Quarta-feira, 28 de Abril de 2004

EUROPA MAIOR

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PARTE I

Estamos então a pouquíssimos dias de ter novos países como nossos parceiros na nossa querida União Europa. Vamos ter, pelo menos, mais espaço para viajarmos com a sensação de estarmos num mesmo espaço e perdemos menos tempo nas passagens das fronteiras. Sim senhor, e depois? Depois? Lembrem-se das viagens que faziam antes e agora a Espanha, depois de entrarmos de braço dado na rica Europa.

Entre os novos países membros, os impactos da integração serão diferentes.

Comecemos pela simpática e minúscula Malta. A sua capacidade turística está praticamente saturada. Seliema já é demasiado parecida com o nosso Algarve ou com Torremolinos. Melhorarão as estradas, substituirão os vetustos autocarros privatizados (uma pena…), recuperarão um ou outro património a precisar de umas pinceladas. Mas não deixarão de conduzir pela esquerda. Com Kadafi nos eixos, o valor de Malta como porta-aviões no meio do Mediterrâneo perde valor. Ah, podem exportar livremente coelhos (praga que os aflige) para a malta (nós outros) guisarmos “à caçadora”. E vamos perder menos tempo no aeroporto de La Valeta. Democracia já têm. O que vai mudar mais? É que não podem mudar muito que aquilo é pequenino.

Depois vamos a Chipre. Chatice. Aquilo mete gregos e turcos. Os gregos não querem nada com os turcos. Os turcos querem com os gregos maneira de confirmar a Turquia na Europa. Os gregos percebem a marosca e não vão na cantiga. Cipriotas turcos out. Assim, vem meia ilha para a Europa, a outra metade fica otomana e que se amanhe. Ou seja, mais uma rota turística no cardápio da acessibilidade (a fronteira passa para o meio da ilha).

O resto são países saídos do “socialismo real”, ainda frescos do Comecom. Todos eles ganham obrigação e contenção na consolidação dos regimes democráticos. Grande vantagem, sem dúvida alguma. E ajudas para recuperarem atrasos estruturais (ambiente, vias de comunicação, formação, subsídios para desempregarem). O que não é nada pouco. Ganham, pois, politicamente e em termos de infraestruturas. E quanto ao resto?

Um grande drama dos países que saíram do “socialismo” para virem cá para o capitalismo é que tinham Partido e não tinham capitalistas. Os que apareceram foram arranjados à pressa. Ou camaradões do Partido que se encaixaram no mando das grandes empresas ou mafiosos que são os que têm a arte de enriquecerem da noite para o dia. Melhor, o que aconteceu, grosso modo, foi uma caldeirada destes dois peixes. O que é pouco para estruturar, neste curto prazo de tempo, uma burguesia nacional. Como chegaram de fresco ao capitalismo e ainda não tiveram tempo de se fartarem dele, a cultura dominante é mais capitalista e neo-liberal que nas terras mais a ocidente. Eles ainda pensam que cada cidadão pode ser um magnate, coisa que aqui já sabemos que só dá para meia dúzia de eleitos. Entretanto, o trabalho é pessimamente remunerado pelo que o futuro só pode ser melhor (mesmo que pouquinho porque não podem perder essa “vantagem competitiva”). Quanto à “grande economia”, está-se mesmo a ver: os grandes grupos económicos franceses e alemães (suecos, no caso dos países bálticos) chamam-lhe um figo e comem-no enquanto o diabo esfrega um olho.

E em termos de identidades? Aí vai ser interessantíssimo.

A Hungria vai novamente matar saudades da sua irmã austríaca e recordar os tempos do Império bicoroado? Como agora reduzidos às suas reduzidas dimensões? Então vão ter de se acolherem no regaço do Grande Irmão germânico por via do reforço do pangermanismo austríaco (Haeder não dorme). Se os húngaros não forem na conversa, além de se agarrarem às sotainas do Vaticano, vão ter de pedalar muito para se libertarem da asfixia dos manos austríacos.

