixa o Quaresma jogar porque é cigano, gosta mas não bebe Super Bock quando sabe que é uma cerveja portuguesa.

Essa espanholada acelerou na modernização, na produtividade, na competitividade, no aproveitamento dos fundos comunitários, apenas e só para nos deixar na cauda da Europa.

Essa espanholada tem os charutos e o combustível mais baratos só para nos humilharem de inveja.

Essa espanholada, vai pagar tudo que nos fez e faz com língua de palmo. Vai levar uma cabazada e ... devolver Olivença. A nossa querida Olivença, ai Olivença, a quem assassinaram o nome, chamando-a de Olivenza. Olivença, ai Olivença, terra de população aprisionada que geme e apela para voltar a ser portuguesa. E, como se tanto não bastasse, meteram os serviços secretos da espanholada a organizar o Grupo dos Amigos de Olivença para os termos de aturar nas suas lamúrias de saudade patriótica.

A espanholada, essa espanholada, vai pagar tudo que nos fez e faz. Noventa minutos chegam. Nem que tenhamos que transformar a bola num quadrado aljubarrotiano. Nem que tenhamos de apelar a uma das nossas padeiras para lhes dar pázadas, entrando no lugar do Costinha e alinhar ao lado do Petit.

De Espanha, nem bons ventos nem bom futebol. O Deco, só o Deco, esse ilustre varão português de nobres antepassados que remontam aos Cabrais, quiçá ao Beato Nuno, quiçá mesmo à nobreza da Casa das Mães de Bragança, chega e sobra para eles.

Bandeiras ao vento. Bandeiras ao léu.

PORTUGAL, PORTUGAL, PORTUGAL !
Publicado por João Tunes às 23:30
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LEITURA CRUZADA

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Terminada a leitura do livro da historiadora Dalila Cabrita Mateus (1) já aqui referido, entrou-me nas mãos um outro livro volumoso (750 pgs!) do Coronel reformado Manuel Amaro Bernardo (2). Acabei por terminar a leitura do segundo antes de trazer para aqui a apreciação sobre o primeiro.

Aparentemente, os dois livros não se cruzam.

Os factos abordados no livro de Dalila Mateus terminam quando começam os que são tratados no livro do Coronel reformado.

Dalila Mateus concentra-se nas actividades da Pide/DGS nas antigas colónias. O Coronel, abordando a descolonização, transborda para o campo da revolução e da contra-revolução, sobretudo em termos das movimentações golpistas dos militares de direita até ao 25 de Novembro de 1975.

Enquanto o livro sobre a Pide/DGS é obra de historiadora que usa as ferramentas e a metodologia do ofício (foi adaptado de uma tese de doutoramento), o Coronel utiliza os seus conhecimentos, amizades e cumplicidades (ele próprio navegou nas águas da contra-revolução), para construir uma completíssima recolha de depoimentos sobretudo dos militares que se opuseram à descolonização, que lutaram contra o MFA e contra o rumo revolucionário (com alguns depoimentos esparsos de pides, civis envolvidos no golpismo de direita e um (!) depoimento, entre dezenas de entrevistas, de um (!) militar do MFA).

Nota-se que a perspectiva da historiadora parte de um enfoque de “esquerda” sobre a guerra colonial, enquanto o Coronel reformado partilha com os seus depoentes a rejeição do processo de descolonização e constrói e reconstrói os conhecidos lugares comuns da visão dos militares desconsolados com o 25 de Abril, logo nesse dia ou no dia seguinte. E é aqui que, a meu ver, os livros sempre acabam por se cruzarem (simetricamente).

Dalila Mateus expõe os mecanismos de actuação da Pide/DGS em África e os meios que dispunha e que utilizava (na medida do que é possível saber-se e escapou à destruição dos arquivos). Além de demonstrar que o que se passou nas frentes das guerras coloniais foi um genocídio em “fatias” contra as populações africanas (confirmando a caracterização feita pela ONU), houve actos deste tipo cometidos pelas Forças Armadas, mas o grosso das acções de obtenção de informação, infiltrações entre os guerilheiros, atentados contra os seus líderes, tortura de prisioneiros, gestão de prisões e de campos de concentração (onde o internamento era ordenado pela própria Pide, sem julgamento e como “acto administrativo” de “fixação de residência”). Ou seja, na maior parte dos casos, as Forças Armadas passavam para a Pide a maior parte do “trabalho sujo” relativamente a militantes, simpatizantes ou suspeitos de simpatias para com as causas nacionalistas.

Esta “repartição de tarefas” assentou numa cumplicidade e complementaridade totais e absolutas. Para além de permitir que as Forças Armadas “salvaguardassem a sua imagem” de combatentes apenas guerreiros e com margem para a “psico”, o trabalho entregue à Pide ganhou em “especialização” e “eficácia” (embora, não poucas vezes, tenham havido operações conjuntas). Mais, tornou as duas organizações numa espécie de irmãs siamesas em que uma não podia viver sem a outra. As operações militares faziam-se com base nas informações da Pide, a Pide “trabalhava” os prisioneiros feitos pelas Forças Armadas.

