Sexta-feira, 2 de Abril de 2004

NA FOZ DO KUANZA

Rio Kuanza.JPG

Tive oportunidade de conhecer a sociedade onde o Jaime Bunda do Pepetela se orienta. É um lamaçal que a Unita (agora política) só pode acentuar. Porque a paz que veio depois da guerra, é a paz dos corruptos. Tem um Presidente que é mais Padrinho que outra coisa. Tem um opositor que joga no mesmo tabuleiro. Dos Santos tem amigos por todo o mundo. Porque tem contas em todo o mundo. Mas não tem contas para matar a fome aos angolanos e para pagar próteses aos meninos decepados pelas minas da guerra. É "primo" do Chissano, o marido dócil da maconde autoritária que protege os filhos gangsteres porque ela é do Norte e não permite o exclusivo da rapina aos sulistas do Presidente. Será também "compadre" de Guebuza que é igual (em devoção ao povo) ao Dlakama. Deve ser "cunhado" do Nino, do Luís Cabral e do Pedro Pires. Porque todos – MPLA, Frelimo, PAIGC e PAICV – derrotaram os colonialistas portugueses para os imitarem naquilo que estes tiveram de pior.

(Num domingo de há três anos atrás, o meu simpático anfitrião convida-me a um passeio até à foz do rio Kuanza a sul de Luanda. Paisagens deslumbrantes enchem-me os olhos. À sucessão dos imbondeiros gritando mínguas, vem o verde brilhante dos mangais das margens do Rio derramando detritos vegetais no leito em marcha caudalosa para o Oceano. Uma ponte decrépita atravessa o Kuanza. O rio convida à travessia. Vamos nessa. Uns tipos fardados e ostentando as insígnias de Polícia Especial vigiam o trânsito. Atravessamos com cautela, espreitamos o interior do rio e voltamos para trás. No regresso, sem parar, espreito pela janela e procuro tirar uma foto da beleza vegetal. Somos mandados parar no fim da ponte. Tínhamos cometido o crime de fotografar um “objectivo militar”. O polícia faz o preço da infracção. O meu anfitrião regateia mas larga notas que o vigilante mete ao bolso. Seguimos viagem. Deixámos para trás o rio que, afinal, não se chamava Kuanza mas sim “dos kwanzas”.)
Publicado por João Tunes às 14:56
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Quinta-feira, 1 de Abril de 2004

Respiro o teu corpo

1 Abril.JPG

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

(Eugénio de Andrade)

Como gostei de receber este poema embrulhado num beijo. Amar vale a pena. Sempre!
Publicado por João Tunes às 20:11
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O DIA DA MAIOR VERDADE

amor[1].jpg

Podia e devia ter sido antes mas foi então. Houve lonjura no caminho e no tempo para dizer o mais simples. Talvez porque tudo estava dito, demorou a pegar na chave e chamá-la pelo seu nome. A porta do afecto a pedir liberdade só se abriu pelo óbvio e pela força do que é.

Era dia de mentiras, o dia da maior verdade. Simples e clara. O rio estava ali. Não, não era azul, lembro-me bem. Estava sujo e cansado, mas calmo. Sabido de séculos a correr entre margens, não deixava mentir nem esconder. Obrigando ao grito da verdade. Da mesma maneira como obrigava as pessoas a entrarem nos cacilheiros para recolherem da luta e da labuta, tornando-as livres para a recolha e para o amor.

Parece-me hoje. Talvez ontem. Foi há mais tempo, eu sei. Mas deixa o tempo parecer o que não é. Visto em frente, o que parece é o que é.

Hoje dou-te Lorca (que melhor te podia dar?).

Largo espectro de plata conmovida
el viento de la noche suspirando
abrió con mano gris mi vieja herida
y se alejó; yo estaba deseando.

Llaga de amor que me dará la vida
perpetua sangre y pura luz brotando.
Grieta en que Filomena enmudecida
tendrá bosque, dolor y nido blando.

¡Ay qué dulce rumor en mi cabeza!
Me tenderé junto a la flor sencilla
donde flota sin alma tu belleza.