Os checos e os eslovacos, incapazes de conservarem a Checoslováquia depois do regresso à democracia, vão-se reencontrar em Bruxelas. Aí devem aproveitar bem o tempo para acertarem as contas em atraso vindas da separação (tu ficaste com isto que era meu, cala-te que tu ainda me deves mais). Continuarão a terem a ver uns com os outros o mesmo que tinham no tempo do país inventado que foi a Checoslováquia. Ou seja, nada. Esperando-se que ninguém se lembre de largar a bronca e dizer alto e bom som a evidência de que Bratislava é uma cidade húngara que foi gamada. Talvez não passe nada, pois ambas as economias estão bem agarradas pelos gordos alemães. A menos que estes se lembrem de querer ajustar as contas dos alemães das Sudetas. Cruzes, canhoto.

Os países bálticos? Esses é o mais fácil de resolver. Processo da Grande Suécia em marcha e toca a andar. É preciso é não assustar o urso russo, deixando-lhe a esquadra navegar à vontade.

A Eslovénia pouco conta no filme. É pequenina e evoluída, está bem e recomenda-se. Os alemães e austríacos amparam-lhe a loja, desde que não estrilhem uns com os outros.

A grande novidade na Europa é a entrada da Polónia. Tem todas as condições de ser uma nova Espanha. O problema vai ser quando a Polónia crescer e se desenvolver e depois lidar-se com as suas ambições. Tem padres e freiras para dar e vender (com uma Igreja pujante e que será provavelmente a mais tradicionalista e retrógada entre todo o catolicismo europeu), tem espaço, tem mercado, tem ambição, tem massa humana.

Quanto às realidades sociais, sabemos por experiência vivida, o que a casa gasta. Basta compararmos o fosso que nos separava da Espanha no momento da adesão e o que agora nos afasta.

Nota: Claro que este filme a negro é demasiado pessimista. Mas é um exercício que tem a utilidade de permitir a boa navegação do eurooptimismo. O Teixeira Pinto prometeu que, na próxima Sexta-Feira, dava uma tareia no meu eurocepticismo e me ia rachar de alto a baixo. Como sou amigo dele e muito o considero, não quis que lhe faltasse lenha para meter na fornalha. Fogo à peça, meu caro.

PARTE II

E para não dizeres que eu sou faccioso, caro amigo Teixeira Pinto, lê agora o que diz o PCP (publicitado depois de ter escrito a Parte I deste post):


"O PCP reiterou hoje que Portugal será o país mais prejudicado com o alargamento da União Europeia a dez novos Estados-membros e responsabilizou o Governo PSD/CDS-PP por eventuais consequências negativas decorrentes desse processo.

"Todos os estudos conhecidos sobre a matéria, embora nenhum deles seja oficial, dão Portugal como o principal, quando não o único, perdedor dos actuais Estados-membros com o processo de alargamento", afirmou o dirigente comunista Agostinho Lopes, em conferência de imprensa, na sede do PCP.

"Portugal torna-se muito mais periférico, o que só por si tem custos acrescidos", acrescentou o membro da comissão política do PCP, responsabilizando "o Governo PSD/CDS-PP" e os eurodeputados destes partidos "pelos problemas decorrentes do alargamento".

"Não houve uma adequada avaliação do impacto" desse processo e "não foram acautelados minimamente os interesses do país", considerou.

"As consequências em Portugal já são visíveis, com as deslocalizações de multinacionais para o Leste europeu, à procura dos apoios comunitários e dos salários mais baixos", declarou, por sua vez, a cabeça de lista do PCP às eleições europeias, Ilda Figueiredo.

"Portugal deverá perder possibilidades de acesso a apoios comunitários relativamente à situação actual e mudam igualmente os objectivos e formas de atribuição dos fundos, onde se perde à partida cerca de dez por cento", adiantou Ilda Figueiredo.

A eurodeputada comunista considerou também que o Governo português, bem como a Comissão Europeia e o Conselho, "não se preocupam com as consequências do alargamento" para Portugal e para os dez novos Estados-membros que no próximo sábado, dia 1 de Maio, aderem à União Europeia (UE).

Segundo Ilda Figueiredo, o Governo deveria ter tido "uma posição reivindicativa, exigindo um programa específico para a economia portuguesa, a exemplo do que fez a Grécia, aquando da adesão de Portugal e Espanha à UE", em 1986.

"A destruição acelerada da nossa estrutura produtiva, da indústria tradicional, da agricultura e das pescas e o escandaloso agravamento do desemprego e das difíceis condições de vida das famílias" justificavam, na opinião da cabeça de lista do PCP às europeias, essa posição do Governo português.