Em termos abstratamente relativos, o tratamento dado pela Pide em África aos seus prisioneiros transforma todos os testemunhos dos martírios sofridos pelos presos antifascistas portugueses na metrópole nos tais “safanões” de que falava Salazar. Como entender então a resistência havida após o 25 de Abril, em extinguir a Pide em África, em que, sobretudo em Angola, ainda trabalharam durante muito tempo integrados na PIM (Polícia de Informação Militar)? Como entender a excelente apreciação que a maioria dos oficiais de carreira faziam sobre os méritos da Pide em África? Como entender que o Alto Comissário em Moçambique (Vitor Crespo), onde a Pide foi desmantelada mais cedo, se tenha encarregado de destruir os ficheiros da Pide? Como perceber a ausência de escrúpulos dos militares golpistas após o 25 de Abril trabalharem em estreita colaboração com ex-pides, retomando velhas cumplicidades? Finalmente, como perceber que, enquanto na metrópole, a Pide era odiada pela população, em África ela era considerada e acarinhada pelos colonos (por vezes, mais estimada que os militares que faziam a guerra)?

A resposta a estas últimas questões está na noção que os militares profissionais tinham que não haveriam condições para fazerem a guerra sem a Pide. E sabiam que a Pide “fazia bem” o papel que lhe estava atribuído (a maioria dos guerrilheiros reconhece isso, sendo uma das raras excepções a prosápia estúpida do senil Marcelino dos Santos da Frelimo que afirmou que “a Pide não sabia nada”).

Compreende-se assim que, na descolonização, a Pide continuasse viva e bem viva nas ainda colónias. Ou pela integração no PIM, ou, clandestinamente, a ajudar a “resistência branca”, transbordando depois para o combate ao MPLA e na criação da Renamo.

Parte dos oficiais de carreira profissionalizados na guerra colonial (muitos deles com três comissões feitas) deram a “volta política”, alinharam na descolonização e seguiram o paradigma político do MFA. Mas um número significativo de oficiais de média e alta patente (a partir de Major na altura do 25 de Abril) foram incapazes de digerir a descolonização e entenderem o papel da Pide como alicerce do regime. O livro do Coronel Manuel Bernado, no essencial, é um retrato exaustivo e completíssimo deste segundo grupo (em que a maioria ocupa, de há anos a esta parte, os lugares de generalato e as hierarquias das Forças Armadas). Esse é um dos seus interesses. Daí a razão porque julgo que os dois livros se complementam e ajudam a entender um e outro.

Não foram as Forças Armadas (só por si) que fizeram as guerras nas colónias. A Pide (só por si) tão pouco. Foi uma e outra. Foi o regime salazarista-marcelista. Quando o regime caiu, o colonialismo caiu e a descolonização só podia ter como ponto de partida o ponto de chegada do colonialismo português. O “depois” podia (devia) ter sido diferente e melhor. Mas o “depois” que houve partiu do “antes” herdado. Muitos militares da época não o entendem porque não o conseguem entender. À força de justificarem os anos de profissão naquelas guerras, perderam essa capacidade. Assim se entende que um oficial depoente do livro do Coronel Manuel Bernardo diga, candidamente, que o “crime dos pides” foi terem sido “bons funcionários públicos”.

(1) - “A Pide/DGS na Guerra Colonial – 1961-1974”, Dalila Cabrita Mateus, Ed Terramar

(2) - “Memórias da Revolução – 1974/1975”, Manuel Amaro Bernardo, Ed Prefácio
Publicado por João Tunes às 02:23
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Quinta-feira, 17 de Junho de 2004

QUAL CRISE ?

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Vale a pena ler aqui uma notícia com o título ”Número de milionários cresce mais em Portugal do que na Europa”.

Ora bem. Aqui está a explicação sociológica para a derrota da Coligação de Direita, o PND ficar atrás do PCTP/MRPP e o Miguel Portas ir entrar no Parlamento Europeu.

Está na hora de retomar o slogan (cada vez mais actual): Os Milionários que paguem a crise!
Publicado por João Tunes às 02:04
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Quarta-feira, 16 de Junho de 2004

UMA CAUSA EM FESTA

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Li este simpático convite no Causa Nossa:

"A festa do solstício"

E se, por uma noite, a blogosfera deixasse de ser virtual?
Vai acontecer no dia 22, terça-feira, pelas 21h, no LUX, em Lisboa, a pretexto da celebração (devidamente atrasada) do primeiro semestre do Causa Nossa. Os nossos amigos, os demais bloggers e os leitores do Causa Nossa são bem-vindos, acompanhados de posts, ideias para blogues e um link para o divertimento. Vai haver "stand-up comedy", copos, prémios para a blogolândia e para a sociedade. Desta vez, o Causa Nossa não será apenas nosso.
Pormenores nos próximos dias.