Y el agua errante se pondrá amarilla,
mientras corre mi sangre en la maleza
olorosa y mojada de la orilla.
Publicado por João Tunes às 14:35
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SENTENÇA

Juiz[1].jpg

"A blogosfera de língua portuguesa é a segunda maior e mais evoluída do mundo. Seguindo o caminho da primeira, a estadunidense (e não confundir com língua inglesa), os blogues tornam-se aos poucos, efectiva e solidamente, em espaços mediáticos não desprezáveis. E mais: têm virtudes que nenhum media até hoje ofereceu, pelo contrário, abafou. O contacto directo, quase personalizado; a interacção em tempo real com plateias de maior discernimento intelectual (e o consequente apelo à maior honestidade); o tempo e espaço de intervenção sem limites; a liberdade de discurso, não condicionado ao formato imposto pelo jornalista/órgão.
Para o bem e para o mal, a política portuguesa está a passar-se para a blogosfera."

Disse Paulo Querido. Está dito!
Publicado por João Tunes às 02:03
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VOTO DE UMA IRMÃ FEMINISTA

mulher[1].jpg

Em 24 de Fevereiro de 1971 (mais ou menos, a três anos da Revolução de 25 de Abril), Maria Lúcia de Jesus (também conhecida como Irmã Lúcia, ex-pastorinha, vidente de Fátima e em reclusão nas Carmelitas Descalças em Coimbra) escrevia ao Presidente do Conselho, Dr. Marcelo Caetano, implorando medidas legislativas sobre as vestes femininas:

“Não seja permitido vestir igual aos homens, nem vestidos transparentes, nem curtos acima do joelho, nem decotes a baixo mais de três centímetros da clavícula. A transgressão dessas leis deve ser punida com multas, tanto para as nacionais como para as estrangeiras.”

(Nos “Arquivos Marcelo Caetano” e citados em “Os Espanhóis e Portugal” de J.F.Antunes – Ed. Oficina do Livro)
Publicado por João Tunes às 01:26
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LEMBRANÇA DE TEIXEIRA PINTO

acabral2[1].jpg

(Recuperação de post antigo e em homenagem ao meu blogamigo Teixeira Pinto para ver se ele percebe, uma vez por todas, a carga afectiva que tem quando eu o chamo de Canchungo)

Memória de Teixeira Pinto / Canchungo (Guiné-Bissau – 1970)


Meto-me no jipe e faço-me à estrada que liga Pelundo a Teixeira Pinto (hoje Canchungo). O tempo está quente e muito húmido. A camisa está quase colada ao corpo e os braços e a cara estão peganhentos por causa do suor que não se evapora. Não estranho, já estou habituado.

Vou sozinho no jipe. A estrada sempre foi segura. A zona está mais que controlada. Seria um mero passeio se não tivesse uma missão a cumprir. Levo comigo a inseparável G3 (a noiva negra dos tempos de guerra) e uma espingarda de pressão de ar de fabrico polaco que comprei na última ida a Bissau e que convem ter à mão para apanhar rolas que possam servir de base para um petisco de convívio no dia seguinte.

A missão é de rotina. Tinha de trocar os códigos de cifras desactualizadas por outros novos. Tenho tempo de chegar e de voltar. Dá para encher os olhos com o verde vivo do arvoredo cerrado e as milhentas espécies de aves de muitas cores. Conduzo devagar, apenas com uma mão a segurar o volante. A outra mão assenta no joelho mas bem perto da coronha da G3. Não é por nada. A zona é segura mas aqueles sítios são magníficos para uma emboscada. Olá se são. Levo as cifras comigo, e embora estejam desactualizadas, nunca fiando porque elas, mesmo assim, dariam jeito ao PAIGC.

Sem problemas. Tirando o calor e a humidade. Entro no comando militar da zona, trato do que tenho a tratar. Os oficiais convidam-me para almoçar, o que já contava. Aceito com gosto. Malta porreira e com pessoas que é um encanto conversar. Para mais, em Teixeira Pinto, a comida era óptima para os padrões da colónia.