A dirigente comunista considerou "inaceitável" a forma como foram tratados os dez novos Estados-membros e acusou os países "mais ricos" da UE de terem encaminhado este processo "num quadro de grande chantagem" e de "forma discriminatória" quanto à Política Agrícola Comum e "quanto à proibição da livre circulação de pessoas".

"A evolução destes novos Estados-membros fica condicionada aos interesses dos ricos países vizinhos, para quem o fundamental é a livre circulação de bens e capitais" e "quem mais ganhará com a adesão serão exactamente esses países mais ricos: Alemanha, França, Itália e Áustria", acusou.

A primeira fase do alargamento da UE a Leste, passa pela integração da Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Malta e Chipre."
Publicado por João Tunes às 23:44
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UMA TENDA EM BRUXELAS

Kadafi.jpg

Se o homem diz que abdicou do terrorismo, registe-se o facto e agarre-se antes que lhe dê a maluca. Além do mais, tem petróleo e gás, não é? Venham eles e o sujeito que esteja sossegado. Pois. Até porque ele ameaça voltar às suas especialidades e solta os cães se o obrigarem a “recuar ou olhar para trás”.

Mas não se pode querer meter Kadafi na “frente antiterrorista”, permitir-lhe dizer que quer ser “uma ponte para a paz e a cooperação”, tratando-o de modo servil. Pode vir à Europa e armar a tenda, trazer guarda armada, dar nas vistas e alimentar a sua vaidade de "clown". Mas há limites. A forma como Prodi recebeu Kadafi foi bacoca e indigna. Uma instituição como a União Europeia não pode portar-se com vassalagem perante ninguém e muito menos perante um ditador de opereta.

Se Kafdafi abandonou o terrorismo e as armas químicas mais as nucleares, isso é óptimo (é menos um!) mas é curto. Continuam a acontecer violações gravíssimas na Líbia no que respeita aos direitos humanos (veja-se a denúncia da Amnistia Internacional). Espero que Prodi, no meio dos salamaleques, tenha feito ver a Kadafi o caminho que a Líbia tem de percorrer para deixar de ser um país excêntrico e ditatorial. Apesar do petróleo e do gás.
Publicado por João Tunes às 18:58
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INQUIETAÇÃO

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O desemprego alastra vertiginosamente, a retoma há-de vir, estamos cada vez mais na cauda de todos os indicadores europeus de qualidade de vida e na frente dos indicadores que nos centrifugam para a periferia, perdemos centros de decisão empresarial, o pessimismo alastra, a depressão dos cidadãos sobe com a auto-estima pelas ruas da amargura. Saramago faz furor de marketing com o apelo redentor no voto em branco. O controlo do défice transformou-se em arte sacra. Leiloam-se empresas para se obterem receitas extraordinárias que equilibrem as contas. Os espanhóis vão, serenamente, ocupando as tendas. Temos um Ministro de Defesa que masca pastilha elástica a assistir a uma parada militar.

Neste quadro, o que se passa na dinâmica social?

Os empresários e gestores, subitamente, despertam para a política activa. Activíssima. Juntam-se aos bandos, mostram gravatas, escrevem programas, querem mais, muito mais, sempre mais. Tornaram-se reivindicativos. Qualquer dia fazem manifestações, greves e cortam estradas. Até exigirem a privatização do Governo e a sua entrega a gestores “profissionais”. Noutra situação, telefonavam aos generais amigos a pedir uma “quartelada”.

E os Sindicatos? Pois, os sindicatos. Declaram e protestam, sim. Defendem, defendem-se. Andam a tentar salvar o que se pode dos cacos partidos. Riscam pouco. Porque estão entrincheirados numa posição defensiva. Não chegam para as encomendas. A ofensiva é pesada demais.