Acho a ideia interessante, tanto mais que sou apreciador do Causa Nossa, embora (ou por causa) frequentemente discorde dos seus posts. Tenciono ir, se a minha agenda mo permitir. E se, na social festa, for permitida a entrada a republicanos. Não sei é como arrastar comigo os links e os posts… Em vez destes ciber-artefactos que tão mal domino, não me permitem a entrada apenas com aquilo que é a minha especialidade (um par de botas)? A imaginação ao poder, como se dizia nos velhos tempos.

Vá ou não vá, aqui fica a publicidade e o desejo de bom convívio.
Publicado por João Tunes às 18:15
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A ÁRVORE DO ALEX

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Estou chateado com o Alex. Não pela qualidade do seu blogue que é excelente e refrescante e até consta do meu quadro de honra.

Mas acontece que o Alex publicou esta foto roubada de uma árvore africana (diz ele), e pede conselhos aos blogueiros africanistas para a identificarem.

Ora, eu não sou africanista mas andei por África o tempo suficiente para conhecer devida e botanicamente a árvore que tanto impressionou o Alex. Aliás, julgo que não é preciso conhecer África para conhecer esta árvore. E gostar dela, evidentemente. Por isso, só por isso, é que eu estou chateado com o amigo Alex que resolveu deixar-me fora da consulta aos especialistas.

De qualquer modo, o amuo é ligeiro e já passa. Então cá vai a solução:

É UM INBUNDEIRO.
Publicado por João Tunes às 17:45
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UM ABRAÇO PARA O VICKTOR

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Com as negaças do Sapo em me deixar blogoteclar, gorou-se ter aqui festejado, no dia devido, o aniversário do meu estimado amigo e companheiro Vicktor.

Agora que a coisa se vai recompondo (ainda com muitos tremeliques), recupero a dívida de amizade e aqui vai, pedindo desculpa pelo atraso, para o Vicktor, um grande abraço de parabéns, por mais um ano a somar numa vida cheia de solidariedade com os outros e em olhares de ternura estética sobre as pessoas e as coisas. Sempre o conheci assim, muitos anos a fio, na empresa onde ambos labutámos (e lutámos). Continuo a vê-lo e a senti-lo da mesma forma aqui na blogosfera.

A Oficina do Vicktor é um regalo para a vista e para o sentir. Um autêntico banho que um Artista se dispôs a dar-nos para termos vontade de sermos melhores, estando melhor. Entre os seus múltiplos talentos, eu distingo a sua arte de excelente fotógrafo e, vai daí, achei que nada melhor que acompanhar o abraço que lhe mando com aquela que, entre as suas fotos publicadas, é a minha preferida. A velhota lá está, esperando benignamente que a vida se consagre. Há um poço que sugere uma fonte de vida. Mas realça, sobretudo, o olhar terno do fotógrafo que, só ele, pode transmutar o modelo.

E não se pense que defendo ou julgo que os amigos não têm defeitos nem pecados. Não é o caso porque eu seria incapaz de fazer amizade com alguém que tivesse a falta de sal de um santo. E, que ele me desculpe a inconfidência, mas um dos principais defeitos que encontro no Vicktor é ele (com a cumplicidade de outros “bons malandros”) ter-me arrastado aqui para a blogosfera, vício terrível de que ainda não me consegui livrar. Nem com a ajuda das embirrações do malfadado sapo…

Aquele abraço, caro Vicktor. E ... muitos e bons.
Publicado por João Tunes às 17:15
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POR SÃO BARNABÉ

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Muito se aprende com o Daniel Oliveira. Já acontecia antes, agora então é o máximo, inchado que ele está (e muito merecidamente) com o sucesso eleitoral do seu Bloco. E ainda a procissão vai no adro.

Num post sobre a justeza do regresso do deputado Paulo Pedroso à cadeira parlamentar, Daniel Oliveira faz estas afirmações rotundas:

“1. Pedroso foi eleito.
2. Pedroso, desde que o tribunal não o pronunciou, já não é presumível inocente. É inocente.”

Faltou o terceiro ponto. Aquele em que se devia afirmar que a apresentação de um recurso (ainda não apreciado) sobre a despronúncia do famoso arguido não aquece nem arrefece. É acto presumivelmente nulo de significado e de sentido. Portanto, dispensável. Quer dizer, quando agrada, a justiça só funciona com uma mudança: a primeira instância.

Isto aprendi agora. Porque antes de ler o Daniel Oliveira, eu pensava que:

1) Enquanto um processo não é dado como julgado, um arguido não é culpado nem inocente. Continua como arguido, com direito à presunção de inocência.

2) Politicamente, embora seja um eleito até ao fim da legislatura, o regresso à ribalta da política portuguesa de Paulo Pedroso não ajuda nada o PS e muito menos o combate político de oposição à Coligação de Direita.

Estamos sempre a aprender. Resta saber, politicamente, qual a táctica que está por trás da aposta no reforço da dupla Ferro/Pedroso. Logo agora que a Coligação de Direita está de rastos. O PS e o Bloco lá saberão das suas prioridades e projectos.
Publicado por João Tunes às 16:41
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