Spínola tinha levado, para Teixeira Pinto, a sua elite de oficiais, na aposta de transformar o "chão manjaco" num caso de sucesso de adesão das populações à sua política e de contenção da guerrilha. O comando era ocupado pelo Coronel Paraquedista Alcino, um bonacheirão e homem que muito sabia de guerra. Abaixo dele, havia o Major Passos Ramos, responsável pelas operações, o Major Pereira da Silva, responsável pelas informações militares e o Major Osório, condecorado com Torre e Espada e várias Cruzes de Guerra, que era o homem dos combates. Na parte guerreira, vários oficiais fuzas, todos eles recheados de condecorações por bravura em combate.

A seguir ao almoço, havia sempre um convívio relax no bar de oficiais, onde dava para se descontraírem as conversas, pondo-se a escrita em dia enquanto se bebiam uns (infindáveis) digestivos.

Não me diziam grande coisa os oficiais de combate. Com eles, as histórias andavam por repetição de feitos em golpes de mão ocorridos algures. Ainda por cima, agora tinham pouco para contar, porque a zona estava tranquila e as operações especiais eram só de quando em vez para os casos de haver informações de movimentos entre bases da guerrilha ou de infiltração desta nalguma aldeia. Até se mostravam um pouco nervosos com a inércia a que estavam amarrados. Um dos dois tenentes fuzileiros (ia na terceira comissão na Guiné, sempre como voluntário) dizia até que, se aquilo continuasse assim, não queria mais Guiné e ia mas era oferecer-se como voluntário para o Vietname. Ele gostava e queria guerra. Ambos os tenentes fuzileiros (Brito e Benjamim) haveriam de fazer, mais tarde, outras guerras em serviço spinolista como a célebre sublevação de 11 de Março de 1975 e, depois, entrariam nas operações do MDLP sob a direcção de Alpoim Galvão. Quanto ao Major Osório, sempre de t-shirt branca, pouco falava mas era muito respeitado. Aquilo era gente de acção e quando a não tinham, cediam à espera tensa e ansiosa de mais acção. Em resumo, eram guerreiros em descanso forçado. Além da bravura na guerra, só lhes sobrava bravura para descarregarem o sexo numa ou noutra adolescente a quem deitavam mão e que se limitavam a abrir as pernas e os olhos, num misto de espanto, de medo e de ausência de prazer.

O Major Pereira da Silva, de enormes bigodes revirados, não parecia um militar. Mal enfiado dentro da farda, o homem era um intelectual. Falava todos os dialectos usados na zona, conhecia de fio a pavio todos os usos e costumes das tribos da Guiné, andava sempre pelas aldeia a completar os seus conhecimentos e a farejar informações úteis. Em colaboração com a Pide, dirigia a rede de informadores e era o negociador com os cisionistas do PAIGC, dispostos a entregarem-se. Era um comunicador excelente e um homem completíssimo em cultura(s) africana(s). Dava gosto ouvi-lo e aprender com ele, tanto mais que tinha, para com os africanos, uma autêntica reverência cultural, particularmente quando se tratava dos manjacos.

O Major Passos Ramos era o crâneo do comando militar. O pensador de toda a estratégia e o homem que fazia as sínteses do cumprimento da missão para toda a zona. Excelente conversador e homem culto, o Major Passos Ramos irradiava encanto e inteligência. Era um oposicionista manifesto e assumido ao regime e tinha, inclusive, participado na Revolta da Sé. Quando encontrava um miliciano chegado de fresco ou vindo de férias, ele imediatamente rumava a conversa para as actividades oposicionistas e pedia previsões sobre quando o regime iria cair.

Spínola estava encantado com o andamento das coisas no “chão manjaco”. Tudo ia bem ou parecia andar. E os oficias de Teixeira Pinto eram mesmo a sua nata. Eram militares profissionais de primeira água que faziam a guerra o melhor que sabiam e podiam.

A meio da tarde, regressei a Pelundo. Sem problemas. Apenas com mais suor que aquele que tinha levado na ida. Mas sem rolas, porque faltara pachorra para caçadas.