Quem diria que, numa situação de degradação social tão acentuada, os reivindicativos e agitadores venham de roldão dos luxuosos gabinetes das Administrações, enquanto os sindicalistas se esgotam a cavarem trincheiras de areia. Problema de diferentes capacidades de exposição mediática? Sim. Mas não só. Os arquétipos da velha ordem económica também pesam como chumbo. E, sobretudo, pesa aos sindicatos, tirando-lhes oxigénio, a anemia que acometeu a Oposição política.
Publicado por João Tunes às 18:14
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UM CEGO CONDENOU UM CEGO

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Mais dez presos políticos condenados em Cuba, país que já detinha o maior número de presos por delito de opinião “per capita” em todo o mundo. Enquanto a vida do jornalista Raul Rivero continua em risco por causa de uma broncopneumonia contraída devido às péssimas condições prisionais, estes dez cidadãos dissidentes do regime vão continuar a penar nas masmorras castristas. O ditador Castro continua, impunemente, na sua paranóica fuga em frente a restringir e reprimir toda a veleidade de diferença de opinião.

Estas dez pessoas haviam sido aprisionadas em Março de 2002, quando tentavam visitar um jornalista que se queixava de ter sido espancado pela polícia e se encontrava internado num hospital. Foram todas detidas à entrada do hospital pela polícia que as manteve presas durante dois anos sem julgamento. Depois, veio a verificar-se que a cena fazia parte de uma provocação de um agente infiltrado da “Pide castrista”. Em julgamento, o infiltrado policial reconheceu o papel que tinha feito e mostrou-se arrependido da sua missão de “bufo”, o que lhe valeu ser espancado no tribunal e ser-lhe aplicada uma pena de três anos e meio de prisão.

Um dos condenados, Juan Carlos Gonzalez Leyva, advogado e activista dos direitos humanos, é cego. Foi acusado de “ter resistido à detenção, ter perturbado a ordem pública e faltar ao respeito ao Presidente”. Apanhou quatro anos de prisão.

Fidel tem mais presos nas suas masmorras. Um desses presos é cego. Mas quer ver a liberdade no seu país. Fidel é cego perante a liberdade, a pior de todas as cegueiras. O mais cego destes dois cegos é o carcereiro daquela ilha a transformar-se numa prisão.
Publicado por João Tunes às 17:32
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EURO QUÊ?

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O Abre-Latas está felicíssimo com o próximo alargamento da União Europeia. Não conteve a sua exaltação e partilhou-a em termos épicos:

“Uma coisa parece segura: sem alaridos, a Europa dá um passo de gigante rumo ao futuro. Dentro de cinco dias, inicia-se uma nova página da História da Europa. Será porventura mais brilhante do que todas as que já foram escritas. Pela primeira vez, à mesma mesa, estarão sentados quase todos os povos europeus... E alguns dos que faltam não estão esquecidos...
Está pois para muito breve o dia em que me sentirei em casa se estiver em Tallin, Praga, Varsóvia, La Valeta, Vilnius, Budapeste, Liubliana, Nicósia, Riga ou Bratislava.”

Tentei pôr um bocado de água fria em tanto entusiasmo heróico-europeísta e falei na falta da “Europa Social” e nas consequências dos alargamentos em simultâneo com sucessivas integrações de economias que sustentam a sua produtividade em políticas de salários baixos (na altura, mal sabia que, no dia seguinte, Cavaco Silva ia dizer parecido a empresários reunidos em Santa Maria da Feira). Deu para receber logo o rótulo (a velha e persistente mania de se etiquetar para se ganhar posição) de euro-céptico(!) (mal ele sabe o que passei anos a fio por defender a integração europeia em casa de anti-europeístas). Depois, justificou o tom do seu discurso:

”O discurso construtivo é sempre o mais difícil de erigir, pois que não se pauta pela lógica do incessante ruminar do queixume, e muito menos será tributário do criticismo episódico que, qual comichão, tem feição de sintoma migratório.
Não, o discurso construtivo é sempre o que menos agrada a quem está de mal com o mundo. Mas por vezes é o que melhor reflecte o âmago de certos assuntos.”

E arrasou com meia dúzia de argumentos de Fé que, como se sabe, é coisa que não se discute. Senti-me um herege em plena missa a necessitar de confissão, absolvição e hóstia redentora. E a homilia do meu amigo Teixeira Pinto, chega ao ponto deste elogio beato à Santa União:

“A integração europeia ocorreu e naturalmente ocorrerá como uma sequência de vagas sucessivas. A primeira vaga é de natureza económica (desde a CEE, CECA.... até à moeda única.... e, no futuro, veremos o que mais virá), a qual só pode avançar se for secundada por uma segunda vaga de integração política (começou com a criação de instituições supranacionais e avança agora para uma união política constitucionalmente definida... e, no futuro, veremos o que mais virá); com a integração política surgem condições para uma terceira vaga – esta mais da responsabilidade dos cidadãos – de integração social: aparecimento de partidos de dimensão europeia, uniões sindicais à escala europeia, etc...”

Isto é, os Estados tratam das economias e das papeladas (incluindo as Constituições), os cidadãos (!) que tratem do resto (do social, do cultural, do etc.) se … quiserem.

Ainda não estou devidamente recomposto. Valeu-me, em alívio no desconsolo, ler a “declaração de voto” de Vicente Jorge Silva no Causa Nossa:

“Apesar da minha identificação plena com um projecto federal europeu – diferenciando-me, por isso, das posições assumidas pelo Partido Comunista Português, o Bloco de Esquerda e o Partido Ecologista Os Verdes –, não me conformo com o défice democrático actualmente existente no funcionamento das instituições europeias. Encarar a Europa como uma fatalidade e não como um desígnio assumido e desejado voluntariamente pelos portugueses constitui uma contradição e uma perversão do contrato estabelecido entre as partes. Qualquer alteração do pacto anterior, a nível constitucional, entre os portugueses e a Europa, deveria ser precedido de um referendo.”

Pelo menos, já somos dois a aquecer no purgatório dos renitentes às hossanas “construtivas”. Ámen.
Publicado por João Tunes às 13:24
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EM 28 ABRIL 1945

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O mundo viu-se livre de Mussolini.
Publicado por João Tunes às 01:56
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Terça-feira, 27 de Abril de 2004

QUEM DÁ MAIS ?

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A privatização de pelo menos 33,34 por cento da Galp recebeu quatro propostas de compra apresentadas pelo consórcio Carlyle, grupo José de Mello, Viacer e o fundo de capital de risco inglês CVC.
"Três candidatos já apresentaram as suas propostas:Carlyle, grupo Mello e Viacer, o que foi feito até às 17:15", afirmou à agência Lusa fonte oficial do Ministério da Economia.
Fonte do fundo do capital de risco inglês CVC, que controla a Lecta, confirmou, em declarações à Lusa, que a sua proposta foi entregue em Londres.
A Viacer, holding que reúne os accionistas portugueses da Unicer (Arsopi, Grupo Violas e BPI), vai avançar sozinha para a privatização da Galp com o objectivo de criar o maior grupo de base industrial português. O grupo, liderado por Manuel Ferreira de Oliveira, ex-presidente da Petrogal, considera que a compra da participação da Galp é uma das poucas oportunidades de crescimento e desenvolvimento dos negócios da Viacer em Portugal.
O consórcio formado pelo grupo norte-americano Carlyle e Banco Espirito Santo, que integra ainda a petrolífera estatal angolana Sonangol, a Fundação Oriente, a Fundação Ilídio Pinho, a Olinvest e a Caixa Geral de Depósitos (CGD) - como consultor e conselheiro financeiro - assume-se como uma mais-valia para a Galp, por terem uma estratégia definida e know-how relativamente ao negócio de exploração do petróleo (Àupstreamè).
O grupo Carlyle, por ser uma empresa privada de investimento, cederá a sua posição no fim de "7 a 10 anos", dando preferência de compra aos accionistas nacionais que fazem parte do consórcio, avançou fonte do consórcio.
O grupo José de Mello decidiu também concorrer à privatização sozinho depois de goradas as negociações com o grupo Carlyle.
O fundo de capital de risco inglês CVC, que controla a Lecta, que foi candidata à privatização da Portucel, confirmou ter apresentado a sua proposta de compra mas escusou-se a avançar mais pormenores.
O capital a alienar da Galp vai situar-se entre os 33,34 por cento - a posição da Eni - e os 47,61 por cento - se a isso for adicionada a totalidade dos 14,27 por cento detidos pela EDP.

(notícia da Lusa)

ADENDA: Hoje, 29 de Abril, veio uma declaração pública a desmentir que a Sonangol esteja associada na pool concorrente liderada pelo Carlucci. Porra, vale tudo na ganância de abocanhar?
Publicado por João Tunes às 13:06
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O PERSEGUIDO E A PERSEGUIDA

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O meu amigo Viktor mostrou-nos uma estátua colocada numa praça no centro de Almada e que constitui uma lembrança-homenagem aos perseguidos pela ditadura.