Passado pouco tempo, desterraram-me para o Sul da Guiné, onde a guerra era bem mais quente. Efeito subsidiário da pena de prisão de três dias que apanhara por me ter recusado a cumprir a ordem de um Tenente-Coronel para bater num Cabo. Fiz, então, a última viagem de jipe do Pelundo até Teixeira Pinto para apanhar o avião que me levaria, em trânsito, até Bissau. Mas, antes de embarcar no avião, não faltaram os três majores na pista para darem abraços de despedida (e de solidariedade). O adeus do major Passos Ramos foi o mais emotivo porque tinha ganho uma especial empatia comigo, alimentada de cumplicidade política e de estima pessoal. Ainda hoje me parece sentir nas costas o toque afectivo das palmas das suas mãos. Foi a última vez que vi Pelundo e Teixeira Pinto. E os três majores.

Já colocado em Catió, tive notícias dos três majores e meus amigos. Notícias que correram mundo.

Toda a guerrilha do PAIGC, no "chão manjaco" e noutras zonas do norte,” tinha decidido” render-se e passar para o lado do exército colonial. Era a cereja no cimo do bolo. Estava tudo tratado até ao pormenor. Havia fardas portuguesas já prontas para os guerrilheiros vestirem logo que chegassem a Teixeira Pinto e estava tudo tratado sobre patentes e instalações das famílias. Cada antigo guerrilheiro teria casa e comida e o soldo correspondente à sua nova patente e em igualdade com os militares europeus. Aquela seria a grande vitória política e militar do General Spínola. Precisamente na altura em que quase toda a gente considerava a guerra na Guiné como já perdida.

Os guerrilheiros colocaram uma única condição. Fariam a sua rendição em plena mata, junto a Pelundo, mas os oficiais portugueses que fossem receber os guerrilheiros teriam de comparecer desarmados. Como prova de confiança. Várias fontes confirmam que Spínola quis ir em pessoa presidir à rendição e só foi disso dissuadido no último minuto. A delegação para aceitar a rendição das forças do PAIGC foi constituída pelos Majores e meus amigos Osório, Pereira da Silva e Passos Ramos. Foram ao encontro dos guerrilheiros, ultraconfiantes, sem armas, num jipe vulgar e sem qualquer escolta. Felizes pelo sucesso iminente. Chegados ao local de encontro, os três majores foram retalhados a tiro de kalashnikov e acabados de matar à catanada. Sem dignidade e com requintes de barbárie. Spínola, o seu estado-maior e os majores tinham-se enganado sobre o PAIGC. A manha e a paciência dos guerrilheiros tinha sido maior que as tecidas pelas melhores inteligências do exército colonial e da Pide.

Spínola perdeu os seus três melhores oficiais na Guiné de uma única vez. Eu perdi três amigos. Sem honra nem glória. O “chão manjaco” voltou ao ferro e ao fogo adormecidos. Os tenentes fuzileiros de Teixeira Pinto interromperam a ociosidade mal-amada. Não faltavam, agora, oportunidades de fazerem o gosto ao gatilho, à granada e à faca de mato. Era a hora de matar pretos, as fodas nas pretas que esperassem. Tudo tem o seu tempo.

Recebi a notícia com o mesmo espanto que toda a gente. Como tinha sido possível? Ali estava uma pergunta sem resposta e que me ecoa até aos dias de hoje. Não podia ter resposta mas isso não evitou um frémito de emoção profunda. Verdade que guerra é guerra, e quem lá vai, dá e leva. Mas ainda hoje sinto uma enorme tristeza de saudade das conversas que nunca se irão repetir com os Majores Pereira da Silva e Passos Ramos. No 25 de Abril de 1974, senti uma enorme frustação por não os abraçar nas ruas de Lisboa e, em vez disso, ter de ver o focinho patibular de Spínola na Televisão a presidir à Junta de Salvação.

Resta-me a memória de Teixeira Pinto. Perdão, de Canchungo.
Publicado por João Tunes às 00:29
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j.tunes@sapo.pt


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