Depois, nos comentários do post, dedicou-lhe palavras sentidas e próprias de homem sentido:

“A escultura dedicada aos Perseguidos foi criada antes do 25 de Abril na cidade que é a sua e cuja população muito contribuiu para o glorioso dia de Abril, pela sua LUTA e RESISTÊNCIA. Este monumento que só foi possível de erigir depois do 25 de Abril nunca, em circunstância alguma pretende iludir quer a percepção (?) quer a desilusão (?) seja lá do que fôr.
A Estátua aos Perseguidos está aqui presente na Oficina pelo simbolismo de luta que em si própria encerra e não por outras razões. Esta imagem é libertadora e incentiva à indignação tão necessária nos tempos que correm. Não contra um discurso mas contra o poder dos senhores da globalização económica e financeira.
O cinzento da estátua representa o cinzento do sofrimento dos portugueses antes do 25 de Abril e o vermelho dos cravos, colocados ali por crianças, a força da Esperança que nos deve nortear.”

Vezes sem conta, passo por aquela praça e por aquela estátua. Como a praça está localizada em zona de tráfego intenso, havendo que ser despachado nas manobras de condução, difícil me tem sido apreciá-la a preceito. Agradeço à mui nobre e sempre leal Oficina permitir-me agora apreciá-la com o vagar que merece.

Já agora, ficam duas observações para juntar ao elogio épico que lhe foi dado pelo esteta que a fotografou e a registou no seu blogue:

- A escola artística é igualzinha à da estatuária naturalista-soviética. Destas, das que restam, encontram-se em todas as cidades e cidadezinhas dos países que conheceram as delícias do “socialismo real”.

- Como é da praxe, seguindo a cartilha, o lutador perseguido vai à frente, rasgando os caminhos da luta, enquanto a companheira o ampara e apoia. No sítio certo e onde devem estar as companheiras dos lutadores: na retaguarda e em apoio.

Abraço, amigo Viktor.
Publicado por João Tunes às 11:29
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ISTO ESTÁ A FICAR GIRO

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Dá gosto ver a pluralidade da blogosfera. E como ela se estrutura, se desenvolve e ganha conteúdo e consistência. Pela velocidade de comunicação, a imprensa, manietada pelos bonzos do costume que peroram nas cátedras jornalistas com a borla de “comentadores”, quase todos chatos e previsíveis, os blogues passaram-lhe à frente e, houvesse maior massificação no acesso à Internet, poucos substituiriam um blogodebate pela leitura soporífera dos “comentadores políticos” que abancam nos jornais de referência. Claro que as excepções existem, aqui como em toda a parte e em todas as questões.

E bons exemplos dados pela dinâmica blogueira são os daqueles que abancam nas duas tendas. Compare-se o JPP dos jornais e da TSF e o do “Abrupto”. Ou, mais evidente ainda, Vital Moreira antes e depois de se meter em blogomilitâncias na “Causa Nossa”. Infelizmente, Francisco José Viegas, escolheu uma via deprimida de construir o seu “Aviz” que provoca um enorme desconsolo para quem admira as suas crónicas no JN e doutras paragens.

O facto de a geração blogueira, na sua grande maioria, andar pelos trinta e pelos quarenta (ou até menos) - ou seja, malta que não foi moldada nem no fascismo nem no 25 de Abril - introduz um factor de irreverência e de rapidez de raciocínio e de retórica, próprias de uma geração educada na era da informática e da comunicação instantânea. E aos mais velhos que esta vaga geracional, onde me incluo, resta-lhes a opção entre fecharem a loja (quantas vezes isso já me apeteceu…) ou alijarem lastros de argumentos feitos, ginasticarem conceitos (revendo-os permanentemente) para se aguentarem na onda e não fazerem figura de kotas parvos.

Interessante igualmente é a incapacidade de os Partidos controlarem as blogoemissões ao serviço dos seus slogans e palavras de ordem. Blogues com clara conotação de fidelidade monocolor, soltam-se e cometem heterodoxias dificilmente praticáveis em reuniões partidárias. A propaganda exige sedimentação táctica e supervisão unificadora, aspectos não praticáveis na praxis bloguista.

Claro que também existem arquétipos cristalizados. Bush mais o Iraque será o mais visível. Israel versus Palestina, idem. Terrorismo, igualmente. Mas pouco mais. O que não é pouco e é sempre demais. Mas, como sabemos, não existe céu na terra. Mas há inferno. Como o demonstra a peste clubística-futebolista que, também aqui, não podia faltar. E que serve, apenas, para dar uma leve pincelada lusitana e rasca à coisa.

A blogosfera tem vindo a aumentar a sua politização. Naturalíssimo, face à saturação do “fazer política” tradicional e aos maneirismos rotineiros que a comunicação social formatou. A liberdade bloguística trouxe muita gente para a política que, antes, a detestava ou lhe passava ao lado. Ou muito me engano, ou as elites políticas daqui por cinco anos, no máximo, serão constituídas por antigos blogueiros com uma nova geração de blogueiros a morder-lhes nas canelas.

Interessante, finalmente, a forma como a Direita e a Esquerda aparecem, desaparecem e reaparecem na blogosfera. E se desdobram, ramificam e se reinventam. Os trinta anos do 25 de Abril serviram para comprovar a pluralidade destas dinâmicas dos discursos. Claro que a maioria esmagadora é “abrilista” como não podia deixar de ser (um blogueiro a negar a liberdade e a democracia seria um contrasenso). Mas, lendo cuidadosamente, temos “abrilismos” para todos os gostos, estilos e matizes. Desde, nos extremos, o desânimo derrotista e “saramagiano” da “perda da revolução” (veja-se o “Oficina das Ideias”) e o culto por Isabel do Carmo elevada à santidade mítica de La Passionária (“O Vento lá fora”) até à provocação retórica e teatral do “25 de Abril, Nunca” no “Blasfémias”, a ultrapassar (ou a fingir isso, do género “vamos lá animar a malta”), pela extrema-direita, o sereno, sensato, institucional e neo-liberal “Fumaças”.

Sabe-se que também se pode morrer pela cura. E, no meu entender, o que impede a morte macaca da blogosfera por via da sua alta politização, saturando-a e levando-a para um beco sem saída, são os contributos plásticos, estéticos, intimistas e lúdicos, semeados por quase todos os blogues, amenizando e humanizando o debate, a polémica e a pequena quezília, a tudo dando uma dimensão relativa onde as crispações são, inevitavelmente, passageiras. E, acima de tudo, o uso e refinamento do humor (o pai do humanismo e a melhor forma de respeitar o próximo). Porque, assim, fica claramente visto e sabido que a política é um meio e não um fim. Porque nenhuma opinião é, ou pode ser, definitiva. Porque toda a opinião, comporta o "non sense" de ser uma verdade finita e transitória. E, aqui, neste tempero de relativismo da política, levando-a para o campo lúdico, arrastando os outros, impondo um estilo de leveza não dogmática, atribuo o mérito maior ao infatigável e impagável “Jumento”.

Resumindo: isto está a ficar giro.
Publicado por João Tunes às 00:52
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Segunda-feira, 26 de Abril de 2004

A LEGALIDADE SEGUNDO OS GESTORES DO BEATO

GOYA.gif

"As leis não podem ser um impedimento à criação de uma sociedade mais rica e mais justa", afirmou António Mexia (do “Compromisso Portugal”), em declarações à agência Lusa.

Pois, para a riqueza deles e a justiça deles, passemos ao lado, por trás, por cima e por baixo das Leis. Já se sabia o que a casa gastava mas convém confirmar. Incapazes de se modernizarem, estes "gestores". Pararam no tempo. Querem que o tempo pare.
Publicado por João Tunes às 20:19
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LEMBRANDO GUERNICA - VI26/04/1937 - 26/04/2004

guernika0012.jpg
Publicado por João Tunes às 19:58
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LEMBRANDO GUERNICA - V26/04/1937 - 26/04/2004

estandarte-condor[1].gif
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LEMBRANDO GUERNICA - IV26/04/1937 - 26/04/2004

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LEMBRANDO GUERNICA - III26/04/1937 - 26/04/2004

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LEMBRANDO GUERNICA - II26/04/1937-26/04/2004

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